Opinião

Isto é inclusão escolar?

Como entender o clichê: “Os incomodados que se retirem”

diario da manha

 

Claudeci Ferreira de Andrade ,Especial para Opinião Pública

Tive um aluno declarado incluso por ser portador de baixa audição, porém era o pior aluno que já tive no aspecto disciplinar. Já ameaçado à expulsão da escola, por vezes, e a mesma nunca se concretizou, devendo-se a proteção dos que viviam do projeto. Também quebrou vidros da escola, derrubava mesas e carteiras, maltratava os outros, gritava, entrava e saia o tempo todo na sala de aula, portanto não fazia as atividades propostas; o engraçado de tudo isso é que tinha seguidor, havia outros ditos normais, que inspirados no comportamento dele, faziam o mesmo. Trocaram-no de sala; não adiantou, houve quem dissera que quando ele ia buscar a bandeja de lanche para os outros, cuspia dentro. O interessante, em tudo isso, é que seu boletim ostentava nota seis em todas as matérias, em todos os bimestres, “estava sempre na média”, na verdade, estávamos refém dele, ou melhor, nivelados por ele, pois não podíamos reprová-lo, nem ao menos, dessa forma. O nível da classe era puxado para baixo.

A tal socialização, defendida por muito psicopedagogos, é refúgio da gestão, aliás deve ser a única desculpa para manter este tipo de gente na comunidade escolar, pois essa gente não aprende no ritmo dos regulares, que seja dito de passagem, “ensina”. Certa feita, estimulei o tal aluno a escolher um grupo de trabalho para adquirir a nota do quarto bimestre, infelizmente escolheu o grupo “errado”: os seus “discípulos”! Como só assinou o trabalho pronto, não percebeu que seu grupo não fez um bom trabalho, a propósito, não saberia avaliá-lo mesmo, e, portanto, tirou nota quatro. Que explicação daria eu aos componentes do grupo, se o declarado aluno ia ficar com o seis? Ou seria justo dar o seis para todos do grupo por extensão da misericórdia atribuída ao aluno “especial”? Que critério diferenciado aplicaria eu para incluí-lo notoriamente na baixa qualidade a que apresentava, comparando com os demais sem que eu sofresse qualquer penalidade, discriminação ou escárnio de colegas e superiores de trabalho; ou defensores dos direitos dos adolescentes, por cima, “especial”?

O que tem de mais comediante nisso tudo é que quando ele descobriu a sua nota quatro, foi imediatamente à sala dos professores e me dirigiu, entre gritos e baixarias, os piores palavrões e ameaças! Entre muitas expressões censuradas, cito a mais leve, das quais tive de ouvir, sentindo seu dedo em riste no meu nariz: “Eu não posso tirar menos que a média, eu sou doente, podem consertar minha nota, senão vou te denunciar, seu professor de merda!”

Ele não tinha a capacidade dos outros, mas não era “deficiente”, era “especial”! Só para se beneficiar, admitia-se doente! Portanto ainda digo que o ganho da autoestima do incluso pela socialização não vale o prejuízo semântico da palavra “especial”; uma discriminação não vale a outra, o que vale mesmo é a socialização que deixa a desejar. Sem um professor de apoio não consigo. E os colegas de classe, como se sentem? Ninguém os perguntou?

Realmente, eu não sei o que é inclusão escolar ou social, cheguei a compará-la com uma competição entre funcionários de uma empresa que ao invés de um produzir mais para superar o outro, não; um “puxa o tapete” do outro para não vê-lo à frente, derrubando assim as boas estatísticas e nivelando por baixo todo mundo. Lendo o site abaixo ainda me condenei por está contando minha derrocada experiência, mas por um instante sublimei-me, jogando a culpa em quem também quer que todos nós sejamos iguais. Nesse caso, ele mesmo se autor rotulou, medindo-se com a maioria dos colegas de traços e comportamento “normais” e tentando ganhar por atalhos. (http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/orientador-educacional/como-evitar-alunos-rotulados-483497.shtml) (acessado em 13/06/2015).

Até que alguém me explique convincentemente que tipo de inclusão é essa, tenho que suportar outros “pseudoinclusos”. Quero ser um ser social; pelo o amor de Deus, tire-me dessa inclusão, que dilui a qualidade de meu trabalho, mutilando a aprendizagem da maioria, ou melhor, inclua-me fora disso! Salvo exceções.

 

(Claudeci Ferreira de Andrade, pós-graduado em Língua Portuguesa, licenciado em Letras, bacharel em Teologia, professor de filosofia, gramática e redação em Senador Canedo, funcionário público)

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