Cientistas tentam provar existência de Deus

Postado por Redação e Dilson Júnior em 24 de Março de 2015 às 23h28
Atualizado em 24 de Março de 2015 às 23h29

Físico propõe em Brasília a comprovação científica de Deus e reafirma que ceticismo impede evolução humana. Novos pesquisadores se dedicam a entender a ‘busca divina’ fora da religião

Welliton CarlosDa editoria de Cidades

Uma área da ciência tem se dedicado a descobrir mais do que sabemos sobre a vida. E sem o característico ceticismo apregoado pela classe de cientistas, eles querem algo ousado: provar a existência de Deus.
O tema não é o único destes destemidos teóricos. Pensadores como o físico Amit Goswami, que procura aproximar a física quântica de assuntos pouco afeitos ao mundo científico, caso da relação desta com a alma, estão em constante embate com religiosos e críticos.
Professor de física nuclear, Amit diz que a “física quântica possibilitou a descoberta da espiritualidade dentro da ciência”.
Amit, que esteve ontem à noite em Brasília para evento no Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), diz que “Deus não está morto” e que pode ser sondado. E sem a mediação religiosa.
Uma das conclusões de Amit, em seu livro Deus Não Está Morto (Editora Aleph), é de que o amor é uma das qualidades divinas. Logo, se ele existe na humanidade seria uma das maiores evidências da existência de Deus. É claro que Amit não sustenta sua teoria a partir apenas desta visão. Afinal, sociólogos como Zygmunt Bauman, autor de Amor Líquido, iria mostrar para ele que as relações frouxas da sociedade tornaram o ‘amor’ uma prova pouco convicente da humanidade.
A complexidade de Amit, que foi comprovada ontem em Brasília, não é menor do que as propostas pelo físico americano Michio Kaku, um ‘pop star’ da física que apresenta programas no ‘Discovery Channel’ e escreve best-sellers.
O segmento de pesquisa deste físico de 67 anos pode ser resumido em poucas palavras: teoria do tudo.
Kaku pega um hiato deixado por Albert Einstein, que nas duas últimas décadas de vida procurava algo para explicar absolutamente todas as coisas do universo, e o desenvolve.
Cientista considerado um dos melhores alunos da Universidade de Harvard, e professor em Princeton, ele nos mostra mais do que equações para explicar o universo.
Kaku mexe com imaginações: buracos negros, wormholes, extraterrestres, invisibilidade, teletransportes, máquinas do tempo e…Deus.
Para ele, a mente de Deus poderá nos revelar um matemático e toda a ordem do cosmos. Na discussão eterna entre matemática e física, ele teria encaixado o tema divino no meio. Para Kaku, a física teórica procura uma teoria que explicaria a mente de Deus.
Kaku acredita em uma supersimetria vinda da matemática e que explicaria a existência de Deus. Recentemente ousou perguntar se não existiria uma mãe de Deus – o que soa estapafúrdio para os cristãos. Mas é aceitável vindo da angustiada alma do cientista.
Dentro da lógica de Kaku, Deus, o criador, seria um matemático, que organiza o universo com números. Ainda no campo das especulações e contas, para o teórico, a mente de Deus teria uma coisa chamada ‘música cósmica’ – que será a música das cordas ressonando no hiperespaço através de 11 dimensões.

POLÊMICAS
A teoria de Kaku, bem resumida, é de que existe uma matéria que se desgrudaria do universo, quando observada teoricamente, tornando-se puro caos. Ou seja, completamente em ambiente neutro, fora das circunstâncias do universo, essa matéria se conforma de forma bizarra, aleatória, randômica, caótica.
Pela Teoria das Cordas, Kaku explica que, ao contrário dessa matéria disforme, no universo existe uma simetria e lógica. Esta teoria é um avanço da Teoria da Relatividade, de Einstein. E alimenta a ideia de um Deus perfeito, que em seu ‘ambiente’ organiza os objetos.
Em um pequeno trecho da entrevista à Scientific America, Kaku descreve a relação que faz entre a inteligência do mundo e um Ser maior e onipotente: “Cheguei à conclusão que estamos em um mundo feito por regras criadas por uma inteligência, não muito diferente do seu jogo preferido de computador, claro, impensavelmente mais complexa. Analisando o comportamento da matéria em escala subatômica, a parte afetada pelo semirraio primitivo de táquions, um minúsculo ponto do espaço, pela primeira vez na história, totalmente livre de qualquer influência do universo, matéria, força ou lei, percebi de maneira inédita o caos absoluto. Acredite, tudo que nós chamávamos de casualidade até hoje não fará mais sentido. Para mim está claro que estamos em um plano regido por regras criadas, e não moldadas pelo acaso universal”.

Físico questiona céticos e religiosos

Amit Goswami tem fundido sua busca científica com a ideia de uma existência divina e física. Para isso, recorre à física quântica. Segundo Amit, o âmbito da ciência tradicional deve ser evitado em uma discussão sobre Deus (o onipotente).
O teólogo cristão e o filósofo ocidental também não seriam os tipos ideais para o início desta nova ‘ciência’.
Para ele, este Deus seria a “consciência quântica”. Sua proposta é tão radical que um cristão – baseado nos princípios religiosos em que se inseriu – jamais entenderia do que se trata. Pela visão de Amit Goswami, professor emérito do departamento de Física da Universidade de Oregon (EUA), sob a ótica da física quântica, os objetos não “são coisas determinadas”.
Deus, enfim, que as escolhe e define seu comportamento no universo. Seria portanto a ‘escolha’ é que torna a coisa observável. Amit garante que já existem experimentos objetivos que comprovam esta teoria.
E caberia à humanidade se preparar para as novas ciências: a física teórica e a física quântica.