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Lúcia Vânia: “´É irracional” confronto entre governista e oposição no País

Senadora, com o pé no PSB, diz estar estimulada a fazer política com “utopia”

diario da manha

 

 

Ao comunicar sua desfiliação do PSDB, partido ao qual militou durante 20 anos, a senadora Lúcia Vânia criticou, na última quarta-feira, cenário da política atual do País, de confronto entre situação e oposição, classificando-a de irracional. “Não acredito em uma oposição movida a ódio;   preocupa-me a interpretação que parte da oposição faz da indignação das ruas. Na minha visão, este confronto que se estabeleceu no Congresso Nacional entre oposição e situação, para dar respostas a uma sociedade órfã de lideranças, é  simplesmente irracional.”

Ao confirmar a desfiliação do PSDB, Lúcia Vânia lembrou que, embora o meu primeiro mandato, de deputada federal, tenha sido pelo PMDB, todos os demais foram pelo tucanato. Ela deverá filiar-se ao PSB.

Lúcia Vânia confessa: “Hoje me sinto desconfortável no partido – talvez eu não tenha tido a capacidade de fazer a transição para este novo momento. Saio em busca de um novo espaço, que me traga motivação, uma nova compreensão deste momento ímpar que vivenciamos no País.”

Em discurso da tribuna do Senado Federal, Lúcia Vânia ressaltou: “Nós estamos adubando os caminhos para os extremos, para os radicais se aninharem em todos os espaços da vida nacional.”

Lúcia Vânia ressaltou que o País está em convulsão. “Os desmandos e a corrupção enfraquecem a defesa dos princípios e valores de uma sociedade civilizada.”

Para a senadora, o papel dos políticos, mais do que nunca, precisa ser de equilíbrio e de sensatez, “sem contudo deixar de condenar os desvios, a má gestão, o descompromisso com o dinheiro público.” E acrescentou:  “Mas isso deve ser feito com a preocupação de oferecer alternativas e reavivar esperanças.”

A senadora citou as palavras do Dr. Campos da Paz, que recebeu homenagem póstuma no Senado,  para expressar a sua inquietação: “Nestes tempos em que as utopias se esgotaram, e por falta de rumos, valores e referenciais, a sociedade se canibaliza, é preciso mais do que nunca buscar o contraditório”.

 

Longa carreira

Lúcia Vânia fez um relato de sua atividade na vida pública, com destaque para o cargo de secretária nacional de Assistência Social no governo Fernando Henrique Cardoso. “Ajudamos a desmontar um sistema social obsoleto, fragmentado e assistencialista, que se esgotou afundado na corrupção e na troca de favores por votos.”

Ela contribuiu para a implantação da Lei Orgânica da Assistência Social, discutida por toda a sociedade e aprovada pelo Congresso Nacional. “Com a implantação da Lei Orgânica nascia o primeiro programa de transferência de renda universal e não contributivo – o Benefício da Ação Continuada – Loas – que destina um salário mínimo para idosos e  pessoas com deficiência.”

A senadora lembra a implantação do Peti – Programa de Erradicação do Trabalho Infantil – 3 vezes premiado pela Uniceff. “Tiramos 100 mil crianças dos canaviais de Pernambuco, Alagoas, do sisal da Bahia, das carvoarias do Mato Grosso do Sul e hoje o programa atende a cerca de 1 milhão de crianças.”

Outra contribuição da tucana goiana: formulação da Lei Nacional do Idoso – com a criação dos Centros de Convivências hoje espalhados por todo o Brasil.

Ela lembra a sua intensa atividade no PSDB nacional e de Goiás: “A minha dedicação foi por inteiro: – identificação, admiração e, acima de tudo, comprometimento com os valores e princípios defendidos pelo partido – como a austeridade fiscal – tendo como meta um efetivo resultado social.”

Lúcia Vânia atuou na coordenação, ao lado de Tasseo Jereissati e Sérgio Guerra, as campanhas presidenciais de José Serra e Geraldo Alckmin. Em Goiás, ela coordenou a campanha vitoriosa no Estado de Aécio Neves.

 

“Os desmandos e a corrupção enfraquecem a defesa dos princípios e valores de uma sociedade civilizada. Hoje me sinto desconfortável no partido. Saio em busca de um novo espaço”

 

 

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