Opinião

Os impostos e os preços

diario da manha

Es­ti­ve em Pon­ta Po­rã, Ma­to Gros­so do Sul, nes­te  úl­ti­mo no­vem­bro e, co­mo mui­tos fa­zem, apro­vei­tei pa­ra abas­te­cer a ca­mi­o­ne­te na vi­zi­nha Pe­dro Ju­an Ca­bal­le­ro, Pa­ra­gu­ai, com di­es­el S-10 a R$ 2,68. Ou se­ja, um pre­ço in­fe­ri­or aos pra­ti­ca­dos no Bra­sil em cer­ca de um re­al o li­tro. O Pa­ra­gu­ai não pro­duz pe­tró­leo nem dis­põe de re­fi­na­ri­as. Tem mais: ad­qui­re no Bra­sil, in­clu­si­ve no po­lo dis­tri­bu­i­dor lo­ca­li­za­do em Se­na­dor Ca­ne­do, vi­zi­nhan­ça de Go­i­â­nia, boa par­te dos com­bus­tí­veis co­mer­cia­li­za­dos em seus pos­tos.  Co­mo is­so é pos­sí­vel?

O go­ver­no bra­si­lei­ro, atra­vés da Pe­tro­bras, jus­ti­fi­ca os fre­quen­tes au­men­tos dos pre­ços, in­clu­si­ve do gás de co­zi­nha, pro­du­to mais que es­sen­cial a to­dos, co­mo de­cor­ren­tes de sua no­va po­lí­ti­ca de acom­pa­nhar as os­ci­la­ções no mer­ca­do in­ter­na­ci­o­nal. Pa­ra a fa­mí­lia que vi­ve de sa­lá­rio mí­ni­mo, com re­a­jus­te anual que nes­te ano, de­pois de anun­ci­a­do so­freu uma re­du­ção, es­te no­vo au­men­to de 8% no pre­ço do gás é ver­da­dei­ro ato ter­ro­ris­ta.

Tem pou­co sig­ni­fi­ca­do o acom­pa­nha­men­to dos pre­ços in­ter­na­cio­nais se não in­ter­na­cio­na­li­zar­mos os im­pos­tos  na­ci­o­nais. Os bra­si­lei­ros pa­gam os mais al­tos tri­bu­tos do mun­do, se le­va­das em con­ta as con­tra­par­ti­das dis­po­ni­bi­li­za­das pe­los go­ver­nos fe­de­ral, es­ta­du­ais e mu­ni­ci­pa­is. Se não dis­po­mos de se­gu­ran­ça, sa­ú­de e edu­ca­ção de qua­li­da­de, pa­ga­mos, na prá­ti­ca, im­pos­tos du­plos,  na me­di­da em que, os que po­dem, ain­da que com ex­tre­mo sa­cri­fí­cio, são obri­ga­dos a re­cor­rer à se­gu­ran­ça, à  sa­ú­de e à edu­ca­ção pri­va­das.

En­tão, ao in­vés de es­tar co­gi­tan­do de au­men­tar ain­da mais os im­pos­tos, o mi­nis­tro Hen­ri­que Mei­rel­les, da Fa­zen­da, de­ve­ria  se de­bru­çar num es­for­ço em sen­ti­do con­trá­rio. Pa­ra tan­to, con­vo­can­do a so­ci­e­da­de or­ga­ni­za­da, os po­lí­ti­cos, to­da a po­pu­la­ção pa­ra a ela­bo­ra­ção de um am­plo pro­je­to de cor­te de gas­tos. Te­mos uma má­qui­na pú­bli­ca ca­rís­si­ma. É pre­ci­so en­xu­ga-la, sim­pli­fi­ca-la, tor­na-la efi­ci­en­te.

Só as­sim se­rá pos­sí­vel  re­du­zir tri­bu­tos. Não tan­to quan­to são re­du­zi­dos no Pa­ra­gu­ai. Bas­ta que se­jam di­mi­nu­i­dos ao pon­to de não pre­ci­sar­mos atra­ves­sar a fron­tei­ra,  in­do ge­rar em­pre­gos e lu­cros na ou­tra rua, ali, a pou­quís­si­mos me­tros de dis­tân­cia.

 

(Val­ter­li Gue­des, jor­na­lis­ta)

 

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