Política & Justiça

“A vida do povo melhorou com os governos do PT”

Prefeito de Anápolis considera que seu partido errou ao não fazer reformas, mas que gestão Lula/Dilma resgatou dívida histórica ao promover ascensão social

O prefeito de Anápolis, João Gomes (PT), é contra a reeleição e espera que ela seja abolida na reforma política que está em discussão no Congresso Nacional. Entretanto, ele admite ser candidato à reeleição nas eleições municipais do próximo ano para exercer um mandato seu e não apenas os dois anos que herdou do antecessor.

Em visita ao Diário da Manhã, João Gomes falou sobre as obras que estão mudando a feição de Anápolis, lembrou das dificuldades vividas pelas administrações municipais e avaliou as condições que o Partido dos Trabalhadores encontrou no Brasil em 2003 e a realidade vivida hoje pela população. Para ele, a principal realização do PT no comando do Brasil foi promover a ascensão social de mais de 40 milhões de indivíduos, fazendo com que parcela significativa passasse a viajar de avião, comprasse carro próprio e entrasse para a universidade.

“A vida do povo brasileiro melhorou substancialmente, os salários cresceram e hoje o filho de uma empregada doméstica consegue se formar em Medicina. Aconteceram avanços significativos, mas do ponto de vista de reformas estruturais houve retrocesso, é preciso admitir”, comentou o prefeito.

A reforma política é a esperança de modernização do sistema político-administrativo do Brasil, conforme avalia João Gomes, e a partir dela será possível empreender muitas outras mudanças qualitativas no ordenamento nacional. “Precisamos acabar com a reeleição para o Executivo, mandatos de cinco anos, eleições unificadas e limitar as reeleições para o Legislativo”, frisa.

ENTREVISTA

DM – Como estão as obras em Anápolis sob sua gestão?

João Gomes – Com o final desse período chuvoso serão acelerados os trabalhos. Mesmo assim já fizemos mais de 3.000 quilômetros de galeria, que são obras importantes para garantir o sucesso de outras. Em breve vamos assinar ordem de serviço para um parque na Vila Jaiara, com investimentos de mais de R$ 3 milhões, e temos também o Parque da Mobilidade, que são os corredores do transporte coletivo, com dois grandes viadutos. São mais de 100 obras em andamento na cidade. Somente Cmeis são 14 novos em construção.

DM – A dificuldade financeira não chegou ainda a Anápolis?

João Gomes – Caiu bastante a arrecadação, mas, mesmo assim, estamos conseguindo manter o ritmo de trabalho que é preciso para não parar o que já foi iniciado. Mas é preciso frisar que perdemos quase R$ 40 milhões anuais em receitas com a redução do ICMS. Isso faz com que a equipe seja chamada à responsabilidade para fazer mais com menos recursos. Nossa ordem é diminuir os gastos sem comprometer a qualidade dos serviços. Temos que ter atenção e sabedoria para crescer vencendo as adversidades. Onde todos estão vendo dificuldades nós precisamos ver oportunidades, é isto que diferencia empreendedores com vocação para a vitória de derrotistas.

 

DM – A crise que o Brasil atravessa te preocupa?

João Gomes – Preocupa muito. A crise política é maior que a financeira, e isto é muito ruim, porque se juntam aqueles que pensam no quanto pior melhor e fazem o arraso de uma nação. Precisamos ter responsabilidade para não deixar isso prosperar, ao contrário, fazer o possível para sair da crise. Precisamos repensar nossa situação e não deixar cair em uma crise institucional. Os líderes precisam pensar e repensar nossa situação para não aumentar a crise, e uma saída para isto é uma reforma política urgente.

 

DM – Como o senhor vislumbra uma melhor reforma política?

João Gomes – Precisamos acabar com a reeleição para o Executivo, mandatos de cinco anos, eleições unificadas e limitar as reeleições para o Legislativo. Isso é o clamor da nação para dar respeitabilidade às instituições e consolidar a democracia plena no Brasil. Sou contra a reeleição, mas se permanecer esse instituto no próximo ano eu serei candidato.

 

DM – O PT, durante esses 12 anos, teve altos e baixos. Qual é a avaliação que o senhor faz da gestão de seu partido no Brasil?

João Gomes – Do ponto de vista de reformas estruturais deixamos a desejar e considero até que tenha sido um retrocesso. Mas, um ponto é digno de registro para toda a eternidade: o PT tirou 40 milhões de brasileiros de situações inferiores e fez a inclusão deles em uma vida melhor. Hoje as pessoas comuns viajam de avião, andam de carro e o filho de uma empregada doméstica consegue se formar em Medicina. São coisas impensáveis há algumas décadas. O grande problema é a dificuldade de negociação com o Congresso Nacional e isto só será superado com a reforma política.

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