Opinião

Uma análise psiquiátrica do PMDB

Por que o partido que hoje “comanda” o Brasil (mas ainda é “comandado” pelo PT) tem tudo de bom e de ruim que existe na “alma brasileira”

diario da manha

Marcelo Caixeta ,Especial para Opinião Pública

O “projeto do PT” para o Brasil, do ponto de vista psiquiátrico, caracteriza-se por um princípio: “Ódio”. Ódio ao “poder do Kapital”, ódio ao “poder dos mais fortes”. Este ódio traveste-se de uma “ideologia forte”: um “governo planejado”, uma “planificação intelectual” da quebra da espinha dorsal dos poderosos e a transferência do poder para os “subordinados”. São coisas que a “mente brasileira” não engole bem : “ódio” , “ideologia forte”, separatismo, intelectualismo; por isto o petismo está afundando. Brasileiro tem a “amizade forte” e o “intelecto fraco”. Aí entra o PMDB, com sua mente de “liberalismo oportunístico” bem mais de acordo com o modo brasileiro de ser. O brasileiro – aquele que quer tudo para si, sua família e os amigos – não tem nenhum compromisso com um Estado, a não ser – como o PMDB faz – tentar parasitá-lo oportunisticamente, espertamente, em prol de benesses patrimonialistas pessoais. Por isso o PMDB é a “alma do Brasil”, por isto entra ano e sai ano, entra Sarney sai Sarney, entra Renam sai Renam, e ele continua lá, firme, ancorado em cada grotão do País.

Quando a cúpula do PT viu que o brasileiro médio não engole “ódio”, “separatismo”, “intelectualismo”, “ideologia acima do afeto”, “matar e controlar com base na ideologia”, “planificação do Estado” (motes comunistas), aí tentou ancorar-se no lado populista do comunismo (pobreza, “bolsistas”, “cotistas”, “movimentos sociais”). Viu, no entanto, que estes, por mais dependentes sejam do Estado, não são suficientes para sustentar seu projeto de poder. Mesmo tentando insuflar guerra armada, “exércitos do Stédile”, não conseguiu transformar o “espírito cordial” do brasileiro. Sobrou então mais uma jogada genial de Lula: “Parasitar o PMDB.” É como , hoje, se o PT inoculasse um vírus no cérebro do PMDB que fizesse este corpo trabalhar para ele.

O PMDB é muito mais “especialista” em Brasil do que o PT, pois o brasileiro comum, não tem ódio e não é intelectual, e é “espertalhão” e pragmático como o PMDB: quer mais Estado, quer mais cargos, mais concursos, mais funcionalismo público, mais patrimonialismo pessoal, familiar. O PMDB é um “projeto da classe média” para continuar mamando no Brasil. Já o PT é um “projeto dos intelectuais e da pobreza” para continuar mamando no Brasil. Daria tudo certo entre os dois(“cabeça” e “corpo”) se a parcela sugada da classe média, aquela que não é “funcionária pública”, continuasse aceitando sustentar os “intelectuais”, os “funcionários”, a “pobreza”, os “políticos”, os “governantes”.

Mas ela não está mais aceitando ser sugada porque o país não está aguentando mais sustentar tanto parasita com tão poucos produtores (a ideologia comunista petista está sufocando a iniciativa privada). A classe média começa a ter de “cortar na carne”. Esta “falta de dinheiro” é transformada pelo “discurso ético” em “indignação moral”. Esta indignação moral repercute muito mais hoje por causa das redes sociais. A “pseudo-indignação moral” da classe média (na verdade é falta de benesse para todo mundo), no entanto, não aceita mais a “lama individualista-familiar sugadora do Estado” protagonizada pelo PT e PMDB . Mas este é o único modo de vida que o PMDB conhece – e o único modo do PT se sustentar; como lidar com esta situação sem saída? Há sempre a clássica maneira político-psicopática: ser frio, deixar os cães ladrarem e a caravana passar, as “manifestações secarem” e “fazer de conta que não é comigo”. Acaba que a Sociedade Civil tende a tornar-se complacente com o “jeito PMDB” de ser pois este representa um “retorno às origens do jeitinho brasileiro de ser”. A sociedade sente-se “segura” com este “jeitinho brasileiro/PMDB de ser” pois intui que ele , hoje, é a única contraposição ao jeito “stalinista-fidelista-chavista” do PT. É, na verdade, mais um auto-engano do brasileiro pois o PT, dominando a “máquina estatal” continua sendo o “patrão do PMDB”, cujo maior alimento continua sendo o “cargo público”. Na hora “h”, em 2018, aumentam a bolsa-família, o salário mínimo, diminuem gasolina e energia, falam mal da direita e ganham, de novo, a eleição… E a mente genial de Lula por trás de tudo isto e acima de todos nós.

 

(Marcelo Caixeta, médico psiquiatra (marcelofcaixeta.wix.com/marcelo), escreve as terças, sextas, domingos, na Seção Opinião Pública do DM.com.br (acesso grátis))

 

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