Opinião

Ter medo evita tragédias

Salatiel Soares Correia ,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

Um amigo meu, recentemente chegado do Nepal, relatou-me a aventura de subir a estrada que dá acesso à base do Monte Everest. “São oito horas dando voltas numa montanha até chegar lá em cima, no topo da base.”. Disse ele dando um conselho para quem se aventura a subir montanha acima: “nem pense em olhar para baixo, qualquer deslize do motorista, e o veículo despenca lá de cima”.

Confesso que gelei só de pensar. Ainda mais quando vi as fotos que meu amigo postou no Instagram. Foi na base do Monte Everest que morreram 18 pessoas no recente terremoto que destruiu quase 50% de uma cidade de um milhão de habitantes: Katmandu, no Nepal.  Outro dia mesmo, o fato deste escriba não ser um amante de velocidade foi fundamental. Motivo: evitei que fosse atropelado um pedestre que, inadvertidamente, surgiu bem na frente ao meu automóvel.

Quando vou para zona rural do Tocantins, costumo levar um monte de remédios, de repelente de mosquito a soro antiofídico.  Cobra é um bicho traiçoeiro. Só acompanho pasto com uma bota de couro bem longa. É o temor que tenho deste réptil desde menino. Gato escaldado tem medo de água fria. Nesse sentido, sou daqueles que pensa que é melhor prevenir do que remediar.

Medo de avião, uns têm, outros não. No meu caso, apesar de voar desde os oito anos de idade, nunca deixei de sentir um frio na barriga quando vêm as turbulências que sacolejam o avião de baixo para cima.

Coragem mesmo, Deus me deu foi para enfrentar situações políticas. Sem coragem, não se faz a transformação da sociedade. Tendo a ser crítico com o governo. Aliás, se há governo, geralmente, sou contra. Ultimamente, depois de ser acometido por uma dengue braba, que me levou a dois desmaios, passei a ter medo daquilo que todos, um dia, teremos de enfrentar: a morte.

Ter medo faz parte da vida e é um ótimo remédio para evitar tragédias. Todos nós temos nossos medos. Uns mais, outros menos. O grande segredo desse sentimento é saber lidar com ele. Quem administra seus medos vive melhor. O indivíduo desprovido de medo é mais suscetível aos riscos pelos quais todos nós passamos no mundo da modernidade.

Todo valentão tem geralmente o mesmo fim: sete palmos debaixo da terra. Excesso de medo é, por sua vez, ruim, pois nos imobiliza ante atitudes que todos nós precisamos tomar perante a vida. Nesse contexto, até no sair ou ficar dentro de casa corremos perigo. Viajar de carro, avião ou motocicleta, ser piloto de fórmula um ou subir até o cume do Everest apresentam seus riscos. É um bom exemplo de constante elevação de adrenalina. O risco é crescente, bem como o medo. Reconhecer isso é salutar e ajuda a prevenir futuras adversidades.

 

(Salatiel Soares Correia, engenheiro, bacharel em Administração de Empresas, mestre em Planejamento Energético. É autor, entre outras obras, do livro Cheiro de Biblioteca)

Comentários

Mais de Opinião

27 de outubro de 2018 as 21:44

A estratégia de Pedro

27 de outubro de 2018 as 21:18

Bom dia, Brasil

26 de outubro de 2018 as 21:35

As propostas de Bolsonaro

26 de outubro de 2018 as 21:34

Ensaio sobre a criação do espaço

26 de outubro de 2018 as 21:33

Um amor de Goiânia

26 de outubro de 2018 as 21:32

Brasil e totalitarismo

26 de outubro de 2018 as 21:07

Esses corregedores do CNJ são uma piada

26 de outubro de 2018 as 21:00

O voo do DM

26 de outubro de 2018 as 20:57

Casos de câncer de mama sobem no País

26 de outubro de 2018 as 20:53

O Brasil pede socorro à CNBB!

26 de outubro de 2018 as 20:49

O direito de sonhar

26 de outubro de 2018 as 20:47

O STF legisla demais