Política & Justiça

Dilma diz que ‘não respeita delator’ e cita doação da UTC a Aécio

Em Nova York, Dilma nega irregularidades na campanha eleitoral

diario da manha

“Eu não respeito delator”, disse a presidente Dilma Rousseff na tarde desta segunda-feira, em sua primeira reação pública ao depoimento do dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa. Em breve conversa com a imprensa após encerrar, em Nova York, um seminário sobre oportunidades de investimento em infraestrutura no Brasil, Dilma negou as acusações de repasses irregulares durante a sua campanha de reeleição e prometeu tomar providências se voltar a ser citada pelo empreiteiro, mas defendeu que a Justiça investigue as denúncias.

 – Não aceito e jamais aceitarei que insinuem sobre mim ou a minha campanha qualquer irregularidade. Primeiro porque não houve. Segundo porque, se insinuam, alguns têm interesses políticos – declarou.

A presidente lembrou que aprendeu cedo a não gostar de Joaquim Silvério dos Reis, o traidor da Inconfidência Mineira:

– Tem uma coisa que me acompanhou ao longo da vida. Em Minas, na escola, quando você aprende sobre a Inconfidência Mineira, tem um personagem que a gente não gosta porque as professoras nos ensinam a não gostar dele. Ele se chama Joaquim Silvério dos Reis, o delator. Eu não respeito delator.

Dilma citou nominalmente o tucano Aécio Neves, argumentando que se ela recebeu R$ 7,5 milhões da UTC no segundo turno da campanha presidencial de 2014, o candidato do PSDB também foi agraciado “com uma diferença muito pequena de valores”. E recorreu, mais uma vez, à sua experiência durante a ditadura:

– Tentaram me transformar numa delatora. A ditadura fazia isso com as pessoas presas. Eu garanto para vocês que eu resisti bravamente, até em alguns momentos fui mal interpretada, quando eu disse que em tortura a gente tem que resistir, porque senão você entrega seus presos. Então não respeito nenhuma fala. Agora, acho, para ser bem precisa, que a Justiça tem que pegar tudo o que ele disse e investigar, tudo, sem exceção. A Justiça, o Ministério Público, a Polícia Federal.

Quando a perguntaram se pretende tomar alguma providência, ela foi categórica:

– Se ele falar sobre mim, eu tomo.

Quanto aos seus ministros – Aloizio Mercadante, da Casa Civil, e Edinho Silva, da Secretaria de Comunicação Social, foram citados na delação –, a presidente afirmou que vai discutir com cada um privadamente:

– Aí nós vamos avaliar com cada ministro, porque é foro deles.

No depoimento de delação premiada, o empreiteiro Ricardo Pessoa, dono das construtoras UTC e Constran, apontado como chefe do “cartel das empreiteiras”,  a campanha do ex-presidente Lula em 2006; a campanha de Mercadante, ao governo de São Paulo em 2010; e mais cinco senadores e três deputados federais. O Ministério Público Federal e a PF vão investigar se as doações foram legais ou se houve irregularidades.

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