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O futuro da alimentação mundial

Redação DM

Publicado em 14 de março de 2022 às 12:40 | Atualizado há 5 anos

A FAO, organismo da ONU ligado à agricultura e à alimentação, acaba de divulgar relatório de riscos e oportunidades sobre alimentos do futuro. Com mais de 7,7 bilhões de habitantes no mundo e tendência de crescimento nas próximas décadas, a FAO se preocupa com formas sustentáveis de geração de alimentos.

A agência cita que quaisquer que sejam as opções de novos alimentos como medusas ou água viva, insetos comestíveis e carne em células e alimentos com base em plantas, é preciso começar a se preparar para questionamentos e preocupações agora.

O relatório examina grandes fatores globais como crescimento econômico, mudanças de comportamento e padrões do consumo, aumento da população e a crise climática que afetarão a segurança alimentar no futuro.

Segundo a FAO, o mundo vive inovações científicas e tecnológicas que estão revolucionando o setor agro alimentar, incluindo a segurança dos alimentos. O estudo cobre oito categorias que impulsionam as tendências: mudança climática, novas fontes de alimentos e sistemas de produção, aumento no número de jardins de vegetais e outros locais de plantio nas cidades, mudanças no comportamento dos consumidores, economia circular, ciência de microbioma, inovação científico-tecnológica e fraude de alimentos.

Abaixo, alguns pontos do relatório: Aumento da exposição e contaminações – O impacto de mudanças da temperatura e a influência sobre a produção de alimentos além da alteração por parte dessas mudanças. Zonas mais frias se tornando mais quentes e o surgimento de pragas e espécies tóxicas de fungo na agricultura. Algumas toxinas já são um problema na África e Oriente Médio.

Medusas, algas e insetos – Variedades comestíveis de água viva são usadas por gerações em algumas partes da Ásia. Elas têm baixo teor de carboidrato e alto em proteína, mas tendem a estragar, facilmente, em temperatura ambiente e podem servir de vetor para bactéria patogênica, que pode afetar a saúde humana.

O consumo de algas, por exemplo, está se espalhando além da Ásia e deve crescer por causa do valor nutricional e de sustentabilidade. As algas não precisam de fertilizantes para crescer e ajudam a combater a acidificação dos oceanos. Umas das preocupações é com o alto acúmulo de metais pesados como arsênio, chumbo, cádmio e mercúrio. Sobe também o interesse por insetos comestíveis para diminuir o impacto sobre a produção alimentar. Ainda que sejam boas fontes de proteína, fibra e micronutrientes como ferro, zinco e magnésio, eles podem conter elementos de contaminação por alimentos provocando alergias.

Alternativas baseadas em plantas – Cada vez mais e mais pessoas se tornam veganas ou vegetarianas, quase sempre por preocupações com o bem-estar da saúde animal e o impacto sobre os rebanhos. Esses alimentos são uma alternativa à carne animal e a venda desses produtos deve crescer ainda mais em nível global. Mas esse consumo também pode causar alergias.

Carne baseada em células – Como profetizou o ex-premiê britânico Winston Churchill: “Nós devemos escapar do absurdo de criar uma galinha inteira para comer o peito ou a asa dela, quando poderíamos criar somente essas partes por um meio mais apropriado”. Hoje, isto está se tornando uma realidade, como dezenas de empresas desenvolvendo bifes e nuggets de frango. Os riscos são o uso de soro de animal na forma de produção, o que pode levar à contaminação microbiológica e química.

Novas tecnologias – Uma revolução está transformando o setor de agro alimentos e ajudando a se produzir menos. Um exemplo é a embalagem inteligente que aumenta a duração dos alimentos, tecnologia de blockchain que assegura que a comida possa ser rastreada na cadeia de fornecimento, e impressoras 3D que produzem doces e até ingredientes à base de planta com uma textura semelhante à da carne. Mas essa tecnologia precisa estar mais difundida e acessível e é preciso haver mais comunicação e transparência na troca de dados.

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