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Disputa Espacial Iniciada

Setor espacial privado: novo campo de disputa entre China e EUA

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A China realizou recentemente o primeiro lançamento a partir do lado oculto da Lua, demonstrando seus avanços espaciais e o desejo de rivalizar com empresas como a SpaceX, de Elon Musk.

Embora as empresas espaciais chinesas ainda estejam atrás das americanas, especialmente da SpaceX, que recentemente conseguiu pousar seu foguete Starship no mar, a diferença está diminuindo. O apoio do governo chinês ao setor privado está fortalecendo suas capacidades.

"Em cinco anos, é provável que a SpaceX sinta a pressão", diz Chen Lan, especialista no programa espacial chinês. Ele compara o potencial crescimento do setor espacial chinês ao sucesso do grupo automotivo chinês BYD, que recentemente superou as vendas da Tesla.

Desde a abertura do setor espacial ao capital privado em 2014, centenas de empresas surgiram na China. A Galactic Energy, por exemplo, lançou três satélites com seu foguete "Ceres-1" e há dezenas de lançamentos programados para este ano.

"O setor espacial privado chinês é de uma dimensão impressionante", afirma Blaine Curcio, da consultoria Orbital Gateway Consulting. Apesar da liderança da SpaceX, as empresas chinesas estão progredindo rapidamente.

Os programas espaciais estatais da China já realizaram voos tripulados, construíram uma estação espacial e enviaram rovers à Lua e Marte, com planos de missões tripuladas para 2030 e 2033. A sonda Chang'e-6, por exemplo, trouxe amostras do lado oculto da Lua.

O setor privado chinês se concentra em lançamentos de satélites e veículos espaciais de menor custo. As futuras constelações de satélites Guowang e G60, com 13 mil e 12 mil satélites, respectivamente, serão cruciais para os objetivos espaciais chineses.

Atualmente, há apenas algumas centenas de satélites chineses em órbita, mas o rápido desenvolvimento é essencial para competir com outros países e lidar com limitações orbitais e de frequência.

A SpaceX é frequentemente mencionada como exemplo, com seus foguetes Falcon 9 e a constelação de satélites Starlink, que cobre dezenas de países. O espaço tornou-se um campo de batalha entre China e EUA, que se acusam mutuamente de esconder objetivos militares em seus programas espaciais.

Um ex-comandante militar espacial dos EUA alertou que a próxima década será crucial na competição espacial com a China. "Não podemos nos dar ao luxo de ser derrotados", declarou.

Na China, o Estado e as empresas privadas mantêm "laços estreitos". Muitas empresas foram fundadas por ex-funcionários de estatais ou órgãos governamentais. Embora as relações nem sempre tenham sido fáceis, o governo agora considera o setor espacial privado uma "indústria estratégica emergente".

Em 2023, empresas privadas chinesas realizaram 26 lançamentos, incluindo o foguete Zhuque-2, o primeiro foguete movido a metano, que reduz custos. Chen prevê que, em 2024, várias empresas chinesas desenvolverão foguetes semelhantes ao Falcon 9 e dominarão a reutilização do primeiro módulo.

Espera-se que o setor privado realize 30 dos 100 lançamentos planejados por Pequim este ano. Para comparação, a SpaceX realizou 98 dos 109 lançamentos americanos no ano passado, segundo o astrofísico Jonathan McDowell. Chen acredita que a situação pode mudar drasticamente nos próximos cinco anos.

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