Opinião

O PT vai eleger a direita outra vez

diario da manha

Eu vo­tei em Ci­ro Go­mes no pri­mei­ro tur­no e no se­gun­do vou vo­tar em Had­dad.

Em 1989, Lu­la, o can­di­da­to do PT, foi clas­si­fi­ca­do pa­ra o se­gun­do tur­no pa­ra dis­pu­tar com Col­lor, o can­di­da­to da di­rei­ta ar­re­ga­nha­da e da Glo­bo. Le­o­nel Bri­zo­la fi­cou em ter­cei­ro lu­gar e Má­rio Co­vas foi o quar­to co­lo­ca­do.

Em to­das si­mu­la­ções, tan­to Bri­zo­la e Co­vas ga­nha­vam de Col­lor, mas Lu­la per­dia, e per­dia feio co­mo per­deu. Foi aí que Bri­zo­la pro­pôs que o se­gun­do co­lo­ca­do, Lu­la,  e o ter­cei­ro, ele mes­mo, Bri­zo­la, re­nun­cias­sem e ce­des­se lu­gar na dis­pu­ta a Má­rio Co­vas pa­ra der­ro­tar o can­di­da­to da di­rei­ta.

Lu­la pre­fe­riu ser der­ro­ta­do  e aju­dar a ele­ger Col­lor. Ago­ra, a his­tó­ria se re­pe­te: Ci­ro Go­mes der­ro­ta­ria com fa­ci­li­da­de o can­di­da­to da di­rei­ta fas­cis­ta, o ca­pi­tão Bol­so­na­ro, con­for­me to­das as si­mu­la­ções.

A se­na­do­ra Ká­tia Abreu pro­pôs a re­nún­cia de Had­dad, pa­ra Ci­ro Go­mes der­ro­tar Bol­so­na­ro. O PT se com­por­tou igual rá­dio ve­lho – nem li­gou.

Nes­se se­gun­do tur­no, o PT vai per­der feio e aju­dar  ele­ger o can­di­da­to fas­cis­ta de di­rei­ta.

Com a as­cen­são de Bol­so­na­ro, Lu­la fi­ca­rá mui­to mais tem­po na ca­deia.

Na úl­ti­ma se­gun­da-fei­ra, o se­na­dor elei­to pe­lo Ce­a­rá Cid Go­mes dis­se em um co­mí­cio do pró­prio Had­dad que  a far­ra, os er­ros e a fal­ta de au­to­crí­ti­ca do PT cri­a­ram es­se mons­tro po­lí­ti­co, o ca­pi­tão Bol­so­na­ro.

E o ca­pi­tão con­se­guiu le­var a su­ces­são pa­ra o ter­re­no mo­ral, pa­ra não se dis­cu­tir as ques­tões es­tru­tu­ra­is e ime­di­a­tas do Bra­sil, co­mo o de­sem­pre­go, a edu­ca­ção, a jus­ti­ça so­ci­al, o sis­te­ma fi­nan­cei­ro ex­clu­den­te e por­no­grá­fi­co.

E o re­tro­ces­so se­rá ins­ta­la­do no Pa­ís em sua for­ma mais per­ver­sa e bru­tal, que é o fas­cis­mo re­li­gi­o­so, on­de a re­gra ge­ral é o há­bi­to da vi­o­lên­cia, es­ti­mu­la­da de ci­ma pa­ra bai­xo.

O ce­lu­lar nas mãos do anal­fa­be­to po­lí­ti­co é mais tó­xi­co do que co­ca­í­na in­je­ta­da na veia, é le­tal. E é pe­lo ce­lu­lar que o po­vo bra­si­lei­ro vai pa­ra as ur­nas vo­tar con­tra si mes­mo, en­san­de­ci­do pe­lo ódio des­ti­la­do nas re­des so­ci­ais.

Nou­tro dia, o fi­lho do ca­pi­tão Bol­so­na­ro saiu com es­sa pé­ro­la de ame­a­ça, co­mo man­dan­do um re­ca­do do pai: “Pa­ra fe­char o su­pre­mo Tri­bu­nal Fe­de­ral, bas­ta um ca­bo e um sol­da­do”.

E lo­go de­pois, o ca­pi­tão veio par a te­le­vi­são ros­nar o seu ma­chis­mo du­vi­do­so, re­fe­rin­do-se aos seus fi­lhos ho­mens: “Pri­mei­ro, eu fiz qua­tro fi­lhos ma­chos, mas de­pois, não sei por­quê, eu va­ci­lei e nas­ceu uma  mu­lher”- bas­ta de tan­to ódio. Es­sa fi­lha não o per­do­a­rá nun­ca. Nem eu.

O Bra­sil já en­trou no cli­ma da vi­o­lên­cia, e ama­nhe­ce­rá na pró­xi­ma se­gun­da-fei­ra anun­ci­an­do um mar de san­gue dos po­bres, dos pre­tos, dos ín­di­os e de ou­tras mi­no­ri­as.

E, além do mar de san­gue, o Bra­sil es­ta­rá mer­gu­lhan­do em um mar de la­ma tam­bém. E aí se­rá tar­de de­mais: a lam­bu já vo­ou com a moi­ta e o boi já cor­reu com a cor­da.

 

(Car­los Al­ber­to San­ta Cruz, jor­na­lis­ta)

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