Opinião

Mulher: carreira profissional x maternidade

Ricardo Karpat,Especial paraDiário da Manhã

diario da manha

 

Muitas  vezes, a mulher se divide entre a ideia de investir na carreira profissional ou na construção de uma família. Embora muitos empresários mantenham, publicamente, um discurso  politicamente correto de que  a conciliação dos dois objetivos não é divergente, não é isso o que costumamos observar no dia a dia corporativo.

A maternidade faz com que a profissional fique, por pelo menos quatro meses, ausente do seu trabalho. Isso representa um terço do ano, o que, convenhamos, é muito representativo. Como se não bastasse, sabemos que achar bons profissionais não é fácil e, substituí-los, é ainda mais difícil.

Por conta do exposto acima, proponho fazermos a simulação do que acontece habitualmente em uma empresa: a corporação contrata uma profissional com  potencial; essa profissional é treinada por alguns  meses e, após o período inicial, ela passa pelo período de adaptação e entrosamento com a política da empresa e da equipe. A cada tempo que passa, ela assume novas responsabilidades e conhecimentos, se tornando cada vez mais importante para o dia a dia da empresa; aí, de repente, o empresário recebe a notícia de que essa excelente profissional, que desempenha muito bem sua função, irá se ausentar da empresa pelos próximos quatro meses. Incontestavelmente, é um grande problema; como substituí-la a altura por este longo período? Realmente, uma tarefa difícil de ser resolvida e que, provavelmente, resultará em aumento dos custos e diminuição dos rendimentos.

Importante salientar também que a futura mamãe vai se ausentar para consultas pré natais e terá mudanças hormonais significativas. Por fim, a mulher ainda terá um grande problema: voltar ao trabalho e “abandonar” a sua cria, que carregou por nove meses na barriga e que ficou, por outros quatro meses, grudado em seu seio. Essa separação não é  fácil e pode abalar o psicológico da profissional, diminuindo o seu rendimento.

Por isso, o que  muitas vezes é considerado preconceito, na verdade é uma fria análise de risco da situação. A mulher, na idade fértil, tem maior possibilidade de se ausentar longos períodos da empresa quando comparada com os homens. Sendo assim, muitas empresas, caso encontrem profissionais de perfis semelhantes, acabam optando pelo gênero masculino.

Agora, se a maternidade prejudica a carreira, isso ocorre apenas momentaneamente. Na verdade, o correto seria dizer que ela retarda o crescimento profissional, pois após este período superado, com os filhos já maiores, a mulher muitas vezes volta ao mercado de trabalho  com uma vivência que o homem nunca teve e nunca terá, se tornando uma multifuncional eficaz e fazendo diversas coisas ao mesmo tempo com qualidade.

Algumas pesquisas comprovam que, após a maternidade, as mulheres trabalham melhor em grupo e tem mais empatia com os colegas e clientes. Já a revista científica Behavioral Neuroscience concluiu que há um aumento nas áreas do cérebro ligadas a raciocínio, planejamento e julgamento.

Após a vivência de criar um filho, a mulher, na maioria das vezes, desenvolve sua habilidade de resolver problemas, lidar com o estresse, se torna mais flexível e extremamente focada. Exatamente as habilidades que as maiorias das funções exigem para sua realização com competência.

Portanto, se por um lado a maternidade pode atrapalhar sua carreira profissional momentaneamente, por outro lado ela lhe tornará mais habilidosa e competente no futuro, trazendo ganhos significativos ao  seu lado profissional.

 

(Ricardo Karpat, diretor da Gábor RH, administrador de empresas especializado em recursos humanos)

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