Prefeitura realiza convocação de aprovados, mas candidatos seguem insatisfeitos

Concursados demonstram insatisfação com número de temporários contratados

Postado por Ana Paula Barreira em 17 de Março de 2017 às 23h26
Atualizado em 18 de Março de 2017 às 07h25

Depois de muita espera alguns candidatos aprovados no concurso da Educação Municipal do edital nº 001/2016 não têm o que comemorar. A indignação é devido à divulgação realizada pela Prefeitura de Goiânia, na quinta-feira (16/3), de uma lista convocatória contendo apenas 660 candidatos que é um número menor do que os efetivos com contratos temporários de quase três mil contratos convocados nos meses de fevereiro e março, além dos contratos que foram renovados no início do ano letivo.

No certame que foi homologado pela administração municipal em 29 de setembro de 2016, foi oferecido 4.725 vagas para os cargos de assistente administrativo educacional, auxiliar de atividades educativas, agente de apoio educacional e profissional de educação II, além de cadastro de reserva. Os aprovados questionam que a maioria dos servidores lotados na educação é por meio de contratos.

Kátia Cecília, uma das candidatas aprovadas para o cargo de profissional de educação II, relata o absurdo em relação ao concurso realizado para a educação. “A prefeitura rasga a Constituição Federal quando ao contratar temporários em detrimento aos concursados. Mantém relações precárias de trabalho, permite dobras de efetivos em substituição à contratação dos aprovados numa demonstração clara que não tem intenção em nomear os aprovados neste concurso”, diz.

De acordo com a prefeitura, foram convocados 60 pedagogos, 400 auxiliares de atividades educativas, 150 agentes de apoio educacional e 50 assistentes administrativos educacionais. A candidata aprovada para o cargo de profissional de educação II, Tatiana Soares comenta que mesmo com a convocação os demais não podem desistir e acomodar e acredita ainda que o primeiro chamamento foi para evitar novos protestos. “Há muitas vagas para serem preenchidas, além de cadastro de reserva, não é justo ter um número maior de temporários”, conclui.

A candidata aprovada ao cargo de auxiliar de atividades educativas, Sâmia Caixeta, foi uma das convocadas no primeiro chamamento, mas garante que ficou angustiada ao ver centenas de temporários sendo convocados para tomar posse dos cargos que ela e os demais candidatos tinham direito. “Muito revoltante ver como anda a educação aqui na Capital, já que há o déficit, deveria convocar os concursados o quanto antes. Ao invés disso ficam colocando panos quentes por cima da situação, como a contratação de centenas de servidores temporários para os cargos que por direito são nossos”, diz Sâmia.

Já Nathália Borges aprovada para o cargo de profissional de educação II não tem mais esperanças quanto a este concurso. “Fui aprovada e minha posição é 1344, mas após a divulgação da lista onde meu cargo foi chamado somente 60 pessoas, fiquei entristecida,” lamenta.

Sâmia Caixeta foi uma das convocadas no primeiro chamamento: antes, todavia, ficou angustiada ao ver centenas de temporários sendo recrutados(Foto:Arquivo Pessoal)

Sâmia Caixeta foi uma das convocadas no primeiro
chamamento: antes, todavia, ficou angustiada ao
ver centenas de temporários sendo recrutados (Foto:Arquivo Pessoal)

Concurso 

O concurso público da Secretaria Municipal de Educação (SME) foi homologado pela Prefeitura de Goiânia em setembro de 2016. O edital nº 001/2016 ofereceu 4.725 vagas para os cargos de assistente administrativo educacional, auxiliar de atividades educativas, agente de apoio educacional e profissional de educação II e cadastro de reserva.

A Universidade Federal de Goiás (UFG) foi à instituição responsável na organização do concurso. Do total 5% das vagas eram destinados a pessoas com deficiência, ou seja, 237 vagas. Os salários variam de R$ 956,77 a R$ 2.135,33. Os aprovados cumprirão carga horária de 30 horas. Agente de apoio educacional e auxiliar de atividades educativas atuarão em atividades, programas e projetos educacionais, cooperando com o corpo docente, técnico e administrativo, em atividades relacionadas ao planejamento, execução e avaliação do processo de ensino-aprendizagem, assim como auxiliar o professor regente dentro da sala de aula.

Em janeiro devia ser iniciado a nomeação dos candidatos aprovados, mas o que houve foi à prorrogação dos contratos dos servidores que estavam na rede, além da realização de novos contratos de forma temporária, adiando então a convocação dos concursados.

O ano letivo iniciou com um verdadeiro caos, faltando profissionais na rede de educação, interrompendo as atividades normais em escolas, creches e nos Centros Municipais de Educação (Cmeis) que passaram a funcionar de forma parcial, ou nem estavam recebendo os alunos.

De acordo com o déficit, a convocação dos 660 aprovados através do concurso, não atende a demanda da secretaria, que continua mantendo os temporários, e ainda é ínfimo diante da quantidade de aprovados. “As tentativas de diálogo são frustradas, todas as promessas de emissão de notas, edital de convocação não foram cumpridas”, afirma a candidata aprovada ao cargo de assistente administrativo, Thais Moraes.

Neste caso, os aprovados relatam ainda que mesmo com a convocação destes, não suprirá as necessidades dos alunos das escolas do município. Sobre este assunto, a prefeitura informou que será elaborado e divulgado um cronograma para as novas convocações dos candidatos aprovados no concurso.

Os convocados têm o prazo de 30 dias, contados a partir da data de publicação do edital no Diário Oficial do Município, para a posse do cargo. Após realizar o agendamento no site: www.concursos.goiania.go.gov.br, deve comparecer à Central de Atendimento ao Cidadão (Atende Fácil), localizado no Paço Municipal, Park Lozandes, para apresentação da documentação exigida na Lei Orgânica do Município.