Opinião

Corujão da Saúde, uma alternativa para Goiânia

diario da manha

Não é se­gre­do pa­ra nin­guém que a sa­ú­de no Bra­sil pas­sa por gran­des di­fi­cul­da­des. Em Go­i­ás e em Go­i­â­nia não é di­fe­ren­te. A cri­se exis­te e não po­de­mos ig­no­rá-la. Por is­so, ca­be a nós, le­gis­la­do­res, bus­car­mos al­ter­na­ti­vas no in­tui­to de co­la­bo­rar com a re­so­lu­ção das de­man­das da nos­sa ci­da­de.

Sa­be­mos que mais de 4,5 mi­lhões de usu­á­rios do Sis­te­ma Úni­co de Sa­ú­de (SUS) es­tão ca­das­tra­dos em Go­i­â­nia, sen­do que so­men­te um ter­ço des­te nú­me­ro re­si­de de fa­to em nos­sa ci­da­de, exa­tos 1.466.105. Es­ta dis­cre­pân­cia cau­sa uma so­bre­car­ga enor­me nas uni­da­des de sa­ú­de da ca­pi­tal.

Co­la­bo­ran­do com es­ta di­fí­cil si­tu­a­ção, es­tão os hos­pi­tais pú­bli­cos ge­ri­dos pe­lo Go­ver­no do Es­ta­do, que an­tes das or­ga­ni­za­ções so­ci­ais (OSs) as­su­mi­rem as su­as ges­tões, ti­nham um cus­to cin­co ve­zes me­nor e aten­di­am qua­tro ve­zes mais pa­ci­en­tes. Ho­je, aten­dem no má­xi­mo 190 pes­so­as por dia em ca­da uni­da­de. An­tes da con­tra­ta­ção das OSs, aten­di­am em mé­dia 800.

Es­te qua­dro con­tri­bu­iu so­bre­ma­nei­ra pa­ra so­bre­car­re­gar os pos­tos de sa­ú­de da re­de mu­ni­ci­pal. Co­mo mé­di­co, ve­re­a­dor e vi­ce-pre­si­den­te da Co­mis­são Es­pe­ci­al de In­ves­ti­ga­ção (CEI) da Sa­ú­de meu in­tui­to sem­pre foi co­la­bo­rar com pro­je­tos de lei que de uma ma­nei­ra ou de ou­tra, pos­sam aju­dar na me­lho­ria da pres­ta­ção de ser­vi­ços aos usu­á­rios do Sis­te­ma de Sa­ú­de de Go­i­â­nia.

Pen­san­do nis­so, bus­quei na ci­da­de de São Pau­lo um mo­de­lo de ges­tão na sa­ú­de que es­tá dan­do cer­to na mai­or ca­pi­tal do Pa­ís, de­no­mi­na­do Co­ru­jão da Sa­ú­de. Im­ple­men­ta­do pe­la ges­tão do pre­fei­to Jo­ão Dó­ria, o “Co­ru­jão” co­me­çou a ser im­plan­ta­do em hos­pi­tais e clí­ni­cas das re­des pú­bli­cas, par­ti­cu­la­res e fi­lan­tró­pi­cas, ofer­tan­do exa­mes ex­tras em ho­rá­rios al­ter­na­ti­vos, pre­fe­ren­ci­al­men­te das 20h à meia-noi­te, con­for­me a ca­pa­ci­da­de oci­o­sa de ca­da lo­cal. A pre­fei­tu­ra deu pre­fe­rên­cia pa­ra que o exa­me se­ja fei­to no ser­vi­ço mais pró­xi­mo da ca­sa do pa­ci­en­te. Se­gun­do da­dos da Se­cre­ta­ria de Sa­ú­de de São Pau­lo, em 31 de de­zem­bro de 2016, a re­de mu­ni­ci­pal de sa­ú­de re­gis­tra­va 485.300 exa­mes na fi­la. Des­se gru­po, ape­nas 1.706 (0,35%) ain­da não fo­ram aten­di­dos, mas fo­ram agen­da­dos. Do to­tal de exa­mes, 79,78% fo­ram re­a­li­za­dos em equi­pa­men­tos mu­ni­ci­pa­is e 20,22% em uni­da­des con­ve­nia­das. Fo­ram efe­tu­a­dos 69.328 pro­ce­di­men­tos em ser­vi­ços par­cei­ros, com 18.773 aten­di­men­tos no Hos­pi­tal da San­ta Ca­sa de San­to Ama­ro, uni­da­de que re­a­li­zou mais exa­mes. Ou­tro des­ta­que é o Hos­pi­tal Sí­rio Li­ba­nês, res­pon­sá­vel por qua­se 20% dos pa­ci­en­tes. Em 83 di­as, o Co­ru­jão con­se­guiu re­ver­ter o mo­vi­men­to de cres­ci­men­to que a fi­la de es­pe­ra por exa­mes apre­sen­tou du­ran­te to­do o se­gun­do se­mes­tre de 2016. Se de ju­lho a de­zem­bro de 2016 hou­ve um au­men­to de 154.408 pro­ce­di­men­tos, to­ta­li­zan­do 485.300, os três pri­mei­ros mes­es de 2017 re­gis­tram mais saí­das do que en­tra­das na fi­la. No ba­lan­ço, saí­ram da fi­la 381.163 exa­mes a mais do que a quan­ti­da­de que en­trou. Con­si­de­ran­do a so­ma das de­man­das de 2016 e de 2017, 893.660 dei­xa­ram de aguar­dar por exa­mes com o pro­gra­ma.

In­for­mo es­ses da­dos da Pre­fei­tu­ra de São Pau­lo pa­ra exem­pli­fi­car e de­mons­trar os nú­me­ros que o Co­ru­jão da Sa­ú­de con­se­guiu atin­gir. Apre­sen­tei meu pro­je­to que já foi apro­va­do em pri­mei­ra vo­ta­ção e es­pe­ro que se­ja san­ci­o­na­do pe­lo pre­fei­to Iris Re­zen­de pa­ra que pos­sa­mos ze­rar, ou pe­lo me­nos di­mi­nu­ir a fi­la de es­pe­ra dos con­tri­buin­tes que aguar­dam aten­di­men­to na sa­ú­de de Go­i­â­nia.

Sem po­li­ti­zar um te­ma tão im­por­tan­te pa­ra a po­pu­la­ção, te­mos que apre­sen­tar so­lu­ções pa­ra re­pri­mir es­sa de­man­da por ser­vi­ços de sa­ú­de em Go­i­â­nia.

 

(Dr. Pau­lo Da­her é mé­di­co gi­ne­co­lo­gis­ta, ob­ste­tra e ve­re­a­dor por Go­i­â­nia)

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