Opinião

Museus para uma sociedade sustentável

Pedro Wilson Guimarães ,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

“O patrimônio de um povo implica um corpo de conhecimento

e uma atitude com uma aproximação holística à existência

que inclui o meio ambiente, as ciências, tecnologia, e as artes,

assim como o sistema inerente de ideias e valores que definem visões do mundo, percepções pessoais

e de grupo, e modos de vida.”

Magaly Cabral

Pedagoga e museóloga/RJ

 

Os museus são na expressão do dicionarista Francisco Ferreira um centro de registros, arquivos, conservatórios de elementos, marcas naturais e culturais de um povo. Cada povo tem uma maneira própria de olhar, ver, observar, pensar, ser, ter, fazer e usar. E escrever, desenhar, esculpir, compor, copiar, fotografar, manifestar, comparar, contar, expressar, imprimir, representar as diferentes musas, artes e naturezas. Museus são lugares destinados aos estudos, observações, reuniões e exposições de obras artísticas e naturais e mesmo científicas. São lugares onde reúnem-se objetos, coisas, coleções antigas, tradicionais, modernas e contemporâneas. São reuniões de coisas variadas, épocas, regiões, etnias, espécies, traços, correntes, tecnologias, ciências, educação, costumes. Lugares de encontros de uma e/ou mais variadas expressões culturais de cada povo e sua natureza. Assim temos museus de pinturas, esculturas, desenhos, imagens, sons, danças, cenários e artes. Museus que registram, contam as ciências e suas evoluções tecnológicas. Museus que nos trazem vidas animais do planeta desde quase sua origem até os dias atuais, animais dos mares, rios até as terras e florestas. Museus das descobertas e invenções cientificas e culturais, museus das vidas diferentes de cada mundo rural e urbano citadino por todos lados do universo de nossas galáxias sem medidas para nossa imaginação. Imaginemos mais.

Milhões de pessoas, homens e mulheres registram e estão em museus sempre guardando símbolos, sinais de evolução cultural e histórica. Estão aí os museus e suas artes, culturas, livros, acervos, coletados em pesquisas, visitas, expedições, viagens, invasões que coletaram pacífica e violentamente produtos culturais. Espalhados por todo mundo e regimes museus naturais, antropológicos. Museus de história natural do passado e do presente. Há marcas por todos os lados e alguma inclusive sinalizando gentes boas gentes até de outros planetas de nosso universo em contínua expansão física, química, biológica, botânica, zoológica, antropológica, sociológica, cultural, educativa. Cada povo mais e/ou menos deixou suas marcas, registros pela América, Europa, África, Ásia e Oceania. Com ou só de ciências, tecnologias, revelações possibilitam mais e melhores métodos para descobrir, inventar, analisar, comparar, aprofundar dados e índices. E respaldam leituras e através de datações que nos ajudam a interpretar origem e desenvolvimento de terras, pedras, usos, fusos, acervos guardados em igrejas, universidades, museus, arcas, cemitérios, praças. E mais matas, rios, mares, ares, geleiras, correntes marítimas, floras petrificadas, sepultadas, escondidas em lugares sagrados e profanos. Hoje temos museus naturais, culturais, tecnológicos em praças, parques, centros, bibliotecas, pinacotecas taxidermizadas que nos trazem bichos, aves, homens, mulheres de leste a oeste, acima e abaixo da linha do Equador. Hoje os museus são centros de conservação, preservação e valorização de acervos naturais, culturais, históricos e sociais, geográficos com reconhecimentos locais, regionais, nacionais e como patrimônio da humanidade. Quem esquece e/ou não valoriza cultura, arte, ética, pensar, comparar, agir, fazer, saber e realizar, preservar. E valorizam hoje bens materiais, culturais e espirituais relativos à humanidade e a natureza planetária. Museus significam registros da memória humana sobre si mesma e sua natureza. Em Goiás temos museus públicos e privados. Em Goiânia temos museus estaduais e municipais. Temos sob a coordenação da Prefeitura de Goiânia o Museu de Arte de Goiânia (MAG), o Museu de Zoologia José Hidasi, o Museu Goiano Zoroastro Artiaga, o Museu da Imagem e o do Som (MIS), o Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás, o Museu Pedro Ludovico Teixeira, o Memorial do Cerrado, Instituto de Pesquisas e Estudos Históricos do Brasil Central – Divisão de Comunicações – Centro de Informação e Documentação Arquivística, Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás, Museu de Arte Contemporânea/ Agepel, Fundação Museu de Ornitologia, Centro Cultura Jesco Puttkamer, Academia Goiana de Letras, Centro Vivo da Memória Contemporânea, Coordenação de Artes – IFG, Jardim Botânico Amália Hermano Teixeira, Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. E os estaduais como Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros em Alto Paraíso, Museu de Artes Plásticas Loures e Museu Histórico Alderico Borges de Carvalho em Anápolis, Museu da Soja em Caldas Novas, Museu Municipal Dita Lima em Caldazinha, Museu Histórico Municipal Cornélio Ramos em Catalão, Coleção Pedagógica Lobo Guará – Parque Nacional das Emas em Chapadão do Céu, Fundação Museu Couros em Formosa, Museu Histórico de Goianésia – Mário Augusto Alves. Os vários museus da Vila Boa conhecida como a Cidade de Goiás: Museu Cora Coralina, Museu das Bandeiras, Museu de Arte Sacra da Boa Morte, Centro Cultural Palácio Conde dos Arcos, Memorial Paulo Bertram – Instituto Bertram Fleury. Outros museus como Centro Cultural de Hidrolândia, Museu Histórico de Itaberaí – Casa Coronel João Caldas, Museu de Máquinas Agrícolas do França em Itaberaí. Museu Major Militão Pereira de Almeida em Itumbiara, Museu Histórico de Jataí – Francisco Honório de Campos, Museu de Arte Contemporânea e Memorial JK em Jataí. Parque Nacional das Emas e Museu da Memória em Mineiros, Museu Histórico em Nova Veneza, Museu Casa da Princesa em Pilar de Goiás, Museu das Cavalhadas, Museu Mariano de Pirenopólis, Museu Lavras de Ouro, Museu da Família Pompeu, Museu do Divino, Museu da Arte Sacra da Igreja do Carmo, todos em Pirenopólis. Museu Ferroviário de Pires do Rio, Museu Ângelo Rosa de Moura em Porangatu, Museu Histórico de Quirinopólis, Centro de Formação Capetinga em São João d’Aliança, Museu Histórico de São Simão, Museu Serra do Cafezal em Serranopólis, Sociedade Bonfinense de Cultura em Silvânia, Sala dos Milagres e Museu da Memória de Trindade, Memorial Serra da Mesa, Museu Dom Prada e Museu de Arte Sacra de Uruaçu, Espaço Cultura de Valparaíso. Hidasi veio para Goiás em 1956 e junto do Jardim Zoológico e do Lago das Rosas. Trabalhou como técnico experiente da taxidermização de animais dos cerrados possibilitando assim um acervo extraordinário visitado por gentes dos cerrados, das matas atlânticas, matas brancas, pampas, pantanais e amazônias. Muitas aves e animais vivem em zonas de intersecção dos biomas. Pouco a pouco foi trabalhando, empalhando peças hoje valiosas amostras de nossos acervos de bichos e aves do planeta.

E somos um museu de real valor cultural. Temos visitas até de gente do exterior, Hidasi dá-nos um exemplo de dedicação, criatividade, contribuindo assim para memória do centro-oeste sempre ligado a comunidade, as parcerias das universidades como PUC-Goiás, UFG,UnB e zoológicos de todos lugares. Hidasi gentil homem das artes, artes de preservação dos acervos naturais. Fez e faz de tudo na taxidermia de bichos do cerrado, da amazônia, mata atlântica e de aves parece-nos sua preferência dentro da zoologia que a ornitologia.

Museu de Zoologia de Goiânia que responde ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) que em todo mês de maio realiza a Semana Nacional dos Museus bem como exposições, debates, relatórios sobre a existência e o desenvolvimento sustentável do povo brasileiro das cidades e dos campos cerrados.

Para chegar à humanidade de hoje percorremos momentos decisivos para seu desenvolvimento sustentável. Os museus, as bibliotecas, arquivos, centros culturais guardam em sua memória a história. Memória, verdade, justiça. Lembram quão foi claros e escuros para nós quando uma biblioteca como a de Alexandria e algum museu foi queimado. Por isso, quando o homem e a mulher para e entender mais e melhor entre o grupo, família, comunidade, tribo e mesmo outros clãs passaram da fala e seu registro em desenhos, pinturas, em letras, alfabetos, hieróglifos e runas. E pode se guardar na memória dos atos, fatos de um povo. E quanto aos animais que passaram por processos taxidermistas e hoje estão empalhados em centenas de museus para nosso gáudio. Muitos animais somente se sabem pelos desenhos, empalhamentos e guardados em nossos museus. Depois da escrita e mais ainda das feituras de livros, mapas, globos, nossas visões foram aumentadas por mil junto com mais fotografias, cinemas, audiovisuais, TV e o fantástico Hubble e que começamos a imaginar que poderemos responder algumas questões de nossas existências. Quem somos e para onde iremos. Um museu é e deve ser um espaço. Um de reviver nossa história. Comparar tempo passado e presente para vermos se estamos desenvolvendo de modo sustentável para toda gente boa gente do futuro, do planeta da água, terra, flora, fauna, ar, clima, educação e cultura. Toda cultura da humanidade de Deus. Vida longa para José Hidasi e para o seu e nosso Museu de Zoologia que leva seu nome, sua história, ciência, arte e preservação da natureza. E amizade, consciência, memória, história-consciência e compromisso com seu destino de cuidar bem da natureza.

A criação desse catálogo tem como objetivo mostrar a importância do Museu de Zoologia para nossa cidade e para as gerações futuras mostrando o trabalho de conscientização, educação e preservação ambiental desenvolvido. A obra vai promover o despertamento quanto ao amor pela natureza, o respeito aos animais entendendo que eles são seres vivos e na maioria das vezes indefesos.

O museu deve ser visto como objeto de capacitação do homem primando por sua consciência ecológica. Visite o museu. Cuide e preserve da natureza e os recursos naturais. Só depende de você. Viva a vida. Vamos construir mais e melhores museus em cada cidade para o crescente desenvolvimento cultural de nosso povo. Museus para uma sociedade de desenvolvimento sustentável social.

 

(Pedro Wilson Guimarães. Presidente da Agência Municipal do Meio Ambiente de Goiânia/2013 – Amma. Presidente da Associação Nacional dos Órgãos Municipais de Meio Ambiente – Anamma 2013/2015. Secretário do Ministério do Meio Ambiente2012/2013. Prefeito e vereador de Goiânia. Deputado federal de 1993-2011 PT/GO. Professor da UFG e da PUC-Goiás. Militante dos Movimentos de Direitos Humanos, Fé e Política, Educação, Cerrados. E-mail: [email protected])

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