Brasil

O sol e o amanhã

Redação DM

Publicado em 24 de janeiro de 2022 às 14:16 | Atualizado há 4 anos

Em tempos desafiadores, a incerteza do amanhã é muito presente em nossas vidas. Na luta constante para voltarmos “ao normal”, nos deparamos com muralhas que se apresentam diante de nós. São novas cepas, outras doenças, enchentes, gripes fortes fora de época e muitas pessoas passando apertos financeiros imensos por causa da pandemia. Queremos as nossas vidas de volta com as rotinas, o comércio pulsante e as aglomerações que significaram um dia, momentos positivos e alegres. Queremos a liberdade que nos foi tirada.

O amanhã chega a arder em nossas mentes. Quantas preocupações! Mas, o incontível nascer do sol nos lembra que mais oportunidades surgem em meio ao caos. Sempre há o amanhã. O sol sempre nasce novamente no horizonte da vida!

Assim como muitas pessoas, tive Covid por esses dias e com ele, muitas incertezas bateram na porta. Nem tanto por mim, pois senti poucos sintomas, mas pela minha família. Ali no quarto isolado, senti que eu era uma ameaça constante. Minha linda e corajosa esposa estava para ganhar a Eloá, minha quarta filha. Nossa joia preciosa sendo forjada em tempos obscuros desse mundo. Lembrei que antes, as pessoas recebiam visitas quando estavam adoentadas. Agora, não mais. Solidão, paciência e incertezas de novo.

Ela nasceu dois dias depois que testei negativo. A Laís foi incrível. Cheia de fé, coragem e muita resignação, ainda teve ânimo para me apoiar mesmo enfrentando o final de gravidez com pré-eclâmpsia, inchaços e ameaças a saúde dela e da bebê. Ah, lá vêm os perigos, dúvidas e arrepios por causa desse bendito “amanhã”. Vi que posso vê-lo com pensamentos aterrorizantes ou com o coração aberto para a fé, afinal, ele sempre chega com o sol brilhante iluminando as nossas trevas mais profundas. A Eloá nasceu como a representação desse sol que surge depois das noites longas, obscuras e angustiantes.

Hoje, olho ao redor e vejo que tudo precisa de sol. Precisamos de muitos sóis de esperança sobre as dúvidas, dores, preocupações e perdas dolorosas.

As coisas mudaram de uma forma brutal e a pandemia rasgou os nossos planos como quem rasga uma folha de papel cheia de letras, números e desenhos. São famílias quebradas pelo luto, comerciantes fechando seus negócios, trabalhadores desempregados, crianças sem rotina. Muitos correm para os seus templos de fé para pedir socorro a Deus em momentos de dificuldades. Nem isso podemos mais com a liberdade de antes. O inimigo é invisível, mas a fé também é!

Agora, o nosso “tudo” precisa ser reconstruído de novo e de novo, quantas vezes for preciso. Os tempos desafiadores nos exigem posicionamentos únicos em situações extraordinárias, olhando para frente com a confiança que a vida se renova a cada manhã. Esse é o nosso sinal.

Surgem novos planos, projetos e ideias. Novos rabiscos e desenhos em folhas de papel nunca usadas. O que foi rasgado pode até não ser recuperado, mas temos que avivar em nós a capacidade de reescrever histórias e criar caminhos. A geração que está chegando precisa ver em nós, ideais inspiradores para seguir!

O que podemos fazer, faremos! Ajudar quem mais precisa, apoiar causas nobres e inabaláveis, unir ainda mais as nossas famílias, fortalecer a fé em Deus e servir com a coragem de quem sabe que o amanhã sempre chega, resplandecendo o seu sol de esperança sobre nós.

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