Opinião

Saudades de mãe natureza

Luiz Carlos Amorim ,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

Os jacatirões de inverno, que por aqui chamam de manacá-da-serra, estão cobertos de cores, desde maio, numa florada espetacular. Então saí para fotografá-los, que estão fantásticos, colorindo muitos jardins. O meu pé de manacá  também está lindo, começando a se cobrir de flores, cheios de botões prometendo explodir em cores.

Sei que numa rua perto do apartamento onde eu morava, antes de mudar de novo para uma casa, há vários deles e queria re-gistrar, pois é um espetáculo da natureza que precisa ser eternizado.

Mas fiquei triste ao lá chegar, pois das várias árvores que existiam – seis delas – algumas já bem grandes, tinham mais de três metros de altura, outras menores, mas nem por isso menos majestosas, havia apenas três, das outras restavam apenas o cepo. Os pés de jacatirão mais bonitos da cidade estão morrendo, sobram apenas três e um deles já teve grandes galhos que secaram.

E olhando para o outro lado da rua, meu sorriso foi ficando ainda mais triste e eu fiquei paralisado de decepção: a minha amiga árvore, que ficava na esquina, uma paineira, acho, não estava mais lá. Cortaram-na, rente ao chão, seu tronco estava na mesma altura da minha alegria que desabara, quando vi aquilo. Algum leitor talvez se lembre da minha amiga árvore, que no final do outono dava folga às folhas e florescia lindamente, florescia flores grandes e coloridas e ia cobrindo o chão com suas pétalas, como se fora um tapete para os caminhantes daquela rua.

Não estava mais lá minha amiga árvore, quando voltei para admirar-lhe a majestade, como havia prometido, tão singela e humilde do alto dos seus mais de cinco metros. Não lhe descobrira, ainda, o nome, mas não importava, o que contava era a sua presença, a sua amizade, a doar-se para nós, seus admiradores, em flores e cores.

Não consigo achar uma razão para alguém cortar uma árvore tão bela, que estava num lugar onde não atrapalhava ninguém, pelo contrário: quando não estava florida, era muito verde e viçosa, quando estava florida era uma obra prima pintada pela natureza. Estava numa esquina, num lugar onde não se constrói nada, era o lugar ideal para ela.

Mas cortaram-na. Agora, só a saudade ficou naquele pedaço de chão, tanto tempo ocupado pela minha amiga árvore. Suas flores não voltarão mais, como em todos os outonos.

Saudade de você, amiga árvore. Saudade dos grandes pés de jacatirão que estão morrendo. Mais saudades, para doer outro pouquinho.

 

(Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br)

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