Opinião

Moisés Franco, o apóstolo da caridade

Irani Inácio ,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

A escassez de nossos recursos intelectuais não nos impedirá de render singela e merecida homenagem, com carinho e veneração ao missionário da caridade Moisés Franco de Carvalho. A sua, vaticinavam os astros, haveria de ser uma trajetória árdua, difícil, mas extremamente abençoada e por ele percorrida com passo estugado e firme.  Este singelo e descolorido artigo de nossa humilde lavra traz a lume tão somente pequenos fragmentos de sua profícua e brilhante caminhada. Não seria tarefa fácil retratar em espaço tão minguado e com a necessária fidelidade a vida e a grandeza da veneranda obra deste homem sensível e generoso. Ao exalçar as incontáveis virtudes desta notável figura humana amável e encantadora, não nos emula o torpe desejo de tecer falsos e perniciosos elogios capazes de estimular neste ilustre benfeitor da humanidade o egoísmo e da vaidade. O nosso é o sincero desejo de tributar singelo preito de gratidão e reconhecimento ao trabalho honrado e digno de um ilustre benfeitor da humanidade.  Objetivamos tão somente estimular e aplaudir a prática do amor e da caridade vivenciada com ardor por um verdadeiro missionário da vida, da luz, da esperança e da paz. Reverenciamos com alegria, entusiasmo e serena coragem esta personagem ilustre e invulgar, exemplar humano de raríssimas qualidades morais, sem jaça e ousada na prática do bem e na vivência da fraternidade, digno exemplo de ser seguido pelas futuras gerações.

Revela-se que ao depois de elaborar um muito bem urdido projeto reencarnatório  aquela alma sensível e iluminada decidiu, mais uma vez, aportar-se no orbe em 7 de maio de 1932 para mais um estágio na vida temporal. Vindo de outras plagas para nova experiência reencarnatória foi acolhido carinhosamente no lar humilde e generoso de seus genitores José Franco de Carvalho e Gerantina Cândida de Carvalho.  Jubiloso e feliz o humilde casal abriu os braços do coração para aconchegar com desvelado amor e imenso carinho o rebento querido que chegava como peregrino para novo estágio no país das sombras.  Aquele garoto campesino nascido às margens do Rio Claro, no município de Jatai, também haveria de “crescer em graça e sabedoria diante de Deus e dos homens”.

Ao revestir-se da indumentária física masculina o “salvo das águas” recebeu na pia batismal e no cartório de registro civil da cidade apiária o nome de Moisés Franco de Carvalho. Regressava à nossa nave planetária na pátria do cruzeiro e em solo goiano um ser humano extraordinário e vocacionado à prática do amor e da caridade. O “Moisés do Centro” é a imagem viva do bom samaritano da atualidade. Está entre nós um homem de bem e defensor intransigente dos princípios esposados pela consoladora e libertadora Doutrina dos Espíritos, que traz consigo o indelegável compromisso e transformar o homem e fazer avançar a humanidade. Sensível e generoso trouxe em sua bagagem o enorme desejo de amar ao próximo, e especializou-se na sublime arte de consolar os aflitos e oprimidos. Oriundo de família espírita, ainda muito jovem, corpo esbelto, músculos ágeis, emulado pelos encantos de sua extrema sensibilidade sentiu-se convocado a alistar-se na seara daqueles que se dignaram a trabalhar com Jesus. Floresciam lhe os anos quando indignado começou a observar as pessoas desabrigadas e jogadas pelas ruas sem consolo, sem lar, sem família, sem amor e sem fé.  Incomodava-o vê-los sem o que comer e sem onde dormir. Emulado pelo doce sentimento da compaixão ainda nos albores da juventude começou a alimentar os famintos, saciar os sedentos, curar os enfermos, balsamizar lhes as feridas, dar banho nos doentes e abrir os braços do coração grandioso e abraçar fraternalmente esta imensa mole humana que jornadeia sem rumo pelos descaminhos da vida imperecível. Em sua caminhada a marca indelével de uma larga folha de bons e relevantes serviços prestados aos carenciados e mais humildes da cidade apiária. Bem-aventurada sua sublime e abençoada missão de esclarecer os ignorantes, amparar os fracos, socorrer os miseráveis, acolher e abrigar os desprotegidos. Qual um samaritano da atualidade o jovem trabalhador da Mocidade do Centro Espírita Allan Kardec saiu a campo a acolher e dar dignidade aos mendigos que perambulavam pelas ruas então empoeiradas da cidade abelha. Amorável e simpático, granjeou parceiros e simpatizantes sem conta que logo se compromissaram com a difícil e honrosa tarefa de dialogar com os mendigos. Alentava-o a missão de acolher afetuosamente os irmãos do caminho oferecendo-lhes abrigo seguro capaz de minimizar seus sofrimentos, balsamizar lhes as feridas e aplacar suas atrozes dores físicas e morais.Irani Inácio 02

Com apenas 18 anos adquiriu a confiança das pessoas de bom coração e recebeu uma casa onde iniciou seu samaritano trabalho que perdura até hoje, acolhendo inicialmente 12 pessoas. Em 28 de maio de 1955 desposou sua bela Zenaide de Freitas Carvalho advindo desta união o nascimento dos filhos: Sandra Regina, Jesiel, Leila, Lísia, Geovan, Gean Carlos, Lívia Marina que retornou à pátria espiritual aos sete meses e João Paulo o “filho adotivo do nosso coração”. “Os filhos foram presentes de Deus e Zenaide é uma luz no meu caminho. Sem ela não teríamos realizado as obras que realizamos.”

Arrimado em sua fé fervorosa e inquebrantável, com perseverança e franciscana humildade o jovem pioneiro do Espiritismo em Jataí construiu em companhia de amigos e o apoio da comunidade o alicerce que haveria de abrigar e sustentar o sólido edifício das principais obras sociais da cidade. A semente do Evangelho por ele plantada no solo fértil do coração humano, regada com as lágrimas do próprio sacrifício germinou e cresceu dando origem às frondosas árvores das primeiras obras sociais de Jataí. Escolas de amor e educandários de luz o Centro Espírita Casa do Caminho, o Sanatório Espírita Antônio de Paula Cançado e o Albergue São Vicente de Paulo, que hoje prestam relevantes e inestimáveis serviços à comunidade emergiram da saga heroica e perspicaz deste missionário destemido e obstinado. Falar de Moisés é fazer bem presente à memória dos goianos e dos brasileiros a imagem de um homem de bem. É exalçar a dignidade e o acendrado amor de um mensageiro do Alto que amando e servindo nunca deixou se envolver nas densas energias dos irmãos do caminho. Não raramente era encontrado junto aos obsedados, aos deficientes físicos e mentais, à velhice desamparada, à criança abandonada, aos apoucados de inteligência, aos viciados, aos desalentados, aos miseráveis e aos oprimidos. A sua é a missão de acolher e acalentar os filhos da dor, carentes de afeto, consolo, esclarecimento, fé, esperança, amor e paz.

A assistência dos bons espíritos, a generosidade parceira de incontáveis amigos e o cultivo permanente da fé inquebrantável, a prece fervorosa, os diálogos fraternos, a água fluidificada, o passe, as doações materiais, os conselhos e as vibrações positivas foram algumas das ferramentas utilizadas na edificação desta obra humana e espiritual de excelente magnitude. Além da espiritualidade amiga foram seus parceiros na obra do bem as almas iluminadas aqui revestidas na indumentária física de: Isaías Beraldo, Francisco Beraldo, José Toco, Vicente de Oliveira, Abdiel, Bertolini, Pedro, Torquato, Miguel Gonçalves, Vigilato, Manuel Muleta, José Rodrigues, Padre Tiago e Reverendo Aurino César, Sebastião Garcia, Dr. Batuíra, Leontino de Assis, Nazário, Eurípedes, Necy, César de Almeida, Moacir Costa Vilela, Salomão, Osvaldo, Maria Assis, Arlindo Pavão, Joaquim Vidal, Areno Fernandes, Marcondes Dias e Geraldo Vilela.

Para inaugurar e fazer funcionar formalmente o Sanatório havia a necessidade de ter nos seus quadros um profissional médico por ele responsável. Aflito e esperançoso por  encontrar este profissional, Moisés em vão e sem sucesso percorreu várias cidades do país. Antes do exaurimento de suas forças de repente apareceu o Dr. Geraldo Vilela, ilustre benfeitor da humanidade que pagando as próprias despesas foi ao Rio de Janeiro e fez um curso credenciando-se para desempenhar a sublime missão. Regressando o Goiás devidamente credenciado, anônima e voluntariamente passou a servir com denodo e dedicação àquela veneranda instituição onde trabalhou graciosamente por quase uma década.

“O Dr. Geraldo, embora não sendo espírita ficava encantado com o resultado altamente positivo dos trabalhos espirituais realizados na casa”, afirma o nosso homenageado. Arrimado na amorável e indispensável ajuda de diversos amigos e colaboradores Moisés e sua generosa equipe jamais prescindiram do venerando comando dos amigos espirituais, verdadeiros responsáveis por aquela obra de excelente magnitude. Estribado na força poderosa do amor incondicional ao próximo houve um tempo em que Moisés e sua Zenaide, já casados foram residir no Albergue durante sete meses para melhor acompanhar as agruras de seus irmãos em humanidade. Zenaide tomava conta das mulheres enquanto ele cuidava dos homens. Tantas e tantas histórias interessantes e comovedoras ornamentaram o cenário da luminosa trajetória deste ilustre missionário da vida e apóstolo da caridade.

É nosso dever indeclinável ressaltar o brilhante trabalho por ele realizado em favor da juventude naturalmente inspirado na saga vitoriosa do inigualável poeta Castro Alves: “Eu sei que a mocidade é o Moisés no Sinai. Das mãos do Eterno recebe as tábuas da Lei marcha… Quem cai na luta com glória tomba nos braços da história, no coração do Brasil.”

Muitíssimo grato ao Criador por tantas dádivas recebidas e pelo bem precioso da vida. Jubiloso e feliz agradecemos aos espíritos amigos a bem-aventurada oportunidade de em homenageando saudar o amigo dileto Moisés Franco de Carvalho, um cidadão digno e honrado, espírita estudioso e de firmes convicções, bom filho, excelente marido, pai de família exemplar, fraterno, generoso e um cristão incansável na arte de bem servir ao próximo. Por derradeiro somos nós que ousamos plagiar o poeta dos escravos e paladino da liberdade para fechar com chave de ouro nossa singela homenagem a este cidadão de escol: “Vai guerreiro rompe os ares, os céus, os mares Deus ao chão não te amarrou.”

 

(Irani Inácio de Lima, advogado, espírita e conselheiro da Associação Jurídico Espírita do Estado de Goiás – [email protected])

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