Opinião

O importante papel do catequista no serviço do leigo na igreja

diario da manha

No quarto domingo das Vocações os leigos cumprem o chamado de Deus. Neste dia, 23 de agosto, a Igreja celebra todos os leigos que, entre família e afazeres, dedicam-se aos trabalhos pastorais e também missionários, conscientes do chamado de Deus a participar ativamente da Igreja. Os leigos atuam como colaboradores dos padres na catequese, na liturgia, nos ministérios de música, nas obras de caridade e nas diversas pastorais existentes. Ser leigo atuante é ter consciência do chamado de Deus a participar ativamente da Igreja e do Reino, contribuindo para a caminhada e o crescimento das comunidades. Assumir esta vocação é doar-se pelo Evangelho e estar junto a Cristo em sua missão de salvação e redenção.

Especificamente, hoje, dirijo-me aos vocacionados da catequese. A vocação é essencialmente eclesial e está destinada ao serviço e ao bem da comunidade. Pela catequese a Igreja contribui para que cada batizado cresça, amadureça e frutifique sua fé. Sabemos que uma das tarefas mais importantes da Igreja é participar na formação das pessoas para que elas cresçam em seus projetos de vida e percebam o chamado de Deus. Catequistas bem preparados e cheios do Espírito de Deus podem trabalhar a dimensão vocacional no conteúdo e na metodologia da catequese, de forma que ela favoreça o despertar vocacional e o engajamento eclesial. Na própria formação dos catequistas deve-se contemplar a dimensão vocacional.

Esta é uma tarefa em que o vocacionado participa com o carisma e com o dom peculiar de cada pessoa. Particularmente tenho realizado, dentro da Igreja e fora dela, várias atividades, as quais me completam como ser humano e como católica praticante. Através das minhas práticas no ministério leigo posso dizer que me refaço após um dia de trabalho, quando posso cantar, juntamente com a comunidade que participo, todas as terças-feiras, na Matriz de Campinas. Também me realizo servindo ao meu Deus, nas missas dos domingos na equipe dos cantos e na liturgia. Tenho o privilégio de desempenhar minhas tarefas na igreja, juntamente com minha família, ofício que exerço desde minha adolescência como catequista, motivada pelos meus pais e agora com meu marido e meus filhos. Esse é um trabalho do vocacionado do qual a igreja necessita e convida a comunidade, neste quarto domingo, para vivenciar essa experiência, como na mensagem do papa Francisco, que faz um apelo pelas vocações.

“Este dia sempre nos lembra a importância de rezar para que o “dono da messe – como disse Jesus aos seus discípulos – mande trabalhadores para a sua messe” (Lc 10, 2). Jesus dá esta ordem no contexto dum envio missionário: além dos doze apóstolos, Ele chamou mais setenta e dois discípulos, enviando-os em missão dois a dois (cf. Lc 10,1-16). Com efeito, se a Igreja “é, por sua natureza, missionária”, a vocação cristã só pode nascer dentro duma experiência de missão. Assim, ouvir e seguir a voz de Cristo Bom Pastor, deixando-se atrair e conduzir por Ele e consagrando-Lhe a própria vida, significa permitir que o Espírito Santo nos introduz neste dinamismo missionário, suscitando em nós o desejo e a coragem jubilosa de oferecer a nossa vida e gastá-la pela causa do Reino de Deus.

A oferta da própria vida nesta atitude missionária só é possível se formos capazes de sair de nós mesmos. Na raiz de cada vocação cristã, há este movimento fundamental da experiência de fé: Tudo isto tem a sua raiz mais profunda no amor. De fato, a vocação cristã é, antes de mais nada, uma chamada de amor que atrai e reenvia para além de si mesmo, descentraliza a pessoa. A Igreja que evangeliza sai ao encontro do homem, anuncia a palavra libertadora do Evangelho, cuida as feridas das almas e dos corpos com a graça de Deus, levanta os pobres e os necessitados.

Amados irmãos e irmãs, este êxodo libertador rumo a Cristo e aos irmãos constitui também o caminho para a plena compreensão do homem e para o crescimento humano e social na história. Ouvir e receber a chamada do Senhor não é uma questão privada e intimista que se possa confundir com a emoção do momento; é um compromisso concreto, real e total que abraça a nossa existência e a põe ao serviço da construção do Reino de Deus na terra.

Esta dinâmica de êxodo rumo a Deus e ao homem enche a vida de alegria e significado. Gostaria de o dizer, sobretudo, aos mais jovens que, inclusive pela sua idade e a visão do futuro que se abre diante dos seus olhos, sabem ser disponíveis e generosos. Às vezes, as incógnitas e preocupações pelo futuro e a incerteza que afeta o dia-a-dia encerram o risco de paralisar estes seus impulsos, refrear os seus sonhos, a ponto de pensar que não vale a pena comprometer-se e que o Deus da fé cristã limita a sua liberdade. Ao invés, queridos jovens, não haja em vós o medo de sair de vós mesmos e de vos pôr a caminho! O Evangelho é a Palavra que liberta, transforma e torna mais bela a nossa vida. Como é bom deixar-se surpreender pela chamada de Deus, acolher a sua Palavra, pôr os passos da vossa vida nas pegadas de Jesus, na adoração do mistério divino e na generosa dedicação aos outros! A vossa vida tornar-se-á cada dia mais rica e feliz.

A Virgem Maria, modelo de toda a vocação, não teve medo de pronunciar o seu “fiat” à chamada do Senhor. Ela acompanha-nos e guia-nos. Com a generosa coragem da fé, Maria cantou a alegria de sair de Si mesma e confiar a Deus os seus planos de vida. A Ela nos dirigimos pedindo para estarmos plenamente disponíveis ao desígnio que Deus tem para cada um de nós; para crescer em nós o desejo de sair e caminhar, com solicitude, ao encontro dos outros (cf. Lc 1, 39). A Virgem Mãe nos proteja e interceda por todos nós.”

(Palvras do papa Francisco, que revelam toda a compreensão do que é ser cristão leigo a serviço da igreja).

A completude de toda essa ideia acerca do leigo vocacionado pode-se resumir em uma palavra – amor, que é sinônimo de dedicação, desprendimento, devoção… Tudo isso merece o nosso reconhecimento, como representante do povo na Câmara Municipal de Goiânia e como militante da Igreja Católica, para homenagear 60 representantes de todos os catequistas de nossa cidade, no próximo dia 2 de setembro, às 19h30, com o Diploma de Honra ao Mérito pelos Serviços Prestados a nossa Comunidade.

Parabéns a todos os leigos que trabalham a serviço de Deus.

 

(Célia Valadão, cantora, bacharel em Direito e vereadora)

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