Opinião

Medidas antigas e pesos

diario da manha

Em co­me­mo­ra­ção aos 70 anos da Co­mis­são Go­i­a­na do Fol­clo­re, va­mos ex­por uma lis­ta­gem in­te­res­san­te so­bre pe­sos e me­di­das usa­dos des­de a an­ti­gui­da­de e vá­ri­as que per­du­ram até ho­je, que os apa­re­lhos de pe­sa­gem e me­di­ção es­tão in­te­gra­dos às pro­fis­sões mo­der­nas. As co­zi­nhas e os la­bo­ra­tó­rios são equi­pa­dos com ba­lan­ças de al­ta pre­ci­são. Não mais a co­lher, a con­cha, o co­po, o li­tro, a gar­ra­fa, o pra­to, a cu­ia e as la­tas (2 li­tros) de mar­me­la­da e de ba­nha, co­mo me­di­das. Va­mos ver al­guns uten­sí­li­os ain­da em uso: co­lher (das de so­pa) pe­ga 50 gr; co­po , o ame­ri­ca­no, de 250 ml; um li­tro de qual­quer lí­qui­do pe­sa 1 mi­li­gra­mas; a gar­ra­fa equi­va­le a ¾ do li­tro; a cu­ia, que é me­ta­de de uma ca­ba­ça se­ca, pe­ga pou­co mais de um li­tro, usa­da pa­ra me­dir ce­re­ais; a me­di­da são dois li­tros (la­ta de ba­nha); pi­ta­da em con­di­men­to é a pon­ta do ca­bo de uma co­lher; tam­bém  uma pi­ta­da de fu­mo é a con­ta de um ci­gar­ro de pa­lha. Pra­to fun­do usa­do na cu­li­ná­ria co­mo me­di­da, até o vin­co (não tem cor­res­pon­dên­cia em pe­so); ce­la­mim é a me­nor por­ção de um con­di­men­to; pu­nha­do é uma mão­za­da, o que ca­be na mão fe­cha­da; fi­ta mé­tri­ca, sem­pre ao pes­co­ço do al­fai­a­te ou ao la­do da cos­tu­rei­ra, me­de 1,50 m. Ati­lho são 4 es­pi­gas de mi­lho amar­ra­das pa­ra se­rem con­du­zi­das ao om­bro, du­as pa­ra a fren­te e du­as pa­ra trás. A mão de mi­lho são 15 ati­lhos (60 es­pi­gas). O ba­laio ou ja­cá pe­ga du­as mãos de mi­lho (120 es­pi­gas). O car­ro de mi­lho pe­ga 40 ja­cás; a cha­ve me­de 18 cms, equi­va­len­te à dis­tân­cia en­tre os de­dos po­le­gar e in­di­ca­dor es­ti­ca­dos. Nas ven­das do in­te­ri­or ain­da se ven­dem fu­mo de ro­lo por cha­ve; o pal­mo me­de 22 cms, en­tre as ex­tre­mi­da­des dos de­dos es­ti­ca­dos, po­le­gar e min­di­nho; o pal­mo é mais usa­do pa­ra me­dir fu­ra­ção de cis­ter­nas. A po­le­ga­da me­de qua­se 2,5 cms; é a lar­gu­ra do de­do po­le­gar na fa­lan­ge da unha, me­di­da usa­da em fer­ra­men­tas, pa­ra­fu­sos, ca­nos…; o pé me­de 33 cms; é a dis­tân­cia que vai do co­to­ve­lo ao pu­nho de uma pes­soa adul­ta; a bra­ça me­de 2,20 m; me­de-se a bra­ça le­van­tan­do o bra­ço com a mão es­pal­ma­da; mui­to usa­da pa­ra em­prei­tar ta­re­fas. Uma por­ta nor­mal me­de uma bra­ça de al­tu­ra. A jar­da me­de 0,93 cms; um car­re­tel de li­nha con­tém 200 jar­das (186 me­tros); a va­ra me­de 1,10 cms, é usa­da pa­ra me­dir te­ci­do de te­ar ma­nu­al. O qui­la­te ser­ve pa­ra pe­sar pe­dras e me­tais pre­ci­o­sos: 200 mi­li­gra­mas. Al­quei­re é pa­la­vra de ori­gem ára­be, co­mo qua­se to­das as pa­la­vras que se ini­ciam em AL (al­man­jar­ra, al­fi­ne­te, al­fai­a­te…). É um ces­to cô­ni­co que pe­ga 80 li­tros de se­men­tes de tri­go pa­ra plan­ta. O al­quei­re go­i­a­no pe­ga 80 li­tros de di­ver­sas se­men­tes e me­de 48.400 me­tros qua­dra­dos. O li­tro me­di­da de ter­ras é a par­te ocu­pa­da por um li­tro de se­men­tes de plan­ta. O ro­cei­ro me­de o al­quei­re em bra­ças: 100 bra­ças de ca­da la­do que mul­ti­pli­ca­das, 100 (2,20) ve­zes, 220×220 = 48.400. O al­quei­re pau­lis­ta me­de a me­ta­de do go­i­a­no: 24.200 (de­vi­do a va­lo­ri­za­ção das ter­ras). Atu­al­men­te não se usa mais o al­quei­re, usa-se o hec­ta­re, que é um dé­ci­mo do al­quei­re, 4,84. A quar­ta é a quar­ta par­te do al­quei­re: 20 li­tros, mui­to usa­da na me­di­ção de ce­re­ais e pa­ra guar­dar la­tas de do­ces e de car­ne (car­ne de la­ta). An­ti­ga­men­te a gas­oli­na e o que­ro­se­ne vi­nham em la­tas de quar­ta.  A ta­lha con­ta­da nas boi­a­das são 50 ca­be­ças; na me­lan­cia é uma fa­tia. A li­bra pe­sa 453 g. (uma bo­la de sa­bão de cin­za); a bo­la de pol­pa do co­co bu­ri­ti pe­sa meia li­bra. O qui­lo (qui­lo­gra­ma) equi­va­le a 1 mil gra­mas. Qui­mo e não qui­lo, que é o des­can­so após a re­fei­ção, o mes­mo que “fa­zer a ses­ta”. O qui­lô­me­tro, co­mo o pró­prio no­me in­di­ca, me­de 1 mil me­tros. A lé­gua con­tém seis qui­lô­me­tros. An­ti­ga­men­te as dis­tân­cias eram me­di­das em lé­gu­as. Ha­vi­am as lé­gu­as com­pri­das e as cur­tas (É lo­go ali, é de gri­to!). A mi­lha ame­ri­ca­na me­de 1609 me­tros. An­tes da fa­bri­ca­ção dos ve­í­cu­los no Bra­sil, os im­por­ta­dos vi­nham em mi­lhas.

Va­mos apro­vei­tar e in­clu­ir as bo­das, o tem­po de “até que a mor­te os se­pa­re”, umas fe­li­zes até o fim e ou­tras se trans­for­man­do em “to­le­rân­cias con­ju­gais”. As bo­das mar­cam ani­ver­sá­rios de ca­sa­men­tos, as­sim: Bo­das de Pa­pel, 1 ano; Al­go­dão, 2; Cou­ro, 3; Li­nho, 4; Ma­dei­ra, 5; Fer­ro, 6; Co­bre, 7; Bron­ze, 8; Por­ce­la­na, 9; Es­ta­nho, 10; Aço, 11; Se­da, 12; Es­pe­lho, 13; Ága­ta, 14; Cris­tal, 15; Mar­fim, 20; Pra­ta, 25; Pé­ro­las, 30; Co­ral, 35; Ru­bi, 40; Sa­fi­ra, 45; Ou­ro, 50; Es­me­ral­da, 55; Di­a­man­te, 60 e Bri­lhan­te, 75. Eu e a Leu­za es­ti­ve­mos en­tre Di­a­man­te e Bri­lhan­te: 67 anos de óti­mos en­ten­di­men­tos. Bo­das são co­me­mo­ra­ções ape­nas pa­ra ca­sa­men­tos. Pa­ra even­tos, co­me­mo­ra-se em Ju­bi­leus. Ju­bi­leu de pra­ta (25), ju­bi­leu de ou­ro (50)…

Macktub!

 

(Ba­ri­a­ni Or­ten­cio, pre­si­den­te do Icebo Ins­ti­tu­to Cul­tu­ral e Edu­ca­cio­nal Ba­ri­a­ni Or­ten­cio, mem­bro e te­sou­rei­ro de to­das as en­ti­da­des cul­tu­ra­is de Go­i­â­nia)

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