Política & Justiça

A revolução dos retrógados

diario da manha

Insatisfeitos pregam deposição da presidente Dilma e recebem apoios de grupos que têm diferenças históricas com movimentos populares, mas rejeitam a classificação de golpe

Os líderes dos movimentos, que chamam para a manifestação marcada para esse domingo, dia 15, pregam abertamente a deposição da presidente Dilma Rousseff. Empresários e profissionais liberais de diversos setores gravaram vídeos conclamando pessoas para as 14h de domingo e estão postados nas redes sociais.

A página Movimento Brasil Livre no Facebook é uma das mais visitadas e se intitula “uma entidade suprapartidária, que visa a mobilizar cidadãos em favor de uma sociedade mais livre, justa e próspera”. A aversão a políticos ligados à presidente Dilma, principalmente petistas, é a tônica principal, atribuindo ao partido e a Dilma a responsabilidade por toda a corrupção que ocorreu durante a história do Brasil. Uma foto mostra um pão com mortadela colocado sob uma arapuca e a legenda é significativa: armadilha para pegar petista.

Em outra postagem, o movimento, que reivindica a postura de democrático, segrega quem quiser participar dele. “Aviso aos oportunistas: nosso microfone está completamente fechado para a participação de qualquer político, de qualquer partido e ex-candidatos. Não seremos trampolim de ninguém. O movimento emana do povo e será dele do início ao fim. Não insista com a organização. Dia 15 de março, a rua é nossa!”, diz a publicação.

O movimento rejeita a pregação de apoio a uma intervenção militar, mas não sugere o que poderá ser feito após a deposição da presidente. Mesmo negando a pregação de golpe, os organizadores e simpatizantes não fazem qualquer alusão ao fato da presidente ter sido reeleita com maioria de votos em outubro do ano passado e a tônica principal é a crise econômica que atribuem ser responsabilidade da presidente.

Líderes empresariais gravaram vídeos de apoio ao movimento, como a presidente da Associação Comercial e Industrial de Goiás (Acieg), Helenir Queiroz, e empresários do ramo de imóveis e incorporação, que curiosamente fizeram grandes obras com verbas do Programa Minha Casa, Minha Vida nos últimos quatro anos.

A manifestação está marcada para as 14h de domingo.

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