Política & Justiça

Indignação com os maus gestores

diario da manha

Especialistas analisam os protestos e expõem que o descontentamento ainda é o principal gargalo das boas práticas políticas no Brasil 

Danyla Martins Da editoria de Política&Justiça

Março já entrou para as páginas da história política brasileira, assim como junho de 2013. Milhares de pessoas tomaram as ruas de várias cidades, em todas as regiões, reivindicando o combate à corrupção, a reforma política, mudança no comportamento político e uma nova política econômica. As manifestações foram, mais uma vez, a alternativa da população brasileira em expressar o descontentamento com os rumos políticos do País.
Não bastasse a corrupção, estopim dos protestos de 2013, a Operação Lava Jato e os desvios milionários da Petrobras envolvendo os políticos, as manifestações do #VemPraRua não prometem descanso. Para 12 de abril, uma nova convocação já percorre pelas redes socais com a mesma justificativa, além de também apoiarem o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Tal descontentamento não se restringe apenas ao governo federal, já que há demandas contra a corrupção alastram também às esferas estaduais e municipais.
A cientista política e professora da PUC-GO, Cida Guimarães Skorupski diz que em termos de governo e em nível de primeiro estafe é preciso considerar tanto as manifestações que foram contra o governo federal quando aquelas que se declararam a favor. No âmbito da legislação, a cientista política considera que a formatação do Congresso Nacional é ruim, o que pode colaborar na falta de entendimento do recado das ruas por parte dos parlamentares.
Cida Skorupski aponta que parte das soluções políticas advém do Legislativo e que não adianta apenas cobrar do Executivo. Para ela, “a reforma política é um ponto importante na busca pelo combate à corrupção”. “A mais atingida é a classe média que está espremida e insatisfeita. As elites estão satisfeitas, mas é preciso observar que até os defensores do governo já começam a reivindicar, como o MST, por exemplo,”.
De acordo com o cientista político Pedro de Araujo Pietrafesa, a manifestação de domingo não tem relação com a que foi realizada em junho de 2013. Para ele, a última teve o sentimento de descontentamento com o governo federal e não apenas a relação contra a corrupção. Já os protestos de 2013, demonstraram a insatisfação com os políticos em geral. “Ontem (domingo), houve o caráter de ser contra Dilma Rousseff e que ela não fosse eleita, não tinha uma bandeira circunscrita da corrupção”.
Pedro Pietrafesa acredita que a mensagem das ruas chega aos políticos, porém o momento é observar o comportamento dos mesmos seja no discurso ou em propostas. O cientista político acredita que os manifestantes esperam um tipo de resposta. Quanto ao pedido de impeachment, Pedro Pietrafesa afirma que, do ponto de vista jurídico, é inviável e no âmbito político pode haver motivos, porém ainda não há indícios comprovados de crimes praticados pela presidente.
O cientista político, professor da PUC-GO, Sílvio Costa mostra um cenário de multiplicidade de recados das ruas, uma considerada como salutar e a outra como preocupante. Sílvio Costa pondera que a crítica à política econômica tem viés de viabilidade visto que houve a retomada dos juros o que leva a um processo recessivo. Por outro lado, Sílvio Costa considera que há uma centralização de corrupção endêmica que percorre o País há décadas. Nessa vertente, o cientista político pondera que é o lado preocupante pelo desejo dos manifestantes pela destituição do governo federal, cuja motivação, segundo ele, é emocional e elimina o espaço do debate. O cientista político acrescenta que essa indignação é justa, porém não leva em consideração que investigações não devem traduzir como condenações antecipadas. Sílvio Costa ainda explica que o sentimento justo é manipulado pelo emocional.
Protestos são resultados de insatisfação. Dessa forma que o cientista político e professor da UDF, Francisco da Mata Tavares define as manifestações. Um ponto que ele destaca é entender quem apoiava ou não o governo. Francisco Tavares afirma que os protestos têm sucesso porque a oposição retira os argumentos sustentados pelo governo.
O cientista político menciona que, nos primeiros 60 dias do governo de Dilma Rousseff, medidas provisórias foram tomadas, porém na contramão do que defendeu durante a campanha eleitoral. Contudo, Francisco Tavares sustenta que o governo perdeu apoiadores e a oposição encontrou terreno livre para defender as reivindicações. “O futuro não parece muito promissor para esse grupo político que está no governo”.

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