Opinião

O PMDB derrotista II

Silvana Marta de Paula Silva ,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

Olá leitor. Sobre o meu artigo da semana passada, muitas pessoas concordaram com o que eu disse. Outras ficaram furiosas. Mas com certeza, está havendo uma confusão sobre com quem ficar nervoso. Hoje, quero levar-te à reflexão de que eu não tenho nada a ver com sua fúria, pois não fui eu quem praticou as atitudes por mim relatadas no último artigo.

Nunca tive nenhum poder de comando sobre a última campanha para governador (2014). Os responsáveis foram outros, e se alguma fúria há contra alguém, esta deve ser dirigida a eles. Porque o que fiz foi apenas o relato real sobre como tudo aconteceu. Tanto que não há que se falar em danos morais contra mim. Provo tudo.

Da minha parte, restou observar estarrecida a todo o período pré-eleitoral, onde permaneci firme e aguerrida.

Fiz as minhas previsões pelo Twitter na última semana da campanha e antecipei a derrota de Iris Rezende. Mas estava certa no que disse, ou o candidato do PMDB foi eleito governador e eu não fiquei sabendo.

Campanhas vitoriosas são conduzidas de uma maneira totalmente diferente do que vi dentro do PMDB.Talvez porque ainda existam pessoas que se acham acima do bem e do mal, e não enxergam nada à sua frente, senão os seus próprios interesses. Por isso passam por cima de gente – e gente pobre – que precisa – ao contrário do que foi feito – ser acolhida e ajudada.

Foram confeccionadas em torno de 500 mil cartilhas para a campanha de Iris de Araújo à Deputada Federal, que contavam a história da candidata e seu trabalho valoroso ao lado de seu marido, as quais deveriam ser distribuídas na Cidade de Goiânia.

Definidas as estratégias para a distribuição das cartilhas, as coordenadoras da campanha de Da. Iris de Araújo, líderes do PMDB Mulher, sugeriram como método de distribuição, que fosse feita uma dobradinha com o então candidato a Deputado Estadual Nélio Fortunato. Entendendo que tinham a autorização, as coordenadoras da campanha de Iris Araújo passaram para a segunda fase: a das contratações.

Foram contratadas em torno de 470 pessoas, via Nélio Fortunato, e o treinamento foi dado pessoalmente por Iris de Araújo, para grupos de 15 em 15 pessoas que ouviam dela mesma o que deveriam dizer e como distribuir as cartilhas.

Muito bem. Passados os primeiros 30 (trinta) dias, na hora de efetuar o pagamento, houve uma confusão: quem iria pagar o que? Um mal entendido, porque nada ficou assentado em contrato ou qualquer outro documento semelhante.

Aí, a bagunça estava feita. Quem deveria arcar com o pagamento dos contratados? Simplesmente, foi criada uma dúvida em relação a quem deveria pagar e o que pagar. Em suma, alguém não assumiu os custos pelo trabalho de distribuição.

E você leitor, o que acha que aconteceu? Vamos, dê o seu palpite…

Obviamente, as pessoas que trabalharam na distribuição das cartilhas ficaram revoltadas, já que de sol a sol entregaram de casa em casa, o dia inteiro, as cartilhas da Da. Iris. Tal situação perdurou por alguns dias, que se transformaram em semanas, e que se transformaram na maior confusão dentro do comitê de campanha do Setor Bueno, trazendo prejuízos eleitorais a Iris Rezende, por tabela.

A promessa dos contratados era de quebrarem o comitê em represália. Imaginem isso: a um mês do primeiro turno das eleições para governador… Inconcebível – sem falar na saia justa e apuro dos coordenadores deste movimento… sumiram, escafederam-se, evaporaram, por não agüentarem mais serem cobrados e não poderem fazer nada.

Nélio cumpriu a sua parte direitinho. O outro lado demorou mas cumpriu todas as obrigações assumidas.

Da minha parte, cumpri meu papel na campanha com afinco e determinação. Diante do quadro que observei naquele momento, qual foi o da derrota inevitável ainda no primeiro turno do candidato ao governo pelo PMDB, pedi à coordenação que me liberasse um trio elétrico para que pudesse pedir votos para Iris Rezende, o que foi concedido.

Sozinha, sobre esse trio, andei demais da conta: Fiz a grande Goiânia, onde comecei pelos arredores do Pe. Pelágio e segui na direção à Trindade. Pedi votos para Iris Rezende tendo passado por cada uma das ruas da cidade de Trindade, tanto a parte de cima como a de baixo. Como a cidade acabou, segui para a próxima cidade: Santo Antônio de Goiás. Como fiz todas as ruas daquela cidade, segui para a próxima: Nova Veneza. Depois de pedir votos pelo microfone em todas as ruas da cidade, segui para a próxima: Brazabrantes. Como a cidade terminou, segui para a próxima: Inhumas. Lá, fiquei à vontade, pois é a terra de minha família Vila Verde. De lá, segui para Goianira, e ali fechei minha agenda. Ufa!

Querem saber qual foi meu discurso? “Votem em Iris Rezende.”  O motorista do meu trio ficava por demais chateado comigo e dizia: Peça voto para a senhora! Não pedi nenhum voto para mim, porque como disse no último artigo, fui candidata apenas para ajudar meu partido com a legenda.

Iris Rezende passou apertado para o 2.º turno. Acho até que meu trabalho com o trio elétrico ajudou e muito no ‘upgrade’ que ele precisava para chegar à segunda fase.

Como eu, outras pessoas se dedicaram na base do ‘voluntariado’, mas não foram reconhecidas pela coordenação da campanha.

Coordenadores voluntários foram destituídos sumariamente de seus cargos em plena véspera de eleição por atitudes rudes tomadas da parte da coordenação: dentre estes, aquele que era tido como ‘Diretor Financeiro’ da campanha.

Era ele quem liberava os cheques para os pagamentos. Entretanto, a caixa de cheques que estava em seu poder foi confiscada e retirada de sua sala no comitê central, a mando de uma coordenadora, que nem sequer disse a ele um obrigado ou algo parecido.

Mas ‘destituições sumárias’ não aconteceram apenas com esta pessoa. Aquele que era tido como ‘Diretor Administrativo’ da campanha, saiu difamado, como quem tinha se locupletado dos privilégios de sua função, sendo que o mesmo trabalhou doente, com dor, vítima de um problema de coluna. Mesmo doente, não faltou nenhum dia de campanha, tendo trabalhado, repito, com dores – e grandes dores – de coluna.

Quando tudo terminou, estando este ainda trabalhando para finalizar acertos referentes às dívidas finais da campanha, um mal estar crescente o fez se afastar da coordenação, tendo saído sem nenhum tipo de agradecimento. Mas para o trabalhar duro, serviu. Qual foi o saldo final de campanha para ele? A traição e a mentira dos seus colegas de sala, e o silêncio da coordenação, que nada considerou de seu esforço ou de sua dedicação de uma vida inteira dentro do partido.

Tenho certeza que assim como eu, os outros dois acima mencionados ainda aguardamos ser chamados pelo nosso ‘chefe mor’, Iris Rezende, o qual irá nos agradecer emocionado pelo grande trabalho realizado por nós, heróico até, pois solitário e sacrificial, desenvolvido durante sua campanha para governador. Estamos aguardando pelo menos sermos chamados para uma conversa informal regada à pão de queijo e cafezinho.

E vc leitor, o que acha? Acertou: Isso não aconteceu. Estamos esperando pelo menos por um simples mas valioso “muito obrigado”. Até agora, nada!

Com isso, fiz boas amizades com pessoas que se sentiram tão agredidas quanto eu. Incrível como grandes amizades surgem de lugares absolutamente improváveis.

Muitos dos que hoje são parte importante do processo político de Goiás passaram pelo PMDB e saíram do partido abatidos e desanimados. Dentre eles Marconi Perillo, Francisco Júnior, Ovídio de Angelis, Thiago Peixoto.

Para os correligionários, traidores. Para mim, não mais os vejo assim.

Se passaram pela mesma condição de dedicação e indiferença que passei e assistiram estarrecidos às bagunças internas do partido, não conseguiram ficar.

Difícil absorver tanta coisa estranha tida como ‘praxe’ no dia a dia. Tudo feito a olhos nus, às claras, sem nenhum pudor.

Agora, dia 22, está marcada a reunião de expulsão de Jr. Friboi em uma reunião que acontecerá no Diretório do PMDB. O que será do partido após esta data?

Hoje penso diferente: sem Jr., o partido fica envelhecido e bipolar: centrado em Iris Rezende e Iris de Araújo.

Como pmdbista, fico constrangida juntamente com os que ficam – pessoas de bem e vitoriosas – como Maguito Villela, Daniel, Pedro Chaves, Leandro Villela – este é o novo PMDB.

Aos que magoei por causa dos meus artigos durante minha trajetória de articulista, peço desculpas.

Aos que não gostaram do que escrevi, beijinho no ombro.

Aos que me consideram, estou à disposição.

 

(Silvana Marta de Paula Silva – advogada e escritora. Twitter:@silvanamarta15 Blog: silvanago.blogspot.com.br)

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