Opinião

O amor, assim o sinto

Nara Rúbia Ribeiro,Especial para Diário da Manhã

diario da manha

 

Quando menina, o Amor era o peito presente da minha mãe. Ou o meu pai chegando suado, sujo e cansado dos seus trabalhos braçais, dizendo-me: “Eô!!! O papai chegou!!!”

Um pouco maior, o amor era um grande circo, com malabares, palhaços engraçados e poemas flutuantes ou um grupo fadas-madrinhas, em suas asinhas translúcidas.

Aos quinze, o Amor era um príncipe que chegaria, tomar-me-ia em seus braços e me conduziria a uma terra de sonho e palácios, onde as rosas me reverenciassem e as estrelas me nutrissem de alguma seiva mágica, numa incandescente alegria.

Já adulta, o Amor tornou-se uma fera a rosnar pelos poros, a cegar-me o sentido no desejo de fundir-me ao outro. Furacão de desejos… Um cheiro libidinoso infiltrado na alma. O amor era o desespero da perpetuação da espécie.

Hoje, o Amor é tecelão a tecer-se em mim. É um sino que retine e me ensina o que não sei. É uma fresta na porta de minha ignorância e que me faz ver o quão mais sábia fui quando era uma pequena criança.

Hoje o Amor é um andarilho que me percorre a alma: sem pouso certo, sem forma fixa, sem afixação ao que vê.

Hoje o Amor é um lago a refletir a soma dos afagos que não tive, a amplidão dos corações que não amei, mas que estão ali, eu sei.

Hoje, o Amor é mais que dor, mais que emoção, muito maior que a razão.

O Amor é a pilastra que arrima o meu peito. É a rima que adorna o meu verso. É um cipreste que se alastra pelos astros do peito e faz com que eu me firme nas paragens etéreas.

É assim que eu o sinto. O Amor é o sangue da alma. É a maior metáfora da Suprema Alquimia a levar o oxigênio da vida a quem padeceu em extrema agonia.

 

(Nara Ribeiro,escritora e advogada)

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