Opinião

Quem quer que a saúde pública municipal melhore?

diario da manha

A sa­ú­de pú­bli­ca em Go­i­â­nia não es­tá pi­or do que es­ta­va há um ano ou dois anos atrás. É só re­vi­rar os ar­qui­vos dos mes­mos ve­í­cu­los que ho­je fa­zem es­pe­tá­cu­los com a des­gra­ça alheia e ava­li­a­rem. Is­so é fa­to, so­bre­tu­do por­que o pro­ble­ma da sa­ú­de pú­bli­ca é his­tó­ri­co e na­ci­o­nal e sem­pre foi a pau­ta pre­fe­ri­da dos mei­os de co­mu­ni­ca­ção.

Em 2016, Pau­lo Gar­cia in­ves­tiu mais de R$ 1 bi­lhão na sa­ú­de mu­ni­ci­pal e o tal ca­os era re­tra­ta­do to­dos os di­as nas emis­so­ras de TV, rá­di­os, jor­nais e blogs. Nos dois pri­mei­ros qua­dri­mes­tres de 2017, a ges­tão Iris Re­zen­de in­ves­tiu mais de R$ 750 mi­lhões na pas­ta e as TVs, Rá­di­os, Jor­nais e Blogs con­ti­nuam mos­tran­do si­tu­a­ções de ca­os. Se­ria mag­ní­fi­co se não hou­ves­se na­da de ru­im pa­ra se mos­trar no âm­bi­to da sa­ú­de pú­bli­ca. Tal­vez um dia che­gue­mos lá, mas pra is­so al­guém tem que ter a co­ra­gem de ini­ci­ar o pro­ces­so de mu­dan­ças.

A se­cre­tá­ria Fá­ti­ma Mrué as­su­miu com o pro­pó­si­to de mu­dar es­sa tris­te re­a­li­da­de da sa­ú­de mu­ni­ci­pal go­i­a­ni­en­se. En­ten­deu des­de lo­go que o pro­ble­ma não se res­trin­gia a re­cur­sos. Exis­te um in­trin­ca­do e ne­fas­to es­que­ma de pri­vi­lé­gios ar­ra­i­ga­do no cer­ne da sa­ú­de pú­bli­ca, cu­jo ob­je­ti­vo é o de man­ter o po­der po­lí­ti­co e eco­nô­mi­co de al­guns em de­tri­men­to da boa pres­ta­ção de ser­vi­ços a to­dos os usu­á­rios do sis­te­ma. O sen­sa­ci­o­na­lis­mo, o po­pu­lis­mo, o opor­tu­nis­mo e a po­li­ti­ca­gem do­mi­nam o de­se­jo da­que­les que que­rem que a coi­sa des­cam­be. Quan­to pi­or, me­lhor!

Co­mo dis­se, nin­guém ne­ga a de­fi­ci­ên­cia do sis­te­ma e, ob­via­men­te, mui­tos usu­á­rios so­frem es­sa má pres­ta­ção de ser­vi­ços. So­li­da­ri­zo-me com to­dos eles. Mas há que se ter co­ra­gem de re­sol­ver o pro­ble­ma e is­so só se­rá pos­sí­vel se o ges­tor to­car um pro­je­to adi­an­te. E es­se pro­je­to de­ve aca­bar com pri­vi­lé­gios, des­fa­zer es­que­mas e cri­ar me­ca­nis­mos que fa­vo­re­çam o usu­á­rio fi­nal, de for­ma que os pres­ta­do­res cum­pram o que foi pac­tu­a­do, que os mé­di­cos cre­den­ci­a­dos cum­pram seus ho­rá­rios e que as UTIs con­tra­ta­das es­te­jam à dis­po­si­ção da re­de pú­bli­ca. Além dis­so, é ne­ces­sá­rio que se res­ta­be­le­ça a ló­gi­ca de usu­á­rios do SUS em Go­i­â­nia. Não é crí­vel que uma ci­da­de com 1,4 mi­lhão de ha­bi­tan­tes te­nha ca­das­tra­do cer­ca de 4,5 mi­lhões de usu­á­rios do SUS de­cla­ran­do que re­si­dem na ci­da­de.

Es­tá em cur­so um pro­ces­so de que­bra de pa­ra­dig­mas na sa­ú­de pú­bli­ca mu­ni­ci­pal de Go­i­â­nia e is­so tem con­se­quên­cias, por­que, co­mo dis­se, de­sa­gra­da mui­ta gen­te que tem per­di­do seus pri­vi­lé­gios. Mui­tos se opõ­em a es­sas mu­dan­ças e cri­am ob­stá­cu­los. O no­vo sis­te­ma de re­gu­la­ção, que co­me­çou a fun­cio­nar na se­ma­na pas­sa­da, co­lo­ca fim às fi­las do che­qui­nho e aos pri­vi­lé­gios de mui­tos que usa­ram, por dé­ca­das, es­sa sis­te­má­ti­ca de mar­ca­ção de exa­mes co­mo meio de se lo­cu­ple­ta­rem.

Tor­ço pa­ra que a atu­al se­cre­tá­ria de sa­ú­de de Go­i­â­nia per­ma­ne­ça fir­me e to­que adi­an­te o seu pro­je­to de mu­dar a ca­ra da sa­ú­de go­i­a­ni­en­se. Co­ra­gem e von­ta­de ela já pro­vou que tem. No fu­tu­ro, não te­nho dú­vi­das, a po­pu­la­ção de Go­i­â­nia ha­ve­rá de re­co­nhe­cê-la co­mo aque­la que mu­dou a re­a­li­da­de da sa­ú­de pú­bli­ca na Ca­pi­tal.

 

(Mar­cos de Oli­vei­ra, pre­si­den­te da ju­ven­tu­de do PMDB de Go­i­â­nia)

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