Opinião

O rebaixamento do futebol

Eurico Barbosa ,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

A Fifa cometeu esta absurdidade: considerou um torneio de quatro clubes campeonato mundial e deu o título de Campeão do Mundo ao Corinthians.  Sem sequer disputar, até então, uma Libertadores da América, o clube paulista ganhou de mãos beijadas esse título.  Conclusão: se até a entidade que rege o futebol no mundo pratica essa barbaridade, o que esperar do nível moral desse esporte?

O pior é que a imprensa, notadamente a esportiva, não reagiu. Não condenou, não protestou. Em suma: deixou por isto mesmo, o que equivale a convalidar. Deplorável.  Sumamente deplorável.

Como a entidade máxima dava tão vergonhoso exemplo, a nossa CBF se sentiu à vontade para o cometimento de bandalheiras. Na presidência dela, Ricardo Teixeira, na época genro de João Havelange – que presidiu a Fifa por um quarto de século, a cometer   atos que o fizeram renunciar a um cargo honorário que lhe fora dado após aqueles vinte e cinco anos de dirigente supremo dos destinos futebolísticos mundiais – extremamente necessitado de apoio dos clubes para se manter no cargo, distribuiu a mancheias, vergonhosamente, títulos de campeão brasileiro. De que forma?  Transformando torneio meramente interestadual, como o Roberto Gomes Pedrosa, disputado somente por clubes cariocas e paulistas, em campeonato nacional.  Assim, o Palmeiras, que tinha apenas três títulos de campeão brasileiro, passou a ter oito. Da mesma forma o Santos. Clube que havia sido campeão da Primeira Divisão (Flamengo) perdeu o título para o que ganhara o da Segunda (Sport Recife). Da mesma forma, outras agremiações foram beneficiárias da irresponsabilidade e da desonestidade do presidente da CBF. A improbidade de sua atuação foi tal que teve de renunciar ao cargo, evitando ver-se processado e destituído. Com tal renúncia conseguiu o que queria: nunca mais se falou nele. Caiu no esquecimento total.

A desorganização e o aviltamento do futebol brasileiro têm sido tais que hoje em dia são realizados jogos importantíssimos (sob o ângulo da conquista dos três pontos em certames oficiais) sem a presença de um único torcedor. Como punição a um clube por ato condenável praticado por torcedor ou torcedores (comportamento que envergonha o futebol, fazendo-o espetáculo abominável), a CBF e as Federações estaduais obrigam a realização de partidas com o estádio completamente vazio, uma punição que castiga absurdamente a torcida inocente.

Se o nível moral está assim tão baixo, o nível técnico do futebol brasileiro chegou a extremos de precariedade. Dos 40 clubes que disputam as séries A e B, pode se considerar razoáveis apenas o Atlético Mineiro, o Corinthians, o Santos e o Internacional. Grandes clubes se mediocrizaram: Flamengo, Fluminense, Vasco da Gama, Botafogo (os quatro maiores do Rio), Grêmio Portalegrense, Coritiba, Atlético Paranaense, Bahia, Vitória, Goiás. Ganhador do título nacional nos últimos dois anos, o Cruzeiro não mais é aquele time brilhante. Na atual Libertadores sobram apenas ele e o Internacional de Porto Alegre, agora muito beneficiados pela exclusão do Boca Juniors, vítima da demência de um torcedor seu, que estava inclusive, na ocasião do jogo com River Plate, proibido pelo próprio Boca de frequentar jogos na Argentina. O que aconteceu em Bueno Aires prova também o nível de pobreza moral e técnica do futebol portenho. Em próxima oportunidade arrolarei outros fatos que demonstram ter sido o esporte mais preferido em todo o mundo rebaixado para a mais inferior das divisões ou categorias, sobretudo aqui no Brasil e na Argentina.

 

(Eurico Barbosa é escritor, membro da AGL e da Associação Nacional de Escritores, advogado, jornalista e escreve neste jornal às terças & sextas-feiras)

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