Opinião

Professor de Medicina de Minas Gerais mostra o desmantelamento da assistência pública médico-hospitalar pelo governo

Marcelo Caixeta ,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

Recebi esta comunicação do professor Alexandre Barbosa, Faculdade de Medicina de Ouro Preto. Ele autorizou sua publicação.

“Depois do encontro com os estudantes no evento da Denem (entidade estudantil com viés de esquerda), ainda permaneço muito reflexivo. A Medicina privada do Brasil é considerada como uma das mais avançadas do mundo. Nela, atuamos conforme a Medicina baseada em evidências na busca do melhor pelos pacientes. Observo que, com o desmantelamento progressivo do SUS, houve um aumento da demanda no setor de saúde suplementar. Entendo como boa Medicina, aquela na qual o paciente é  responsável por sua própria saúde. Nao precisa passar a responsabilidade para o Estado. Também acredito na Medicina como uma profissão prestadora de serviços, cujo bem chama-se saúde. A Justiça brasileira já possui este entendimento quando pune os médicos nos tribunais por danos morais e materiais. Temos, também, a chegada da alta tecnologia. Há 20 anos, na cardiologia, tínhamos o ECG, o ECO, o Holter e o teste ergométrico. Hoje temos cintilografias, angio TC e serviços de hemodinâmica avançados. Ha 20 anos, os cirurgiões operavam via laparotomias, hoje, 90% das vezes por CVL (vídeo). O Estado muda o currículo médico, com objetivo de formar médicos habilitados para trabalharem na Saúde da Família, SUS. Hoje a carga horária em qualquer curso de Medicina passa por inúmeras disciplinas de saúde pública. A legislação do SUS é amplamente apresentada e discutida. Foi criado o Internato em Saúde Pública (parte prática dos últimos 2 anos de faculdade). Hoje, o espaco para conhecimento de disciplinas em especialidades foi reduzido. Por quê? O Estado deseja formar alunos doutrinados para serem funcionários públicos. O Estado não deseja uma Medicina privada forte, com alta especialização. O Estado deseja médicos com conhecimentos superficiais. Eu trabalho em um hospital privado de ponta. Também trabalho no SUS com meus alunos da UFOP em Ouro Preto. Existe sim, no Brasil, duas Medicinas. Uma para os pobres, ou mesmo, pacientes acomodados, que economizam na compra de um plano de saúde, e outra para os pacientes funcionários públicos, empregados de boas empresas (com seus planos empresariais) e pessoas com melhores condições financeiras preocupadas com a própria saúde. Na primeira condição em Ouro Preto, quando pego prontuários pregressos de meus pacientes do SUS, encontro: condutas desatualizadas, pacientes sem investigação, receitas reproduzidas sem base na ciência e muito acolhimento de enfermagem-participação em grupos-visitas domiciliares-festas na comunidade-paticipação em palestras, em reuniões “terapêuticas” de grupo, mas pouco verdadeiro cuidado científico da saúde. O paciente acredita que está sendo assistido. O servico de saúde finge que o assiste. Enquanto isso, coronariopatias geram miocardiopatias isquêmicas-ICC-FA-bloqueios isquêmicos) e o Ca de Colon vira metastases após 382 renovações de receitas de pacientes do grupo HiperDia. Em Amarantina, onde atendo com meus alunos, 100% dos pacientes não eram tratados diante da Medicina baseada em evidências. O exame laboratorial demora 3 meses. Uma radografia de tórax 6 meses. Um ecodopplercardiograma, 8 meses. Tenho uma limitação no quesito grupo de exames disponibilizados. Um especialista retorna minha referência após 6 meses, atuo como clínico geral . Por que este paciente, mesmo diante de tantas evidências científicas atuais, precisa ser submetido a uma Medicina de 2ª linha? O seu vizinho, mais produtivo, virou funcionário da empresa Vale e ganhou um plano de saúde. Este último, marca consulta com especialidades básicas em 7 dias. Consegue um especialista em 15 dias no máximo. Quando consultado, consegue realizar qualquer tipo de exame necessário para avaliação de sua saúde em tempo hábil. Quando comparece a um pronto-socorro, rapidamente tem acesso a qualquer tipo de tecnologia e vaga em CTI. O primeiro paciente, quando internado, fica jogado em um corredor de UPA (“posto de saúde de urgência”) por vários dias. O segundo tem seu leito com TV, ar-condicionado, comida de qualidade e tudo que a Medicina possui de equipamentos para um tratamento baseado em evidências. A Denem (cujo viés esquerdista é exclusivamente pró-SUS) deseja acabar com a segunda Medicina. Por que acabar com a única Medicina que funciona? Temos poucas pesquisas no Brasil sobre o assunto. Qual Medicina realmente presta os melhores cuidados? Às vezes sinto que estamos enganando nossos pacientes. Por que adaptar tratamentos? Por que inventar condutas? Por que não permitir a todos um cuidado de qualidade? Por que não abrir o mercado de saúde a empresas do exterior e liberar o setor de planos de saúde? Por que não liberar a disputa pelo mercado de seguros de saúde? Por que não facilitar a aquisição para a maior parte dos brasileiros? O SUS nunca funcionou e nunca funcionará. Os recursos são escassos. A demanda infinita!!!!! Como disse Bruno Ribeiro: “A grade curricular atual, com metade da carga horária da faculdade visando o médico da família, é um modelo errado, querendo formar médicos socialistas!”

 

(Marcelo Caixeta, médico psiquiatra, escreve às terças, sextas, domingos)

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