Educação uterina

Novas tendências e diretrizes que determina o destino e os rumos da humanidade

Postado por João Joaquim em 17 de Junho de 2017 às 22h42
Atualizado em 17 de Junho de 2017 às 22h43

Se educássemos toda criança como educamos um feto na vida intrauterina a humanidade teria mais virtudes do que vícios. Sei que tal provérbio pode impactar algumas mentes e sentimentos. Mas, é uma forma de dar vazão a algumas reflexões e pensamentos; e tanto melhor se tiver anuência e consonância nas considerações e críticas dos que  me leem, de pais e educadores.

Vamos analisar o ser humano desde a sua fecundação e ver o que se faz providencialmente nesse sentido. Um grave erro e vício já fazem muitos genitores nessa etapa da vida humana. Isto se dá justamente na ausência de  providência e preparo dos próprios genitores na concepção dos filhos.

Em outros termos: quantos e quantos filhos não são gerados sem uma previsão bem racional?  Enfim, sem um mínimo planejamento familiar. Se um filho não é emocional e racionalmente bem projetado têm-se aí vários riscos de um produto (leia-se pessoa, indivíduo) mal acabado em todas as suas características e dimensões. Grosso modo, tal resultado pode-se comparar a outro produto inventivo, que primeiro é idealizado, pensado , refletido, preparado, raciocinado( com uso da razão), concebido primeiro na esfera do afeto, da emoção e do amor.

Mas, deixemos tais equívocos e desvios à margem de análise e tomemos o processo conceptivo e formativo da pessoa humana (não é redundância, porque  há pessoa não humana).

Numa analogia de fácil entendimento podemos dividir a educação e formação do indivíduo (embora este seja indivisível) em duas “fôrmas” (como se fosse uma fôrma de bolo). A primeira fôrma indissociável da vida já é de todos conhecida. É  a fôrma uterina na qual se principia a concepção ou formação da criança. Daremos ênfase ao termo porque ele resume o ponto central dessa digressão, destas reflexões.

O verbete criança vem do latim, crear, creantia, criança. Processo de gerar, formar e educar, “lato sensu”, a pessoa humana.

Hoje, se sabe, que estamos num processo evolutivo muito acelerado graças aos avanços de informação, das Ciências e das tecnologias.

Sabe-se que um adolescente de 16 anos está quase completamente formado em todos os seus processos psíquicos e biológicos. Daí aquela recomendação: se se quer formação de um bom cidadão, forme-o enquanto ele for criança, porque uma vez crescido e adulto pouco ou nada se pode fazer para modificá-lo. É o princípio ou força determinante, do pau que cresce torto, torto ele morrerá.

Na primeira fôrma da vida então, o útero, o indivíduo vai se conformar ou se adaptar  a esse modelo que a vida lhe impõe através do ventre materno. E de seus contornos, limites e laços (ligamentos) o feto não pode se desprender. É a primeira condição “sine qua non” para a vida. Trata-se do primeiro regramento e fôrma na educação da pessoa humana.

E o que é mais construtivo, mais reconfortante: o feto se conforma; e vive  nessa fôrma (útero) no melhor bem estar, na maior segurança e felicidade. Tanto que a sua primeira experiência de sofrimento, de ameaça, e de dor é justamente quando é trazido à luz do mundo (luzes artificiais e fortes) e ao alarido das vozes humanas. Tem-se aí o primeiro choro no contato com o mundo exterior e com os outros humanos, além da mãe.

A segunda fôrma a que o indivíduo deveria ser submetido tem maior importância por ser ela a de maior duração, de finalização, de arremate, de acabamento; aquela  de se  tornar pronto o indivíduo. A segunda fôrma da vida da pessoa humana poder-se-ia ser resumida nesses três processos: 1- criação desde a fecundação e crescimento físico; 2- educação; e 3- formação.

Bem compreendidos referidos processos. Criar;  se cria um animal e uma criança. Educar;  (treinar), se faz com uma criança e um cachorrinho. Todavia, a formação do indivíduo, de um cidadão, necessita das duas primeiras etapas e um longo período de aprimoramento e ensino de todas as virtudes, de valores éticos e morais, de boas normas nas relações sociais, de todo um conjunto de regras de humanização do indivíduo.

Todo esse conjunto de atitudes e ensinamentos  deve ser feito quando criança, quando ela é mais “plástica”, mais modelável. Assim tornamos esse indivíduo  sensível o tudo que se lhe  é ensinado, educado e formado.

Todo esse trabalho  de transformação -criação, educação e formação – é o segundo útero, a segunda e definitiva fôrma que está faltando aos nossos genitores, aos pais e mães de nossa sociedade. E por que não até aos nossos educadores e psicólogos que vêm se mostrando muito permissivos e pouco uterinos nos limites e regras aos filhos e alunos dos tempos digitais e da internet.

E essas novas tendências e diretrizes  têm me deixado preocupado com o destino e com os rumos da humanidade . Onde iremos parar com os descaminhos que andam permeando nossa sociedade?  Nosso processo educacional , nossos valores éticos? Há tempo e oportunidade de repensar todas essas novas normas que se propagam e se dizem antenadas com o mundo moderno!  Há tempo de mudar.  Junho /2017.

 

(João Joaquim, médico,  articulista DM. facebookjoão joaquim de oliveira  www.drjoaojoaquim.blogspot.com – WhatsApp (62)98224-8810)