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Quando o amor passa do ponto

Redação DM

Publicado em 21 de fevereiro de 2022 às 13:33 | Atualizado há 5 anos

O famoso escritor, Paul Sheldon (James Caan) sofre um acidente de carro e é socorrido pela enfermeira Annie (Kathy Bates), sua fã número um. Ela o leva para sua isolada casa e cuida de sua saúde, mas um dia acaba tendo acesso aos originais do próximo livro do escritor e descobre que sua personagem predileta será morta. Logo sua personalidade doentia se revela e Sheldon fica à mercê das loucuras da “admiradora”.

Esta é a sinopse do filme “Louca Obsseção”, de Stephen King, em que o escritor Paul Sheldon, fica preso e corre risco de vida, pela “paixão”, de sua maior admiradora. A ficção trágica faz muito sentido ao olhar para os noticiários. O “amor” em demasia, seja nas relações amorosas ou por celebridades, clubes de futebol e até políticos, podem alienar, ser perigoso e ferir todos os envolvidos.

No âmbito das relações amorosas, a paixão exagerada, quase sempre não é amor. “Amor é liberdade, espaço, empatia e respeito”, diz. A paixão em demasia, de acordo com a psicóloga, é compulsão, faz mal e é aquela em que se domina o sentimento de posse. “O outro me pertence e precisa suprir as minhas expectativas. Se priva o parceiro de ter o próprio espaço, opinião e vontades. A pessoa está ali para agradar seus desejos e não há empatia”, explica.

Neste tipo de compulsão amorosa, há os dois lados: a pessoa que está sendo compulsiva e a vítima desse amor. A primeira sente dependência pela outra e acredita que não pode viver sem aquela relação. Sendo assim, começa a oprimir o parceiro. “Você pode saber que tem algo errado quando a pessoa te vigia, vai atrás, agride de forma física e verbal, mexe nos seus objetos, te afasta dos amigos ou das coisas que você mais gosta”, exemplifica Jéssika Rodrigues.

Adolescentes
No caso dos amores exagerados nos adolescentes, o efeito pode ser ainda maior, já que é a fase da intensidade dos sentimentos. Por isso, notícias de casais que fogem nessa faixa etária são comuns.

“Os adolescentes sentem tudo em uma intensidade muito grande e não têm maturidade para digerir a intensidade do que estão sentindo. Acham que é amor verdadeiro e quando os pais ficam contra, se opõem, porque são opositores e querem mostrar que são independentes”, analisa a psicóloga.

Paixão cega
Mas, o amor que pode fazer alguém cometer loucuras, se for exagerado é expressado de forma sufocante e afasta, ao invés de aproximar o ser “amado”. E, segundo Jéssika, esta relação tóxica pode ser observada não apenas nas relações amorosas, como ainda pode ser destinada a celebridades, times de futebol e políticos.

Quando isso acontece, a dependência pode distanciar a pessoa da realidade. “Essa dependência nos torna imparciais demais, faz com que a gente deixe de olhar outros pontos de vista e acreditar só naquela verdade e todos os outros estão errados”, diz a psicóloga acrescentando que, nesses casos a pessoa pode até agir com violência para defender seu posicionamento, como acontece nas brigas nos estádios de futebol.

“Quando deposito paixão exagerada em algo em alguém, eu estou demonstrando uma fragilidade emocional”, ressalta.

Causas
Ainda conforme a psicóloga, quando adultos ou adolescentes vivem amores compulsivos é sinal de uma carência afetiva, que tem origens na infância e nas relações com a figura materna e paterna. É um reflexo da criança interior ferida.

“Esse é um assunto complexo, que envolve questões relacionadas ao passado, à infância, à família de origem (pai e mãe), onde se há uma dependência afetiva que acaba sendo transferida de maneira disfuncional para o outro. É uma vulnerabilidade e dependência por ser amado e aceito”, diz a psicóloga.

Jéssika Rodrigues explica que o tratamento para a questão envolve terapia para entender o porquê dessa dependência afetiva e a dificuldade de em lidar com frustrações.

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