Opinião

Setor Sucroenergético é o caminho para fortalecer a economia brasileira

Roberto Balestra,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

 

Quando fui eleito pela primeira vez, em 1987, escolhi a defesa do setor rural como uma das principais bandeiras dos meus mandatos. Sou deputado federal há oito mandatos consecutivos. São 24 anos dedicados à representação do meu partido, do meu Estado, mas antes disso, já dedicava minha vida ao trabalho e auxílio ao homem do campo.

Fui fundador e presidente do Sindicato Rural de Inhumas, cidade em que nasci e vivo até hoje. Presidi a Cooperativa Agropecuária do Mato Grosso Goiano e tive a honra de também ser secretário de Agricultura do Estado de Goiás, reconhecido pela vocação rural. Sou produtor de leite, milho, cana-de-açúcar, café, gado de corte, laranja e fui presidente do Sindicato dos Produtores de Álcool de Goiás. Tenho o orgulho de ter presidido a Comissão de Agricultura da Câmara. Sempre atuei em defesa da pesquisa, extensão e proteção ao homem do campo.

Hoje o agronegócio é o setor mais forte da economia brasileira, representa quase um quarto do PIB, e tem garantido, a duras penas, que o nosso País não entre em uma crise sem precedentes devido a decisões equivocadas na condução econômica. Mas isso não quer dizer que tem sido fácil. Em 2015, as previsões mais otimistas apontam para um crescimento de 2,8% do PIB agrícola em um cenário de encolhimento da economia.

Para se produzir no Brasil é preciso enfrentar a cada dia um grande desafio. Falta infraestrutura, investimento em produção e distribuição de energia e em logística para o escoamento da safra. Tudo isso prova que, apesar da força que o agronegócio tem, ainda há muito para avançar.

Defender o setor rural é, sem dúvida nenhuma, defender o nosso País, acima de tudo. O Brasil tem papel chave no abastecimento do mundo e, em tempos difíceis como o que estamos vivendo, não podemos permitir o enfraquecimento desse setor.

Por isso, faço questão de contextualizar para me ater a uma área específica do agronegócio que vem sofrendo uma dupla crise. Trata-se do  setor sucroenergético, que vem sofrendo com a inércia do governo federal em resgatar uma dívida com esse ramo econômico. Dívida essa que vem se acumulando com o setor há vários anos e que agora, se soma a uma atual crise política e econômica vivida em todo o País.

Infelizmente, a palavra “crise”, que está na boca do brasileiro neste ano de 2015, já se faz presente na vida do produtor de cana há um bom tempo. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar prevê o fechamento de pelo menos dez usinas neste ano, somando-se a mais 50 que já deixaram de atuar desde 2008. Isso significa a extinção de mais de 100 mil empregos.

Cabe aqui destacar um paradoxo. Apesar de não ter políticas públicas nem incentivos voltados para o aumento da produção, o volume processado de cana-de-açúcar nas usinas do Centro-Oeste e do Sul do Brasil deve crescer quase 19 milhões de toneladas nesta safra em relação à safra do ano passado, chegando a 590 milhões de toneladas. A estimativa foi divulgada pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar.

Infelizmente é preciso lembrar que o aumento será possível somente devido às condições climáticas, que este ano estão mais favoráveis, e pela ousadia dos produtores rurais, não pelo incentivo que eles deveriam receber. Se uma simples mudança climática é capaz de melhorar esse cenário, qual o potencial que esse setor teria se recebesse o apoio necessário? Não há dúvidas de que a produção de cana é uma vocação brasileira e que precisa ser retomada com força para o desenvolvimento de muitos municípios.

Entendemos que, em um ano de cortes profundos em todas as áreas, fica difícil para o Governo Federal se atentar para esse setor, que já vem negligenciado nos últimos anos. Mas é neste momento adverso que a União tem de a obrigação de alargar sua visão e enxergar oportunidades. E a produção de álcool e açúcar é uma saída para ajudar o país a sair da crise. Se der atenção à produção de cana, não é o governo que estará ajudando o setor sucroenergético. É o setor que vai ajudar o País.

No Brasil há mais de 400 unidades industriais e quase 70 mil produtores independentes de cana-de-açúcar. Todos eles fazem parte do setor responsável pela geração de mais de 1 milhão de empregos diretos, distribuídos por 20% dos municípios brasileiros. O PIB chega a 40 bilhões de dólares e as exportações anuais chegam à ordem de 15 bilhões de dólares.

O setor tem que reconhecer alguns pequenos avanços. Uma das poucas vitórias foi o Governo Federal ter acolhido nossa proposta de aumentar o percentual de álcool anidro na gasolina de 25% para 27%. Mas não devemos nos esquecer de que foram meses de discussão e debates no Congresso Nacional. Onde foi aprovado, em agosto do ano passado, a Medida Provisória nº 647, de 2014, que aumenta o percentual de biodiesel no diesel, com a inclusão de uma emenda que autoriza o governo a elevar também a mistura de etanol anidro na gasolina.

É um fôlego a um setor importantíssimo para a economia brasileira. Aumentando a demanda do etanol em 1 bilhão de litros por ano e tem aliviado a tensão pela qual passa o setor.

Isso mostra que é fundamental que continuemos a dialogar, pressionar e apontar soluções para defender com muita força o setor sucroenergético. Um importante espaço para esse trabalho tem sido a Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético, recriada na Câmara dos Deputados no último dia 7 de maio e da qual tenho a honra de ser vice-presidente.

O objetivo dessa Frente Parlamentar é mobilizar e somar esforços no Congresso Nacional para propor e discutir medidas que garantam a retomada do crescimento do setor de álcool e açúcar. Um setor tão produtivo economicamente para o País não pode deixar de ter representantes que lutem pelo seu crescimento e valorização.

E com sua criação vai ser possível dá mais força a essa luta, que não é em defesa do setor sucroalcooleiro apenas, mas de toda a cadeia que é movimentada pela produção, em defesa da geração de empregos e de uma economia mais forte. Tenho a expectativa de que mais espaços para a defesa do desenvolvimento sucroenergético no País tenham voz do governo em outras instâncias.

Neste momento sombrio da economia, com nuvens recessivas pairando sobre a cabeça dos brasileiros, aposto todas as fichas na produção e comercialização do álcool e do açúcar como um dos motores para tirar o nosso País do atoleiro. É um setor forte, que só precisa de atenção para gerar mais emprego, mais renda, riqueza e desenvolvimento ao nosso País.

 

(Roberto Balestra, deputado federal pelo Partido Progressista. Presidente da Comissão de Política Agrícola, da Frente Parlamentar Agrícola. Vice-presidente da Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético)

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