Opinião

À frente do seu tempo

diario da manha

O es­pí­ri­to é o prin­cí­pio in­te­li­gen­te da ma­té­ria. Por ele não ser pal­pá­vel, tor­na-se di­fí­cil ana­li­sá-lo, o que não sig­ni­fi­ca que se­ja na­da, pois o na­da não exis­te.

Há quem o de­fi­na co­mo si­nô­ni­mo de in­te­li­gên­cia, mas a in­te­li­gên­cia é um atri­bu­to es­sen­cial de­le.  Ques­ti­o­na-se:  o es­pí­ri­to de­pen­de da ma­té­ria ou  são in­de­pen­den­tes um do ou­tro? Na ver­da­de são di­fe­ren­tes, mas é pre­ci­so que se unam por­que o es­pí­ri­to in­te­lec­tu­a­li­za a ma­té­ria.

O ser hu­ma­no, com  ape­nas   os   cin­co sen­ti­dos, não per­ce­be    a ma­ni­fes­ta­ção dos es­pí­ri­tos sem a ma­té­ria. So­men­te pe­lo pen­sa­men­to po­de­mos con­ce­ber um sem o ou­tro. Daí se con­clui  que há dois ele­men­tos  ge­ra­is  no Uni­ver­so: ma­té­ria e es­pí­ri­to.

Pa­ra unir o es­pí­ri­to à ma­té­ria é uti­li­za­do o flui­do  uni­ver­sal, que de­sem­pe­nha o pa­pel de in­ter­me­di­á­rio en­tre es­tes ele­men­tos.

Em O Li­vro dos Es­pí­ri­tos (FEB Edi­to­ra 2013), a pa­la­vra “flui­do”  apa­re­ce pe­la pri­mei­ra vez na res­pos­ta da­da pe­los Es­pí­ri­tos à ques­tão 27.  Kar­dec in­da­gou se ma­té­ria e es­pí­ri­to são os dois ele­men­tos ge­ra­is do uni­ver­so, ao que Eles res­pon­de­ram:

Sim e aci­ma de tu­do Deus, o Cri­a­dor, o Pai de to­das as coi­sas. Deus, es­pí­ri­to e ma­té­ria cons­ti­tu­em o prin­cí­pio de tu­do o que exis­te, a trin­da­de uni­ver­sal. Mas ao ele­men­to ma­te­ri­al se tem que jun­tar o flui­do uni­ver­sal, que de­sem­pe­nha o pa­pel de in­ter­me­di­á­rio en­tre o es­pí­ri­to e a ma­té­ria pro­pri­a­men­te di­ta, por de­mais  gros­sei­ra, pa­ra que o es­pí­ri­to pos­sa exer­cer ação so­bre ela. Em­bo­ra, de cer­to pon­to de vis­ta, se­ja lí­ci­to clas­si­fi­cá-lo co­mo ele­men­to ma­te­ri­al, ele se dis­tin­gue des­te por pro­pri­e­da­des es­pe­ci­ais.

A ori­gem e a co­ne­xão en­tre es­pí­ri­to e ma­té­ria nos são des­co­nhe­ci­das.

Se pro­ma­nam  ou não de uma só fon­te; se há pon­tos de con­ta­to en­tre am­bas; se a in­te­li­gên­cia tem exis­tên­cia pró­pria; ou se é uma pro­pri­e­da­de, um efei­to; se é mes­mo, con­for­me a opi­ni­ão de al­guns, uma ema­na­ção da Di­vin­da­de, ig­no­ra­mos.

Elas se nos mos­tram dis­tin­tas; daí o con­si­de­rar­mo-las for­man­do os dois prin­cí­pios cons­ti­tu­ti­vos do Uni­ver­so. Ve­mos aci­ma de tu­do is­so uma In­te­li­gên­cia que do­mi­na to­das as ou­tras, que as go­ver­na, que se dis­tin­gue de­las  por atri­bu­tos es­sen­ci­ais. A es­sa in­te­li­gên­cia su­pre­ma é que cha­ma­mos Deus. Al­lan Kar­dec,  O li­vro dos es­pí­ri­tos, FEB 2013.

O flui­do cós­mi­co uni­ver­sal é  a ma­té­ria ele­men­tar pri­mi­ti­va, cu­jas mo­di­fi­ca­ções  e trans­for­ma­ções cons­ti­tu­em a inu­me­rá­vel va­ri­e­da­de dos cor­pos da na­tu­re­za.

Co­mo prin­cí­pio ele­men­tar do Uni­ver­so, ele as­su­me dois es­ta­dos dis­tin­tos: o de ete­ri­za­ção ou im­pon­de­ra­bi­li­da­de, que se po­de con­si­de­rar o pri­mi­ti­vo es­ta­do nor­mal, e o de ma­te­ri­a­li­za­ção ou de pon­de­ra­bi­li­da­de, que é, de cer­ta ma­nei­ra, con­se­cu­ti­vo  àque­le. O pon­to in­ter­mé­dio é o da trans­for­ma­ção do flui­do em ma­té­ria tan­gí­vel. Mas ,ain­da aí, não há tran­si­ção brus­ca, por­quan­to po­dem con­si­de­rar-se os  flui­dos im­pon­de­rá­veis co­mo ter­mo mé­dio  en­tre os dois es­ta­dos.

Ca­da um des­ses es­ta­dos dá lu­gar a fe­nô­me­nos es­pe­ci­ais: ao se­gun­do per­ten­cem  os do mun­do vi­sí­vel e ao pri­mei­ro os do mun­do in­vi­sí­vel.

Uns, os cha­ma­dos fe­nô­me­nos ma­te­ri­ais, são da al­ça­da da Ci­ên­cia pro­pri­a­men­te di­ta; os ou­tros, qua­li­fi­ca­dos de fe­nô­me­nos es­pi­ri­tua­is ou psí­qui­cos por­que se li­gam, de mo­do es­pe­ci­al, à exis­tên­cia dos Es­pí­ri­tos, ca­be nas atri­bu­i­ções do Es­pi­ri­tis­mo.

Co­mo a vi­da es­pi­ri­tual e a vi­da cor­po­ral se acham in­ces­san­te­men­te em con­ta­to, os fe­nô­me­nos das du­as ca­te­go­ri­as mui­tas ve­zes se pro­du­zem si­mul­ta­ne­a­men­te.   As cons­ta­ta­ções des­sa re­a­li­da­de têm se fir­ma­do nas  pes­qui­sas atu­ais.

Par re­fle­tir: os re­cen­tes con­cei­tos de flui­do e cam­po mag­né­ti­co, pre­sen­tes na Dou­tri­na Es­pí­ri­ta, des­de o sé­cu­lo XIX,  mos­tra, mais uma vez, o Es­pi­ri­tis­mo, à fren­te do seu tem­po.

 

(El­zi Nas­ci­men­to – psi­có­lo­ga clí­ni­ca e es­cri­to­ra / El­zi­ta Me­lo Quin­ta  –  pe­da­go­ga – es­pe­cia­lis­ta em Edu­ca­ção e es­cri­to­ra. São res­pon­sá­veis pe­lo Blog Es­pí­ri­ta: lu­zes­do­con­so­la­dor.com. Elas es­cre­vem  no DM às sex­tas-fei­ras e aos do­min­gos.   E-mail: iop­[email protected]­ta.com.br    (062) 3251 8867)

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