Opinião

Cartórios e privilégios

diario da manha

O pre­si­den­te do Tri­bu­nal de Jus­ti­ça de Go­i­ás, de­sem­bar­ga­dor Gil­ber­to Mar­ques Fi­lho, es­te­ve na As­sem­bléia  Le­gis­la­ti­va pa­ra en­ca­mi­nhar pro­je­to de lei de sua au­to­ria pre­ven­do a cri­a­ção de car­tó­rios em Go­i­ás. O pro­je­to pre­vê 86 no­vas ser­ven­ti­as. A idéia não é no­va, nem ori­gi­nal. Há mais de 30 anos um par­la­men­tar de pri­mei­ro man­da­to apre­sen­tou pro­je­to nes­se sen­ti­do. Caiu na re­al de­pois de con­tac­ta­do por car­to­rá­rios que, an­tes mes­mo de o pro­je­to tra­mi­tar, já es­ta­vam sen­do pre­ju­di­ca­dos. Se­gun­do dis­se­ram, es­ta­vam re­mu­ne­ran­do par­la­men­ta­res pa­ra vo­ta­rem con­tra. O pro­je­to não se­ria apro­va­do, mas lhes fi­ca­ria mui­to one­ro­sa a não apro­va­ção. O jo­vem de­pu­ta­do caiu na re­al e o pro­je­to foi re­ti­ra­do da pau­ta.

Su­pri­mir di­rei­tos de po­bres, a exem­plo dos que ga­nham o sa­lá­rio mí­ni­mo e até me­nos (cer­ca de 70% dos tra­ba­lha­do­res bra­si­lei­ros), é fá­cil. O pre­si­den­te Te­mer, do bai­xo de seus três por cen­to de apro­va­ção, já dis­se al­to e bom som que, já que é as­sim, apro­vei­ta­rá pa­ra fa­zer o que, a seu ver, é ne­ces­sá­rio: a re­for­ma da pre­vi­dên­cia dos po­bres. Po­de­ria par­tir lo­go pa­ra os 100% de  re­jei­ção, afi­nal es­tá fal­tan­do pou­co, ata­can­do os ver­da­dei­ros pri­vi­lé­gios. Não é di­fí­cil iden­ti­fi­cá-los. No item pre­vi­dên­cia e di­rei­tos tra­ba­lhis­tas, bas­ta iden­ti­fi­car os que fi­ze­ram ou fa­zem lobby con­tra a pró­pria apo­sen­ta­do­ria com­pul­só­ria aos 70 anos de ida­de. Agem as­sim por­que não que­rem abrir mão de van­ta­gens  di­re­tas e até in­di­re­tas.

Na His­tó­ria bra­si­lei­ra, car­tó­rio sem­pre foi si­nô­ni­mo de pri­vi­lé­gio. Qual­quer es­ta­gi­á­rio que re­sol­ver pes­qui­sar des­co­bri­rá, pe­los so­bre­no­mes dos ti­tu­la­res de car­tó­rios, quem eram os de­ten­to­res do po­der em ca­da qua­dra da His­tó­ria. Com ou sem con­cur­so, por­que mui­tos con­cur­sos eram fa­ju­tos. Ago­ra, não. Os con­cur­sos são ri­go­ro­sos. E mui­to dis­pu­ta­dos. A ca­da car­tó­rio, mi­lha­res de ins­cri­tos. Sa­be-se da exis­tên­cia de con­cur­sei­ros ho­je ti­tu­la­res de vá­rios car­tó­rios em uni­da­des  di­fe­ren­tes da Fe­de­ra­ção. Ga­nham o car­tó­rio e o ar­ren­dam. E po­dem as­sim al­ter­nar mo­ra­di­as, se­gun­do o cli­ma, a cu­li­ná­ria e ou­tros itens de con­for­to e bem-es­tar, em vá­rios lu­ga­res do pla­ne­ta.

Con­quis­tas por mé­ri­to são acei­tas, até me­re­cem aplau­sos. Des­de que não se cho­quem com os in­te­res­ses da so­ci­e­da­de. O po­der cons­ti­tu­í­do pre­ci­sa co­lo­car em pri­mei­ro lu­gar o in­te­res­se co­le­ti­vo. Que tal per­mi­tir a aber­tu­ra de car­tó­rios co­mo são per­mi­ti­dos, por exem­plo, ter um hos­pi­tal ou um pos­to de com­bus­tí­veis. Pa­ra tu­do is­so exis­te exi­gên­cias. Ca­da qual que as cum­pra e se cu­i­de con­tra pre­ju­í­zos.

Se o ne­gó­cio não der cer­to, bem, é só fe­cha-lo.

 

(Val­ter­li Gue­des, jor­na­lis­ta)

 

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