Opinião

O Muda Brasil, mudou mesmo?

diario da manha

A abertura democrática consolidou o anseio de liberdade no País, antes censurada, amordaçada, mormente a imprensa, na atual conjuntura, maior amiga da sociedade, denunciando toda sorte de mutretas, roubalheira dos próprios governantes. A política, no mundo, pode ter seus holofotes direcionados tanto para o bem, como para o mal. Em nosso meio, os gestores públicos, valendo-se do voto subserviente, têm-se preocupado muito mais com o poder pelo poder do que o poder pelo povo, para o povo, dando pouco valor aos fins que levaram a instituição da república. Com efeito, a cada tempo que passa, ela se encontra mais desacreditada no jargão popular e, mesmo, perante a gente douta, motivo pelo qual todo governante perdulário deveria ser considerado inimigo da república, condenado por crime hediondo, pois, mais do que a escravidão no Império, rouba a oportunidade de um lugar ao sol, a milhões de patrícios, nestes, os meninos abandonados, correndo, para as drogas, como a água para o mar, mutilando-os, crime organizado, banditismo.

Essa desilusão começa com a morte de Tancredo Neves, escolhido pelo voto indireto, primeiro presidente, no lugar de realizar novas eleições, o vice, José Sarney, assume o cargo. Houve um conluio, era a vez de Ulisses Guimarães, o grande lutador de todos os tempos, pela abertura, líder inconteste da nova ordem em ascensão. Sarney foi sempre da Arena, partido de sustentação do governo militar, aderiu na última hora ao PMDB, de oposição ferrenha à Arena. Fundado neste desencontro, paradoxo, inicia o presidente José Sarney seu governo, um governo de transição, a conjuntura inflacionária leva a criação do Plano Cruzado, com ele, nova moeda, “o cruzado”. A política do prendo ou arrebento do último presidente militar, João Figueiredo, agravou o abastecimento do País que passou a importar toda sorte de alimentos, a corrupção já mostrava suas garras nessa importação.

A política agrícola de juros altos desestimulou os produtores, a inflação galopante desestabilizou a economia, o plano cruzado torna-se impotente, Dilson Funaro, Ministro da fazenda, propõe sua reforma, mas o governo do PMDB, encantado com a possibilidade de ganhar as eleições em todos os estados brasileiros, procrastinou seu nobre propósito, embora tenha ganhado as eleições, em todos estados, menos um, Alagoas, perde o bonde da história, fica na rabeira, não consegue mais o esplendor de antes. A inflação, redistribuidora de renda as avessas dos pequenos e médios, para os banqueiros, industriais, agiotas, atinge a raia de 84%, num só ano, o governo dá o calote nos pequenos poupadores, arruinando-os financeiramente.

Collor de Melo, candidato opositor ao PMDB, ganha as eleições. Inaugura-se, com ele, a caça aos marajás. Altos assalariados, pouco produtivos. As mordomias, familiocracias, nos bastidores, começam a ampliar seus privilégios. Collor de Melo, presidente pouco experiente, coloca no ministério da fazenda a economista Zélia Cardoso de Mello, também pouco experiente, experimentada, como Sarney, confisca a poupança de milhões de patrícios, ainda hoje, na rua da amargura. Suas críticas negligentes ao Congresso Nacional, em parte, há muito, cabíveis, gerou reação do outro lado. Entra em cena o rumoroso caso de PC Farias, seu tesoureiro de campanha, administrando fortunas não declaradas. A revanche foi instantânea, advindo como corolário, prato dia, o Impeachment, perda do cargo, o episódio coincide com o escândalo dos Sete Anões, liderado pelo então deputado João Alves. Ato contínuo à cassação, o presidente do Congresso, Ibsem Pinheiro, que comandou todo o processo, teve que renunciar também, para não ser caçado, pois, estava envolvido no processo corruptivo dos Sete Anões, nunca apurado porque não eram apenas sete os anões do orçamento, abarcava mais da metade da maior corte do povo, o Congresso.

Itamar Franco, vice, assume a presidência da República, ato contínuo, reúne no ministério da fazenda equipe douta constituída pelo ministro Ricupero, assessorado por Pérsio Arida e outros de elevada sabedoria econômica, elaboram e implantam o Plano Real. Mandato curto o de Itamar, 2,5 anos, no entanto, diferente de seus dois antecessores, marcou indelevelmente a história, pois, estabeleceu condições de governabilidade para a nação, implodida, pelos dois últimos presidentes. Ricupero indignado com as críticas ao Plano Real, deixa o cargo, Fernando Henrique assume o ministério da fazenda e, na esteira do Plano Real, em implantação, com discreta maestria elege-se presidente da República.

Filósofo, escritor de várias obras, tinha tudo para encarnar a figura do rei filósofo de Platão: o mais sábio, governando o reino, ou, cidade-estado daquele tempo. Contudo, perde ponto na correção de desvios do Plano Real. O ex-presidente Itamar critica à falta de vigilância, controle, na condução do plano, vazamento de informes, enriquecendo banqueiros, um deles, foge para a Itália, para não ser preso, o governo caminha, Sergio Motta, ministro das cozinhas, intimidade de tempo de estudante, induz o presidente ao estatuto da reeleição.

A medida, em país de voto mercantilizado, subserviente, não deu outra, senão a plenitude do “toma lá dá cá”, teve que comprar voto de senadores e deputados, para ter maioria no processo de votação do malsinado Estatuto. Entretanto, com o estatuto aprovado, arma na mão, candidata e reelege-se Presidente, porém, perde o galardão de rei filósofo que poderia conquistar, perante a sociedade. Seu candidato, do PSDB, à eleição perde para seu mais ferrenho opositor, o PT, com Lula, de fato, este se elege presidente, ato contínuo, começa a preparar terreno para se perpetuar como Fidel, Raúl Roa, no poder.

Entrementes, a patota do PT, faminta por dinheiro, precisava de verbas e mais verbas, para fazer proselitismo, campanhas nababescas, passando mel na boca do eleitorado, como já era tradição. Onde buscá-las? Ora, na maior estatal do país e uma das maiores do mundo, a Petrobras. Para começar, o plano maquiavélico, concita povo, investidores a comprar ações da Petrobras, investir no seu fundo de investimentos, contudo, era pouco! Verbas, como maná do céu, terão que cair, vir do processo corruptivo, o Pré-Sal, pensa ele, com seus botões dourados de presidente, cobrirá, sem perceber, o rombo.

Nunca poderia imaginar que a “Operação Lava Jato” chegaria a tanto reboliço, maior escândalo corruptivo do país e do mundo. Levada, a cabo, pela Polícia Federal, enaltece, cada vez mais seus feitos. De forma diferente da corrente política que vem corroendo a república – arte da velhacaria, maquiavelismo hediondo, traidora da pátria, malfazeja – a da Polícia Federal, benfazeja, pois, se realiza a serviço da pátria. De igual forma, o processo em julgamento pelo juiz Sérgio Moro, em Curitiba, Paraná, enaltece a justiça brasileira, como enalteceu a passagem do ministro Joaquim Barbosa, no STF, em outro julgamento, de igual forma, histórico, “O Mensalão”.

A presidenta Dilma, herdeira dileta do presidente Lula, governa na corda bamba, ora, combalida pela sua política econômica de gastar mais do que o país arrecada, endividamento, recessão, PIB, abaixo de zero, ora pelo drama do Petrolão, a cada dia, abarcando mais figurões. Ambos, Lula e Presidenta Dilma, para a sociedade, nada conheciam da orgia financeira em curso, sucatando a maior estatal do país, ou estão mentindo à Nação, ou são totalmente despreparados, para o mais alto posto da república, de qualquer forma, como quais todos ex-presidentes, exceto Itamar, deveriam ser julgados por um tribunal eleito por gente douta: Um Tribunal da História.

Fosse a sociedade brasileira politizada, mas não é, continua vítima, como o menor abandonado, dos sucessivos governantes, constituiria ela plebiscito, com o propósito de instituir mencionado Organismo, destinado a julgar os maus governantes que tanto infelicitaram, e, ainda continuam denegrindo a república: república do Muda Brasil, a cada dia mais corrompida.

 

(Josias Luiz Guimarães, veterinário pela UFMG, pós-graduado em filosofia política pela PUC-GO, produtor rural)

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