Opinião

Os seringais produzem borracha, empregos, serviços, impostos, e o verde verdejante

Josias Luiz Guimarães ,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

Não bastasse o preço sempre aviltado do leite, leite vacum, alimento substancioso para o ser humano, de todas as idades, onde a vocação produtora é tamanha, que só o estado de Goiás, mesmo, com a espoliação dos cartéis camuflados, produziu, no último ano, mais de 3,2 bilhões de litros de leite. Embora, toda essa fartura, o consumidor, por falta de motivação, bebe refrigerante em demasia, e, de forma abismal, consome leite abaixo dos padrões recomendado pelas Nações Unidas, inclusive, nas escolas. Demais, o preço é ridículo para o produtor, e, relativamente, alto na mesa do consumidor. O cenário condicionador: do lado do cartel camuflado, os laticínios: poucos, unidos, instruídos, grandes, organizados, com alto poder de pressão, do outro, pequenos produtores, dispersos, desorganizados, produto gravoso, altamente perecível, absortos na faina intensiva, isolados uns dos outros, ensejando o baixíssimo poder de barganha, sem instrução, não tem como despertar, armar-se, habilmente, para a engenhosa negociação, na construção do preço justo.

O pequeno consumo: 25% da produção, facilita, ainda mais, o abuso, espoliação dos produtores. Contrastando com o leite vacum, o látex, leite da seringueira, CVG, quase todo, ou seja, 75% é importado, vem de longe, da Ásia, principalmente Indonésia, o país que desrespeitando direitos humanos e a nossa legislação, fuzilou, recentemente, dois brasileiros, embora, hediondos traficantes de drogas. Vem de lá leitor, como é usual, entre os chamados “Tigres Asiáticos”, altamente subsidiados, com esta mutreta, os produtores daqui, que recebiam, há cinco anos, mais de quatro reais pelo kg de borracha natural, assistiram, paulatinamente, o preço deteriorar, valendo, na conjuntura atual, menos de dois reais, precisamente, um real e oitenta centavos, enquanto que os pneus, câmaras de ar subiram sem parar, o pneu radial de aro 16, que uso no meu veículo, custava, naquele tempo, quatrocentos reais, custa, agora, o nacional, em torno de mil reais.

Caminhos opostos, o preço da minha matéria-prima – um pneu radial, gasta, em média, 50% de borracha natural – caiu em parafuso, o produto da indústria, subiu como foguete, vivendo, os produtores de látex, borracha natural, drama pior do que os produtores de leite de vaca. Tudo acontece, por falta de política, política como a arte de governar, governar de modo transparente, parcimonioso, buscando o bem estar da sociedade, no caso atual, desencadeia, como erva do diabo, mal estar à comunidade produtora da preciosa matéria-prima, reverso do que ensina Aristóteles, em Ética a Nicômaco, ou seja, arte de fazer a sociedade feliz, paradoxo venial, quanta amargura na laboriosa faina produtora de utilitária substancia, senão, veja, além de substancia multiuso na indústria, gera mão de obra, serviços, impostos, mais oxigênio e menos gás carbônico na atmosfera, acrescida da floresta verdejante protegendo a generosa natureza contra os raios solares, amortecendo a temperatura ambiental, ora em ascensão, no planeta.

No passado, por falta de política maiúscula, como já exemplificada, o cultivo artificial da Hévea Brasilienses, genuinamente daqui, foi transferido para a Ásia, a princípio, a Malásia, agora, a Indonésia e outros, de onde importamos a maior parte da matéria prima, para manter o parque industrial, constituído, quase todo, de multinacionais, em pleno funcionamento. Com a pesquisa aprimorada ao longo de décadas, o país, fundado na tecnologia, genética aplicada, descobriu e aprimorou clones tão produtivos, quanto aos mais produtivos do mundo.

O cultivo incentivado, a princípio, era privativa da Amazônia, entrementes, acoitado por bairrismo, variante da política, em voga, aliada a corrente maquiavélica, por sorte, a doença provocada por um fungo: “Microcits”, queda caduca das folhas, inibindo o desenvolvimento da planta, tornando-a improdutiva, acabou derrubando o bairrismo, de modo que a cultura, cultivo, passou a ser feito, em boa parte do País, em especial, o Estado de São Paulo, hoje, maior produtor nacional, mais da metade, com 55% vindo em segundo lugar, Mato Grosso.

Quem diria! O passado, no agora, São Paulo, o estado de terras mais caras do País, liderando o ranking nacional de produção de látex. Isto aconteceu, leitor, porque houve política de incentivo, além do mais, a maior parte das indústrias do ramo está, ali, instalada. A região centro-oeste, além de terras mais baratas, possui clima melhor do que São Paulo, duas estações bem definidas, o frio não é tão intenso, só ela, houvesse política de incentivos, sem o usual maquiavelismo dos governantes, poderia tornar a nação auto-suficiente, liberta de importação, demais, exportadora, nunca se precisou tanto de divisas, como agora.

Pasme leitor! Em vez de incentivo à expansão da produção nacional, aconteceu o contrário, desestímulo total, ouvido mouco, tanto quanto a importância da cultura no campo social, geração de novos empregos, e, no campo econômico, abastecimento do mercado interno, e, quiçá, externo, por imperativo conjuntural. O melhoramento genético alcançado pela ciência, ciência associada à pesquisa aplicada, tecnologia, há muito, pleno domínio dos produtores, no que diz respeito à produtividade, manuseio do cultivo de novos clones, em vez de ser oxigenado, incentivado, ainda mais, pelos governantes do muda Brasil, foi asfixiado, com a extinção, do mandato do então, presidente Collor de Melo, da Sudhévea: organismo promocional do cultivo da seringueira, de igual forma, a empresa de assistência técnica e extensão rural, a primeira, de apoio financeiro, a segunda, técnico, aos produtores.

Prosseguindo, observe aí leitor, elemento de sobra, para o espanto filosófico de Platão, a princípio ininteligível, todavia, aclarado por Aristóteles, seu discípulo: espanto no tocante a inesperada ignorância, escuridão da mente, que pode ser aclarada, iluminada, pelo conhecimento, na atualidade, de importância transcendental para o País, espanto espantoso, ao nada fazer para acabar, com o processo corruptivo assustador, em ação, na Sudam e Sudene, extintas, vinte anos depois do muda Brasil, por causa da maldita corrupção. Interessante notar que a Sudam, até à extinção, foi dirigida pelo atual senador Jader Barbalho, componente do alto escalão político dos governos: Lula e Dilma. Tivesse ele, no lugar de extingui-las, dado, ainda, mais apoio, exigindo contrapartida, mais vigorosa, disposição, os seringais teriam sido duplicados, chegado à auto suficiência, demais, quem sabe, fazendo divisas, de que tanto carece o País, de igual forma, na assistência técnica, maior aceleração do agronegócio, elevando, com ambos, a exportação, internando divisas, um somando-se ao outro.

Eis o motivo, pelos quais, os governantes do Muda Brasil, afogados pela sua própria roubalheira, nada teve, para comemorar, no aniversário de seus trinta anos, senão a liberdade conquistada, dando asas a imprensa, imprensa livre, maior aliada da sociedade, colocando os podres, de toda sorte de maus gestores, para fora. Os incentivos malversados, corrompidos pela Sudam e Sudene, mais de 20 anos, dariam, plenamente, bem aplicados, nas agências extintas, para suprir as indústrias, ampliar sua capacidade produtiva, exportar, tanto matéria prima, como produtos acabados, derivados da borracha natural, ora aviltados pela política maquiavélica reinante, maculando a imagem da república junto à sociedade, mascarando-a de república do faz de conta, própria dos inimigos da democracia, ora tentando, também subverter, como no passado, a ordem constituída, a começar pelas universidades, querendo ressuscitar, neste país gigante pela própria natureza, defuntos como à extinta União Soviética, Cuba à beira da cova, estertores da morte, a Venezuela desgovernada pelo Maduro, imaturo, de velas acesas para a extrema unção.

 

(Josias Luiz Guimarães, veterinário pela UFMG, pós-graduado em filosofia política, pela PUC-GO, produtor rural)

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