Opinião

Quando começou a corrupção no Brasil (conclusão)

Liberato Póvoa ,Especial para Opinião Pública

diario da manha

Em artigo anterior, relatei as impressionantes revelações do bem-sucedido empresário Osmar “Catito” Peres até chegar à “Operação Lava Jato”, num lance de azar da quadrilha dos “petroleiros”, flagrada numa simples operação de câmbio do gatuno Paulo Roberto Costa com o doleiro Alberto Youssef.

E exemplificou como funciona o esquema desde sempre.

A refinaria de Abreu Lima, em Pernambuco, por exemplo, foi orçada em 3 bilhões de dólares, mas já foram gastos 23 bilhões! Tudo começa com a licitação. Relata o empresário que há um conchavo entre as empreiteiras e as diretorias, pois uma diretoria não consegue autorizar nada sozinha, e as “bênçãos” do presidente da Petrobrás e do Conselho de Administração, sacramentam a “concorrência pública”.

Combinam entre si (já com o preço acertado com a direção da empresa) quem vai ganhar; o chefe desse clube de empreiteiras, que o juiz Moro pôs atrás das grades, foi dias atrás autorizado pelo STF a voltar para casa, levando no seu vácuo mais oito que se achavam custodiados em Curitiba.

Volto à “concorrência”. Aberto o envelope, “ganha” a empresa que estava combinada a apresentar “menor preço” (com a concordância das concorrentes).

Em seguida, dá-se início às obras, quando começa a corrupção pra valer, com os conhecidos “aditivos contratuais”, que vão modificando os valores da concorrência.

Por esses aditivos, muda-se, por exemplo, a especificação de uma tubulação, para outro tipo, cujo fabricante também é outro, pois “atende melhor às exigências técnicas”; em seguida, por causa dessa modificação, será necessário mais mão-de-obra, mais horas de trabalho. E, daí, se constata a “necessidade” de se mudar todo o projeto de engenharia, com natural e estratosférico aumento do preço inicial.

Em outras palavras, através de tais aditivos contratuais, somadas todas as “mudanças”, alcançam-se valores que saem de 3 bilhões para 23 bilhões de dólares! E nesta fase inicia-se a distribuição de comissão para diretores, superintendentes, gerentes executivos e, claro, para os políticos que os nomearam. É uma típica ação parlamentar (ou melhor, para lamentar).

Segundo os cálculos de Osmar Perez, o superfaturamento das obras em curso na Petrobras, alcança mais de 20 bilhões de dólares, sem se computar a  margem de lucro das empresas, também calculado em outros 20 bilhões.

A Petrobras confessa ter tido um prejuízo de R$ 88 bilhões pela roubalheira descoberta.

E, como se comprovam esses números?

O empresário explica: todas as obras realizadas nos últimos 10 anos (Abreu e Lima, Comperj, Pasadena, etc.), se fossem vendidas, valeriam menos R$ 88 bilhões, pois foram superfaturadas e, o preço de mercado, claro, é outro totalmente diferente. Daí o anúncio de perdas de R$ 88 bilhões.

Na verdade, tudo o que a Petrobras dizia valer 100 bilhões, na realidade, vale, 20 bilhões de dólares! Como empresa, ela é obrigada a contabilizar esse prejuízo, fruto de autêntica rapina e corrupção.

Resumindo, os corruptos são diretores, superintendentes, gerentes executivos e gerentes gerais indicados por partidos políticos. Os corruptores são as empreiteiras e prestadores de serviço em geral. Todos “ganham”. Todos devem ter a mesma responsabilidade criminal.

Não é demais repetir – para que fique bem claro – que o Conselho de Administração da Petrobrás tinha como presidente Dilma Rousseff, que aprovou a compra da Refinaria de Pasadena e todas as obras superfaturadas da empresa.

Nas diretorias, superintendências, gerências e postos de comando da empresa estavam Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró, Renato Duque, Barusco e toda uma quadrilha de empresas, que, não satisfeitas com o que roubaram na Petrobrás, estenderam seus tentáculos em outras partes do mundo, no rumoroso escândalo do BNDES, financiando secretamente obras de tais empresas em países que já nasceram com o selo da inadimplência gravado na bandeira. Recentemente, a presidente Dilma vetou a emenda aprovada no Congresso que previa o fim do sigilo nos empréstimos e financiamentos concedidos pelo  BNDES. Ninguém pode saber de nada. Precisa falar mais alguma coisa?

Mas o regime está se aparelhando, com a colocação de pessoas, escolhidas a dedo, em pontos estratégicos, principalmente do Judiciário, que, “venezuelamente”, poderão perfeitamente estar ali para garantir a impunidade. Nenhum ministro até agora aceitou, no STF ou no TSE, pelo menos investigar Lula nem Dilma, que, candidamente, afirmam que não sabiam de nada. Na verdade, só duas pessoas sabem da participação deles: Deus e o mundo.

Tomara que, além da ditadura já estabelecida, daqui a pouco tempo não comecem a perseguir – como Venezuela e Cuba – os que ousam contestar o regime.

Seguramente meu lugarzinho estará garantido num calabouço petista qualquer.

 

(Liberato Póvoa, desembargador aposentado do TJ-TO, escritor, jurista, historiador e advogado, [email protected])

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