Política & Justiça

“A política feita até agora tem levado à ineficiência do Estado e à corrupção”

diario da manha
Jornalistas Helton Lenine e Helvécio Cardoso entrevistam Jair Bolsonaro(FOTOS: CRISTOVÃO MATOS)

Líder das pesquisas para a dis­puta ao Palácio do Planalto, sem a presença do ex-pre­sidente Luiz Iná­cio Lula da Silva, o deputado federal Jair Bolsonaro, do Rio de Janeiro, militar da reserva do Exérci­to, agora filiado ao PSL, faz uma pré-campa­nha pregando mudan­ças para o País. Mudan­ças no comportamento dos políticos, novos rumos para a economia e também investi­mentos que possam impulsionar o crescimento da economia, com dis­tribuição de renda e promoção das desigualdades sociais.

Jair Bolsonaro concedeu entrevis­ta, na última sexta-feira, ao DMTV, quando visitou a redação do Diário da Manhã. “O Brasil não está dan­do certo” foi a primeira frase que usou na abertura da conversa com os jornalistas do jornal. Ele esteve em Goiânia para participar de solenida­de de entrega do Espadim Tiradentes no Comando da Academia da Polí­cia Militar de Goiás.

Polêmico e detentor de frases que repercutem, de imediato, na mídia, principalmente nas redes, dispara, com frequência, petardos na direção da esquerda, principalmente a parti­doscomoPT, PCdoB, RedeePSOl, pois considera os “conceitos e as ideologias dessa gente” atrasadas, retrógradas.

Jair Bolsonaro tem 24 anos de experiência na Câmara, mas ficou conhecido no Brasil inteiro por suas declarações polêmicas, con­fusões com colegas, membros do Governo e entidades representan­tes de negros e homossexuais.

Em 2016, Bolsonaro surpreendeu o País ao afirmar que o coronel refor­mado do Exército Carlos Brilhante Ustra é um “herói brasileiro”. Ustra, que morreu aos 83 anos em 2015, foi reconhecimento pela Justiça como torturador no período da ditadura militar (1964-1985).

Jair Bolsonaro disse, na entrevis­ta do DMTV, que, ao longo das últi­mas décadas, o País descambou para “a esquerda, para o populismo, para a política barata para cativar o eleitor pobre, muitas vezes sem uma cultura suficiente e está partindo, no meu en­tender, para o socialismo no Brasil.” Ele destaca: “Então, é reverter isso, buscar o ponto de inflexão e reverter isso. Não podemos nos aproximar da Venezuela e muito menos de Cuba”.

À pergunta como governador, o presidenciável do PSL tem respos­ta pronta: “Precisa-se do parlamento brasileiro. Hoje, temos uma bancada de praticamente 50 parlamentares de vários partidos que querem fazer uma política de maneira diferente do que é feita até agora. A política feita até ago­ra tem levado à ineficiência do Estado e à corrupção, são os grandes acordos partidários, muitos líderes de grandes partidos indicam pessoas para minis­térios, para estatais, para bancos pú­blicos que não atendem a necessida­de do povo brasileiro, até por interesse denãoseroBrasileserapenasdeaten­der aos seus apadrinhados. Então essa é a forma de nós estamos trabalhando para fazer a política diferente.”

Bolsonaro entregou para o eco­nomista Paulo Guedes, de reconhe­cimento internacional, a elaboração de seu plano de governo e a defini­ção de metas.

A maneira como está montada a estrutura de campanha do pré­-candidato Jair Bolsonaro (PSL-RJ) promete ações que fogem ao figuri­no tradicional das grandes disputas presidenciais. Sem um marqueteiro, uma equipe enxuta de só cinco pes­soas trabalha voltada exclusivamente para alimentar postagens em grupos de WhatsApp e páginas no Facebook.

Bolsonaro viaja sempre com um responsável pela gravação de vídeos. Após a produção, as imagens são en­caminhadas para a equipe, que ali­menta perfis oficiais e as distribui no WhatsApp.

 

ÍNTEGRA DA ENTREVISTA


Eu não estou fazendo coligação nenhuma. Mas quem vai dizer a regra do
jogo sou eu, porque sou o único diferente de todos eles”

Helvécio Cardoso – Quais são os seus projetos de governo? Que medidas o senhor pretende implementar, caso seja eleito?

Jair Bolsonaro – O Brasil não está dando certo. Ao lon­go das últimas décadas, des­cambou para esquerda, para o populismo, para a política barata, para cativar o eleitor pobre, muitas vezes sem uma cultura suficiente, e está par­tindo, no meu entender, para o socialismo no Brasil. Então, é reverter isso, buscar o ponto de inflexão e reverter isso. Não po­demos nos aproximar da Vene­zuela e muito menos de Cuba. Como governar? Precisa-se do parlamento brasileiro. Hoje, te­mos uma bancada de pratica­mente 50 parlamentares de vá­rios partidos que querem fazer uma política de maneira dife­rente do que é feita até agora. A política feita até agora tem le­vado à ineficiência do Estado e à corrupção, são os grandes acordos partidários. Muitos lí­deres de grandes partidos indi­cam pessoas para ministérios, para estatais, para bancos pú­blicos que não atendem à ne­cessidade do povo brasi­leiro, até por interesse de não ser o Brasil e ser apenas de atender aos seus apadrinhados. En­tão essa é a forma de n ó s estarmos trabalhando para fazer a política diferente. Vou fazer o Brasil que o povo quer

Helton Lenine – Como o senhor avalia o fato de o povo estar descontente com os políticos, sem motivação para as eleições?

Jair Bolsonaro – Vejo que o povo tem razão. Não produzi­mos felicidade, que esse é o ob­jetivo do parlamento brasileiro. Um parlamento no País mergu­lhado em corrupção. Uma parte da delação do Palocci acabou de vir à público e pegou gente graúda do Rio de Janeiro, in­clusive um pré-candidato ao governo do Estado. A corrup­ção, no meu entender, é uma das coisas mais importantes a ser combatida e está na cabe­ça do povo brasileiro. A outra questão que o povo quer que eu veja, eles querem que nós, que temos autoridade, não deixemos à vontade isso que está aconte­cendo. Em terceiro lugar, a pes­quisa é bastante longa, é o con­servadorismo, é a questão dos valores familiares, você ter um currículo escolar adequado. No meu tempo, onde nós aprendía­mos alguma coisa, e hoje não se aprende nada. Uma política externa não mais voltada com um viés ideológico…

Helton Lenine – O senhor defende leis mais duras para resolver o problema da segurança?

Jair Bolsonaro – É uma me­dida efetiva para se combater a violência do Brasil, quero uma política do encarceramento duro, que o elemento não fique preso por alguns meses ou anos e vá para rua novamente. A segunda chance merece quem comete um crime de pequeno, quem come­te determinados tipos de crime. Não podemos falar em prisão perpétua no Brasil, mas mere­ce ficar 30 anos lá dentro, des­sa forma ficar afastado da so­ciedade. É uma política que se fala em armamento, sim, por­que é uma irresponsabilidade do governo desarmar nós, ci­dadãos de bem, porque eu tam­bém fui desarmado como capi­tão do exército, e deixar armado a bandidagem que vemos por aí, que não atua mais nos gran­des centros, mas também nas re­giões rurais. Não dar respostas a tudo isso é o que leva o descré­dito da classe política.

Helvécio Cardoso – Além do economista Paulo Guedes, quem mais o senhor vai anunciar para o seu ministério, caso seja eleito?

Jair Bolsonaro – Tenho con­versado com o Paulo Guedes e ele seria ministro da Fazenda e Planejamento, um ministé­rio só. A defesa vai ser indica­da pelo general Heleno, um ofi­cial general do último posto, e a questão da ciência e tecnologia, que é muito importante, temos conversado com Marcos Pontes, é o nosso astronauta e um ho­mem que está na ativa ainda, foi para a reserva da Aeronáu­tica há uns 10 anos, trabalha na Nasa, é um empreendedor e um homem que tem interesse por pesquisa. Uma pessoa com essa formação vai fazer o Bra­sil se preocupar com essa área. Cadê o nosso Vale do Silício no Brasil? Hoje, não fabricamos uma máquina fazer de opera­ções. Cadê nossa pesquisa no to­cante a nióbio. Temos Catalão, que parece, pelo que me consta, se entregou ao capital chinês.

Helvécio Cardoso – Recentemente o senhor levantou a questão do nióbio. O Brasil é um dos maiores produtores de nióbio do mundo, mas não fixa seu preço, que é estabelecido em Londres, apesar da Inglaterra não ter nióbio, um minério de importância estratégica, como qual se fabrica mísseis, turbinas de avião etc. Como o senhor se posiciona diante desta questão?

Jair Bolsonaro – Quando es­tive em Araxá, vi umas 50 ban­deiras de países na entrada da empresa que extraí o minério, e são de países que importam nió­bio nosso. Comecei a pesquisar alguns países que não investem na questão do nióbio e eles ape­nas estão fazendo reserva estra­tégica, porque sabem do seu po­tencial para o futuro. No primeiro momento, não se pode exportar à vontade, como estão fazendo agora com a China, em Catalão, Goiás, que está bastante adianta­da nessa política. Tem que segu­rar isso. A China está utilizando o nióbio para construção; a Ale­manha, em chassis de automóveis. O nióbio é mais pesado que o fer­ro, mas se usa menos porque tem uma liga muito mais forte para o chassis de automóvel, serve até, num primeiro impacto, como se fosse um airbag. Serve para fazer vidros inteligentes. De acordo com a concentração de nióbio no vi­dro, ele define quanto de luz e ca­lor entra em um prédio, ele defi­ne a economia elétrica no tocante a isso. E estamos entregando esse minério a preço de banana. De­vemos segurar a questão.

Helvécio Cardoso – seria o caso de defender o nióbio brasileiro?

JairBolsonaro- CriaramaOPEP, décadas atrás. Apenas no Cana­dá, o produto é equivalente a 2% do mundo. Nós temos 98% e nin­guém mais tem o nióbio de forma competitivamente falando, ape­nas no Brasil fomos agraciados com isso. Temos que agregar va­lor ao nióbio para depois expor­tá-lo. Junta o nióbio à questão do grafeno, que vem do grafite. Tem as áreas só de riquezas mineiras, temos o que o mundo não tem.

Helvécio Cardoso – O Estado de S. Paulo publicou uma reportagem mostrando que os investimentos públicos caíram a 1,6% do PIB, a menor taxa em 50 anos. É possível fazer o Brasil voltar a crescer sem investimentos públicos?

Jair Bolsonaro – Em torno de 93% do orçamento está comprometido com despesa obrigatória. ficamos devendo R$ 107 bilhões no ano passado, e é semelhante esse ano. Para o ano que vem, vai continuar. O que tenho conversado com o economista nosso é como resolver esse assunto, porque não é apenas economizar, porque tem muita torneira jorrando de forma desnecessária. Como entrar mais dinheiro no caixa sem aumentar imposto? Essa é a grande interrogação que o economista Paulo Guedes fala que tem como resolver. É você desregulamentando a economia, desburocratizando, buscar maneiras de diminuir o Custo Brasil.

Helton Lenine – Na sua opinião, a reforma das leis trabalhistas pode ajudar ou piorar a situação econômica?

Jair Bolsonaro – Todo mundo quer direito, mas o empresaria­do tem direito ao que? O traba­lhador vai ter que chegar um dia e decidir: menos direitos ou mais emprego. Quem está dizendo não sou eu, é quem produz no Brasil. Essa equação vai ter que ser resol­vida um dia, senão teremos um País mergulhado no caos. Porque ninguém quer ser patrão hoje em dia, é complicado demais. Se leva, no mínimo, 90 dias para se abrir uma empresa, o dobro de tempo se quiser fechá-la. E os direitos são tantos que você fica amarra­do junto ao sindicato e nem sem­pre a economia tem como rece­ber o que você produz, de modo a que você tenha algum lucro no final do ano. E mais ainda, hoje em dia, quando alguém quer in­vestir em alguma coisa, ele vê a expectativa de lucro. Se for abai­xo de 10% do que ele investiu, não quer arriscar, e muitas vezes fica aplicando na bolsa.

Helton Lenine – Os programas sociais vão continuar no seu governo, ou pretende extingui-los?

Jair Bolsonaro – Ano retrasado, gastamos R$ 29 bilhões de reais com bolsa família. Lembro que Dilma Rousseff, por ocasião da campanha, bateu no peito e fa­lou com muito orgulho: “14 mi­lhões de famílias recebem bolsa família no Brasil”. Eu teria ver­gonha de falar isso. O que tira o homem e uma mulher da pobre­za não são esses projetos sociais, mas o conhecimento. Tem que in­vestir maciçamente na educação, na instrução da nossa garotada. Por outro lado, não se pode aca­bar com o programa bolsa famí­lia, que tem um percentual consi­derável, que se você tirar ele nem vai para debaixo da ponte, por­que não tem lugar para morar lá. Agora, as informações que temos, precisamos de mais dados, é que um terço é fraude, o outro terço é gente que poderia estar no merca­do de trabalho se nós facilitásse­mos a empregabilidade por parte dos patrões. Então, esse é o nos­so foco: combater a fraude, ten­tar inserir a pessoa no mercado de trabalho e dar o conhecimento para que essa pessoa não depen­da do Estado eternamente.

Helton Lenine – Como resolver o problema do desemprego? Segundo o IBGE, são 14 milhões de desempregados.

Jair Bolsonaro – Não são 14 milhões de desempregados, são em torno de 40 milhões. Porque quem recebe bolsa família é tido pelo IBGE como se empregado fos­se. Quem não procura emprego é tido como empregado. Quem tra­balhou uma semana o ano passa­do é tido como empregado. Quem recebe auxílio-reclusão é tido como empregado. São números falsos. A situação é mais grave do que se possa imaginar. Por outro lado, eu poderia ter uma empresa e ter meia dúzia de empregados. Não tenho porque, dada a questão trabalhista, que é muito fácil a esquerda e sindicatos falar que você quer acabar com direitos… Eu votei favorável à reforma tra­balhista, me orgulho disso. O ano retrasado tivemos 4 milhões de ações trabalhistas no Brasil, mais do que em todo o mundo. Esse é um sinal mais do que claro que tem muita coisa errada. Tem que começar a mexer nessa questão.

Helvécio Cardoso – a agricultura e a pecuária são a base da economia do Centro- Oeste. Há quem defenda o fim dos subsídios ao crédito rural, e até em privatizar o Banco do Brasil. Como encarar o problema?

Jair Bolsonaro – Falar em pri­vatizar o Banco do Brasil não está certo. Problemas para o produtor rural não faltam e como o agro­negócio é uma das poucas coi­sas que está dando certo na eco­nomia, o que os governos fazem? A briga do funrural. Há poucos meses saiu um sentença favorá­vel de referência a R$ 20 bilhões de reais. Outro problema, não é bem o governo, mas as bancadas. Está avançando no Senado, um projeto para não valer a Lei Kân­dir para os Estados Produtores. Cada estado cobraria ICMS das commodities. É mais um proble­ma. Querem também cobrar água, daqui a pouco vão cobrar o ven­to. Mais ainda: tem uma emenda constitucional, de 2015, que tra­ta exatamente da questão da pro­priedade privada. Hoje em dia, a propriedade privada, ninguém pode dizer que aquela fazenda é dele, porque se obriga ao proprie­tário privado a questão do traba­lho escravo. Então, o trabalho es­cravo leva à desapropriação do imóvel. Então, qualquer jurista, o Judiciário já se aparelhando à es­querda… Qualquer trabalho aná­logo ao de escravo é trabalho es­cravo também, porque pode ser qualquer coisa. Você vê uma se­nhora pulverizando uma plan­tação com todo o equipamento, chega a fiscalização do Ministé­rio do Trabalho e diz que ele está grávida e nem ela sabia que esta­va.. e por trabalho análogo à es­cravidão. Então, aquele proprie­tário vai perder sua fazenda com tudo o que está dentro. Esses são os problemas. A insegurança ju­rídica está ameaçando a proprie­dade privada. Já tem proprietá­rio rural, em alguns estados, com ações na Justiça para expropriação, tendo em vista a Emenda Cons­titucional 81.

Helvécio Cardoso – Como pretende resolver o problema da dívida interna, que cada vez cresce mais?

Jair Bolsonaro – Quase meta­de do que se arrecada no Brasil é para juros e rolagem de divida. Botei isso na mesa para o econo­mista Paulo Guedes, porque a si­tuação está bastante complicada. Tem que arrecadar mais, segundo ele e eu, sem aumentar impostos. Onde explodiu nossa dívida inter­na? Na metade dos oito anos do governo Fernando Henrique Car­doso, onde a taxa Selic chegou a bater 50%. É a mesma coisa de se pegar dinheiro de um agiota pa­gando 10% ao mês e, de repente, ele a passa a 50%. Não se paga a dívida, mas ela cresce. Essa é a si­tuação que está o Brasil. Quando falo que todos tem que conversar, o sistema financeiro fica chatea­do comigo. Não adianta falar que vai honrar compromisso se não tem dinheiro. Ninguém quer dar calote em ninguém, todo mundo quer pagar a sua conta, mas esta conta está impagável e nós temos que buscar uma maneira de so­lucionar o problema.

Helvécio Cardoso – Outro problema angustiante é o endividamento dos Estados e dos Municípios. Mais ou menos metade da dívida foi contraída junto a instituições financeiras públicas e privadas, mas a parte substancial é dívida junto à Secretaria do Tesouro Nacional. É uma coisa mágica: quanto mais se paga essa dívida, mais ela aumenta. Uma solução para desafogar os Estados não seria a União perdoar esta dívida, que não tem contrapartida e que consome cerca de 14% das receitas líquidas? Isso não poderia ser aplicado em Educação, Saúde, Segurança?…

Jair Bolsonaro – Você vai tra­zer a dívida para a União, se tra­zer a responsabilidade toda para a União. Tem-se que buscar um meio termo. Esse conselho teu é meio mágico. A dívida vai para União. O ano passado, depois da despesa obrigatória, pagamos R$ 110 bilhões de reais e essa dívida fica cada vez mais impagável. En­tão temos que buscar uma solu­ção. Não pode dar canetaço em nada. Segundo o economista me disse no tocante a isso, como pri­vatizar, trazer a taxa Selic para uma taxa menor, fazer uma refor­ma da previdência como a pro­posta do governo Temer? Essa so­lução passa…. como no começo eu falei que não entedia de econo­mia por uma questão de humilda­de… A Dilma entendia. Onde bo­tou o Brasil? Inclusive, ninguém nunca falou de entender ou não de economia, mas, o que levou o Brasil ao caos não foram esses economistas que sempre estive­ram ai? Esses são exatamente os mesmo que estão assessorando outros pré-candidatos. Pelo me­nos o meu nunca esteve a serviço de governo nenhum, é uma pes­soa reconhecida dentro e fora do Brasil e sempre esteve ao largo dessas questões.

Helton Lenine- Como o senhor espera fazer um governo estável sem apoio do Congresso. Tudo indica que o senhor não vai conseguir formar bancadas majoritárias.

Jair Bolsonaro – Quem vai fazer um governo semelhante é quem está fazendo coligações. Eu não estou fazendo coligação nenhu­ma. Mas quem vai dizer a regra do jogo sou eu, porque sou o úni­co diferente de todos eles. O que le­vou o meu partido antigo, o PP, à situação que se encontrou? O meu ex-partido, o PP, é o que tem per­centualmente o maior número de parlamentares citados na Lava Jato. O Alberto Youssef, um dos delatores, disse que tinha depu­tado do meu ex-partido que ga­nhava por mês R$ 250 mil. O pró­prio Alberto Youssef falou que do meu ex-partido apenas três de­putados não pegavam dinheiro na Petrobras. Então, se você for lotear para governar, vai conti­nuar fazendo a mesma política de antes, e isso nós não faremos. Se for para fazer a mesma coisa, eu estou fora. Se alguém acha que não tenho condições de governar porque não vou entregar o patri­mônio público para político, vote em outro candidato porque estes outros entregarão, sim.

Helvécio Cardoso – Dados do Banco Central indicam que quatro bancos particulares detêm 80% do mercado de crédito no Brasil. Há um consenso entre os economistas de que este monopólio está na base das taxas de juros mais altas do mundo. Recentemente, o Jornal do Brasil e a Folha de S. Paulo, em seus editoriais, propuseram a estatização do sistema bancário. Na sua opinião, a solução seria estatizar ou quebrar o monopólio?

Jair Bolsonaro – Tem que bus­car quebrar o monopólio. Estati­zar, jamais. Há poucos dias um grande economista falou o seguin­te: “qualquer pessoa que queira propor uma reforma tributária ou fiscal tem que ser PhD em eco­nomia”. Essa pergunta é difícil de responder. Não tenho a resposta para os problemas do Brasil todas aqui, tanto é que você governa de acordo com a própria condição dos seus respectivos ministros. E a parte econômica é uma parte im­portantíssima nessa questão. Há o monopólio no Brasil, os bancos agem em conjunto. A ideia é, sim, quebrar o monopólio, mas estati­zar, no meu entender, nunca pas­sou pela minha cabeça, porque afinal de contas estamos quebran­do o Brasil exatamente por qua­se tudo estar estatizado.

Helton Lenine – Aqui em Goiás, o seu partido vai apoiar qual candidato?

Jair Bolsonaro – A competên­cia para decidir essa questão em Goiás é do delegado Waldir, que é o presidente do PSL. Tem o ma­jor Vitor também, que é um pré­-candidato a deputado federal e, também o dr. Liberato Póvoa, outro pré-candidato. Obviamen­te, se houver interesse do Ronaldo Caiado… Eu o tenho no meu con­ceito, foi um colega na Câmara, sempre o achei uma pessoa excep­cional lá dentro. Goiás está muito bem servido de pré-candidatos.

Helvécio Cardoso – Qual é a sua mensagem final para o povo goiano?

Jair Bolsonaro – O que preci­samos, no meu entender, é eleger­mos um presidente homem ou mu­lher que seja honesto, com Deus no coração e que seja patriota. Vou fazer o Brasil que o povo quer. Acredito que com essa base e che­gando lá com independência, se pode mais que sonhar, mas ter a certeza de mudar o destino do Brasil. Fora isso, continuaremos na mesma vala comum.

 

 

É uma irresponsabilidade do governo desarmar nós, cidadãos de bem, e deixar armada a bandidagem que vemos por aí”

 

A pasta da Defesa vai ser indicada pelo general Heleno, um oficial general do último posto”

 

Estamos entregando esse minério, o nióbio, a preço de banana”

 

Acho o Ronaldo Caiado excepcional”

 

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