O maior desafio da vida

Rafael Ribeiro Bueno Fleury de Passos é advogado, escritor, poeta, cantor e viajante. Presidente do Gabinete Literário Goyano e Vice-Presidente do Conselho Municipal de Turismo de Goiás. Conselheiro da Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos. Articulista do “Diário da Manhã”, desde 2011. Membro da OVAT (Organização Vilaboense de Artes e Tradições) e da União Brasileira de Escritores – Seção Goiás. ([email protected]il.com)

diario da manha

Qual o maior problema da humanidade?

Qual o maior desafio destes tempos?

Qual a coisa mais difícil da vida?

Alguns, talvez, diriam acabar com a fome na África. Outros, acabar com a fome no mundo. Outros, com a guerra. Outros, com a corrupção. Outros, com a pobreza. Outros, com a riqueza. Outros, alcançar a paz entre os povos. Alguns diriam acabar com os preconceitos. Outros, com o racismo. Outros, ainda, com as intolerâncias. Outros diriam a paz entre Israel e Palestina. Outros tantos diriam acabar com a estupidez humana. Acabar com a arrogância, a soberba, a ganância. Outros diriam acabar com a hipocrisia. Outros, com as violências. Outros, com os homicídios. Outros, com os terremotos. Outros, com as erupções vulcânicas. Outros, com os tsunâmis. Outros, com as pragas nas plantações. Outros, com os buracos nas estradas brasileiras. Outros, quiçá, asseverariam todos serem honestos. Todos serem sensatos. Todos serem justos. Outros, ninguém pecar. Outros, parar com a destruição do meio ambiente. Encontrar vida fora da Terra. Encontrar a cura de todos os cânceres. Encontrar a cura de todas as doenças incuráveis. Encontrar água em outro planeta.

Outros diriam dar emprego a todos, dar casa a todos, dar tudo a todos. Outros levantariam a questão de ser ou não ser. Outros, a questão da Gramática. Outros, a questão da água. Outros, a questão do petróleo. Outros, a questão do pré-sal. Outros, a questão da pré-história. Outros, a questão da Síria. Outros, a da Nigéria. Outros, a do Iraque. Outros, a da Venezuela. Outros aventariam acabar com o terrorismo. Tantos outros diriam dar saúde a todos, dar vida digna a todos, dar a todos viver. Outros arguiriam, também, a crise do Brasil. Outros, a crise da moral. Outros, a crise da economia. Outros, a política. Outros, a social. Outros, a convivência harmônica entre as sociedades. Outros, a convivência harmônica entre as religiões. Outros, a harmonia entre todos os povos. Outros, a harmonia entre todos os diversos grupos. Outros, a harmonia entre as diversas famílias. Outros, entre os membros das próprias famílias. Outros, entre todos os humanos. Outros, entre os outros.

Também há quem diria ser a dívida externa. Alguns, a dívida interna. Alguns diriam, bem ainda, a desigualdade. Outros, a desumanidade. Outros, a iniquidade. Outros, a barbaridade. Outros, a impunidade. Outros, a injustiça. Outros, a falsidade.

Há quem diria que o maior desafio seria a igualdade entre todos. Outros, a amizade entre todos. Outros, a caridade entre todos. Outros, a união entre todos. Alguns falariam na cura das loucuras humanas. Outros diriam acabar com todas as vaidades. Outros, crer no ser humano. Outros, julgar com justiça. Outros, todos serem bons. Outros, todos serem totalmente bons. Outros tantos, acabar com a criminalidade. Outros, acabar com os crimes. Outros, com os criminosos. Outros, preservar a Amazônia, preservar o Cerrado, a Mata Atlântica, o Pantanal. Outros, preservar os valores sem preço. Outros, preservar a vida.  Alguns, ainda, diriam provar a existência de Deus. Outros, a existência do céu. Outros, citariam ser a imortalidade. Outros, ainda, a vida eterna. Tantos outros apontariam viver sem sofrimento. Outros, viver sem dor. Outros mencionariam todos falarem apenas a verdade.

Tem quem diria que a coisa mais difícil é acabar com o calor do Egito. Outros, com o calor de Goiás. Outros, despoluir o Tietê. Outros, despoluir todos e eu e você.

Outros, concluir as obras da Copa do Mundo. Outros, alguém não gostar de pizza. Outros, de espaguete. Outros, de sorvete. Outros, os tios não fazerem a piada do pavê. Outros, diriam todos serem felizes. Outros, todo ser humano descobrir a si mesmo. Outros, encontrar Atlântida.

O maior problema – aduziriam outros tantos – seria todos se relacionarem sem nenhuma dificuldade, sem qualquer transtorno, sem incompreensão alguma. Outros, viver uma vida sem nenhuma angústia. Outros, navegar todos os mares sem qualquer tempestade. Outros, todos viverem sem qualquer preocupação. Todos viverem o dia de hoje. Ninguém ficar preso no passado. Outros, não existirem traições. Outros diriam a fé provar a ciência. Outros, a ciência provar a fé. Outros, vencer todo o mal. Outros, vencer todo o mal em todos. Outros, todos só vencerem na vida. Outros, todos vencerem a si mesmos. Outros, ninguém precisar vencer nada. Outros, ninguém precisar provar nada. Outros, ninguém precisar de nada. Outros, todos pensarem igual. Outros, todos pensarem diferente. Outros, todos pensarem. Outros, ninguém pensar em nada. Outros, todos quererem a mesma coisa. Outros, ninguém querer nada. Outros, acabarem os desejos. Acabarem os egos. Acabarem os cegos. Outros, acabarem as redes sociais. Outros, voltarem as redes na praia.

Pode ser que alguns falariam ninguém apenas existir. Ou, quiçá, outros, todos viverem.

Há quem consignaria todos viverem com bem-estar. Todos viverem em paz. Todos viverem plenamente. Todos, com vida em abundância. Outros, uma pessoa viver 1000 anos. Outros, alguém viver mais de 200 anos. Outros, todos viverem mais de 100 anos. Outros, nenhuma criança morrer com menos de 10 anos. Outros, ainda, nenhuma criança morrer.

Um outro tanto diria que o maior desafio é controlar a superpopulação do planeta. Outro, outrossim, evitar o colapso da civilização. Outro repetiria acabar com a fome no mundo. Outro, acabar com a obesidade no mundo. Outro, acabar com as vaidades do mundo. Outro, todos tomarem um café da manhã nas Maldivas sem fazer stories. Outro, ninguém mais tirar selfies. Outro, ninguém fotografar um lindo pôr do sol. Outro, ninguém filmar um lindo pôr do sol. Outro, todos verem um lindo pôr do sol. Todos apenas viverem um lindo pôr do sol. Todos apenas sentirem um lindo pôr do sol.

Outros iam dizer amar sem sofrer. Outros, confiar sem se decepcionar. Viver sem cair. Cair sem machucar. Machucar sem aprender. Outros, sempre acertar. Outros, jamais errar. Outros, dizer qual o maior problema da humanidade. Outros, a coisa mais difícil da vida. Outros, o maior quiproquó do universo.

Quantos desafios tem a humanidade… Infinitos, deveras. Impossível arrolá-los todos. Mas há um maior de todos os desafios, de todos os tempos, de todo o mundo, que precede todos os demais, está na raiz profunda de tantos e inúmeros e remete à suplantação de quase todos… Aparenta tão simples, tão fácil, mas é mais difícil e mais desafiador que pisar o sol…

“Amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei.”

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