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“Temos que dialogar até cansar”, diz Dilma

diario da manha
Dilma Rousseff defendeu medidas criticadas pelo líder sem-terra (divulgação)

Sindicatos ligados à CUT, CTB, lideranças e parlamentares do PT e PCdoB promovem ato pela democracia e contra golpismo

Folhapress
A presidente Dilma Rousseff disse, ontem, que ninguém precisa concordar com tudo o que o governo faz, mas voltou a defender a aprovação das medidas de ajuste fiscal tomadas pelo governo.
Ao participar da abertura da colheita de arroz ecológico em um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), em Eldorado do Sul (região metropolitana de Porto Alegre), ela ouviu de João Pedro Stédile, da direção nacional do movimento, críticas ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e às políticas agrária e econômica do governo.
O líder sem-terra discursou por 19 minutos antes da presidente e cobrou “humildade” de seu ministério.
“Nenhum ministro aqui deve se sentir superior ao povo. Porque nós elegemos a presidente e apenas damos um mandato para ela escolher os ministros. Então, os ministros da senhora têm que ser mais humildes, como disseram na televisão. Ser mais humilde não é para ir pro céu. É para ouvir o povo”, disse Stédile.
“Se o orçamento tem problemas, por que é que o seu Levy não vem discutir conosco? Porque temos propostas. Não basta querer acertar o Orçamento da União apenas cortando o gasto social.”
Em entrevista após o evento, Dilma disse que não poderia aceitar todas as críticas.
“O que o Stédile faz é sugestões. Ele tem a concepção dele e eu tenho a minha. A concepção do movimento é uma, de um governo é outra. O governo olha para o País e vê vários setores, não vê só a agricultura familiar. Olhamos o País e vemos também o agronegócio, vemos todas as reivindicações. Acho absolutamente democrático a crítica dele. Agora, entre a crítica ser democrática e a gente aceitar a crítica tem uma pequena distância”, declarou Dilma.
Em seu discurso, de 33 minutos, a petista também defendeu medidas que o líder sem-terra criticara pouco antes. Ele havia dito, por exemplo, que os mais ricos é que deveriam arcar com as consequências do ajuste, não os trabalhadores.

“DIFICULDADE
PASSAGEIRA”
A presidente afirmou que o governo absorveu sozinho os impactos da crise internacional “durante seis sistemáticos anos”, de 2009 a 2014. “Agora nós não temos como continuar absorvendo tudo. Não estamos pedindo para ninguém assumir toda a responsabilidade. Não estamos acabando (com políticas sociais), estamos ajustando um pouco”, disse.
Ao afirmar que o ajuste será momentâneo e cobrar união em prol das medidas do governo, Dilma também voltou a criticar setores da oposição que, em suas palavras, apostam contra o País.
“Esse momento de dificuldade é passageiro e conjuntural. Tem gente no Brasil que aposta no quanto pior, melhor. São os chamados pescadores de águas turvas. O que querem não me interessa. O fato é que apostam contra o Brasil, Você não pode apostar contra o seu País”, afirmou.
“Nós juntos, aprovando o ajuste, saímos disso no curto prazo. Ajustar é da vida, todo mundo faz isso. Não estamos ajustando porque gostamos de ajustar. Estamos ajustando porque o País tem que continuar crescendo, gerando emprego e fazendo políticas sociais. O ajuste não acaba com a agroindustrialização, não acaba com o Minha Casa, Minha Vida Rural”, disse Dilma.
Stédile havia afirmado que os cortes do governo afetaram os programas de habitação popular e que novos contratos não são assinados há seis meses.
Dilma exaltou o diálogo de seu governo com os movimentos sociais e mencionou a cobrança do sem-terra por “humildade”.
“Dialogar é necessariamente uma posição de humildade, mas não é de humildade pra ir pro céu, não. Tem toda razão. Não que a gente seja contra ir pro Céu. Mas é para fazer o seguinte: é quando ‘ocê’ dialoga, tem de olhar para a pessoa com a qual está dialogando e considerá-la como igual a você. Nem melhor nem pior que você”, concluiu Dilma, repetindo o que já havia dito em evento nesta quinta-feira (19), em Goiânia.

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