Saúde

Câncer de pulmão é considerado o mais comum e pode ser evitado

diario da manha

Responsáveis pela respiração, tornando possíveis as trocas gaso­sas entre o ambiente e o sangue, os pulmões são de grande importân­cia para o ser humano. Sem eles, a vida não é possível. Por isso, todos os cuidados devem ser tomados para não danificá-los, principal­mente se o descuido pode gerar doenças, como o câncer.

Uma das principais causas de mortes no Brasil, com 28.220 ca­sos em 2016, ele é o câncer que mais mata homens e é o segun­do entre as mulheres. Considera­do o mais comum entre os tumo­res malignos, ele está diretamente associado ao consumo do tabaco e na qualidade do ar. De acordo com dados da ONG Instituto Oncoguia, apenas 15% das pessoas que mor­rem pela doença não fumam, sen­do a poluição responsável por 16%.

Esse dado explica por que o índice da doença aumentou nas grandes cidades do mundo, mes­mo com o declínio do tabagismo. Contudo, mesmo o ar poluído sen­do um dos causadores, o cigarro ainda é a causa majoritária da en­fermidade, com 85% dos casos.

Segundo a diretora e presiden­te do Instituto Saúde e Sustenta­bilidade, Evangelina Vormittag, viver em São Paulo equivale a fumar quatro cigarros por dia. E, devido a poluição, o paulista vive 1,5 ano da sua vida a menos. “Infelizmente a qualidade do ar no Brasil não é boa. O ar passou a ser líder ambiental para os ris­cos em saúde”.

Dados da Organização Mun­dial de Saúde mostram que cer­ca de três milhões de mortes por ano estão relacionadas à expo­sição à poluição do ar. Em 2012, estimou-se que 6,5 milhões de mortes estavam associadas à po­luição. Quase 90% das mortes re­lacionadas à poluição do ar ocor­rem em países de baixa e média renda; duas em cada três acon­tecem no Sudeste Asiático e no Pacífico Ocidental.

CIGARRO

4 mil produtos químicos, 60 de­les já identificados como tumori­gênicos. O risco de se adquirir uma doença é proporcional ao número de cigarros fumados por dia e o tem­po como fumante. A população que não fuma, mas que é exposta à fu­maça de cigarro, também pode ad­quirir as mesmas doenças que um fumante ativo. E a história familiar de câncer de pulmão e fibrose pul­monar também aumenta o risco.

Os cigarros light, de corda ou de palha, narguilê, charuto e ca­chimbo são outras formas de fumo igualmente maléficas e podem causar o câncer no pulmão. As doenças pulmonares como tuber­culose ou doença pulmonar obs­trutiva crônica são doenças que também podem levar ao câncer.

São mais de um bilhão de fu­mantes no mundo e mais de 5 mi­lhões de mortes por ano. Só no Bra­sil morrem 147 mil fumantes por ano, o tratamento de 15 doenças re­lacionadas ao tabaco custa R$ 23 bi­lhões aos cofres públicos. De acordo com a coordenadora do Programa Controle do Tabagismo do Institu­to Nacional de Câncer (Inca), San­dra Marques, 428 pessoas morrem todos os dias. “A intenção é acabar com o tabagismo de vez”, diz.

A Global Lung Cancer Coali­tion (GLCC), uma aliança de or­ganizações de pacientes compro­metida com a conscientização e melhoria dos resultados no com­bate ao câncer de pulmão, realizou uma pesquisa em 25 países, entre eles o Brasil, Estados Unidos, Fran­ça e Alemanha. Os números reve­lam falta de informação e estigma em relação ao câncer de pulmão. A pesquisa concluiu que metade dos brasileiros sequer consegue ci­tar um sintoma do câncer de pul­mão. O sintomas mais conhecidos são a falta de ar, tosse e dor torácica.

O câncer de pul­mão vem se tor­nando uma realida­de em todo mundo. A melhor forma de prevenção é não fu­mar. Quanto à po­luição, existem campanhas para sensibilizar a popu­lação do quão é im­portante preservar o meio ambiente e com isso aumentar a qualidade de vida. É importante ainda que as pessoas ob­servem os sintomas e que vão ao médi­co realizar exames de rotina, para não serem pegas de surpresa.

SUPERAÇÃO

A dor oncológica pode influen­ciar em todas as atividades diárias, mas a dor pode ser tratada e o mo­mento superado. Iane Cardim, 48 anos, foi diagnosticada com cân­cer de pulmão em 2015. Foram cin­co meses até chegar a conclusão de que estava com adenocarcinoma de pulmão. Dentre os diagnósticos estavam tosse, virose, sinusite alér­gica, enquanto quadro continuava se agravando. Mais tarde, a confir­mação da doença. “Eu passei por vários especialistas, tive dificulda­des de um diagnóstico preciso, mas hoje eu vivo bem ”, relata.

Foram meses de tratamento, radioterapia, quimioterapia, e Iane conseguiu controlar o cân­cer. Reconhece que todo o sufoco que passou, foi devido ao cigarro. Hoje tem uma vida sem sofrimen­to devido a disciplina e paciência com a doença.

 

Instituto orienta e apoia pacientes com câncer

Luciana Holtz de C. Barros (esquerda), diretora da ONG Oncoguia: “Hoje, podemos afirmar com raríssimas exceções que o câncer está na fila de espera
no Brasil e que precisa urgentemente ser mais priorizado”(foto:DIVULGAÇÃO)

A ONG Instituto Oncoguia foi fundada em 2009 por um grupo de profissionais de saúde e ex-pa­cientes de câncer, liderados pela psico-oncologista Luciana Holtz de C. Barros. Dessa união nasceu uma associação sem fins lucrati­vos, criada e idealizada com o ob­jetivo de ajudar o paciente com câncer a viver melhor por meio de projetos e ações de informa­ção de qualidade, educação em saúde, apoio e orientação ao pa­ciente e defesa de direitos.

Como estrutura central do tra­balho da ONG está o portal On­coguia. Lançado em 2003 com a missão de levar informações úteis de qualidade para pacien­tes, o site traz dicas de qualidade de vida para as pessoas que es­tão enfrentando o diagnóstico e o tratamento de um câncer. Com o crescimento de acessos, Luciana percebeu a necessidade de am­pliá-lo, abraçando outras frentes e novas formas de atuação.

“Todo o trabalho do Institu­to Oncoguia está inserido num contexto muito desafiante e do­lorido, pois apesar de não ter­mos no Brasil um programa ade­quado para registro de casos de câncer, sabemos que anualmen­te quase 600 mil pessoas rece­bem o diagnóstico e aproxima­damente 40% já descobrem o câncer em estágios avançados. Outro dado muito sério é que não sabemos quantos são os pacien­tes que convivem com a doen­ça, além de enfrentarmos pro­blemas básicos como o alto grau de desinformação e preconceito da população, e questões urgen­tes e complexas, como a dificul­dade no acesso a atendimentos médicos, exames e tratamentos tanto padrões, quanto moder­nos e de alto custo disponíveis somente para uma pequena e exclusiva parcela da população. Hoje, podemos afirmar com ra­ríssimas exceções que: “o cân­cer está na fila de espera no Bra­sil e que precisa urgentemente ser mais priorizado”, conta.

“Promover acesso é priorida­de no mundo do câncer! E esta­mos falando de acesso à infor­mação de qualidade, a detecção precoce, a tratamentos rápidos e de qualidade e também a quali­dade de vida.”

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