Transmissão do vírus já ocorre dentro das casas
Redação DM
Publicado em 19 de janeiro de 2022 às 14:21 | Atualizado há 4 anos
A proliferação da Covid 19, após a chegada da variante ômicron, chegou a um nível em que não é preciso sair de casa para se contaminar.
Aumentaram os casos de infecção entre as famílias, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Já a agência de saúde do Reino Unido constatou que, em 8,3% dos casos, pessoas infectadas com a variante delta contaminaram mais alguém da família. Com a ômicron, o número subiu para 19%.
Entre esta porcentagem está a família da cuidadora Morena de Sá. Em sua casa os seis moradores se infectaram na última semana. Entre os contaminados estão um casal de gêmeos, de 6 anos e uma idosa acamada de 95 anos. Todos já se recuperaram e tiveram sintomas leves. Eles não sabem dizer quem pegou primeiro o vírus.
“Nossa preocupação maior era com minha mãe, idosa, que já tomou três doses da vacina. Acredito que por isso, ela não tenha tido sintomas graves. Precisou tomar oxigênio, mas nem chegou a ser internada. As crianças eram as únicas que não tinham vacinado. Mas, felizmente, também não tiveram sintomas graves. Vamos vaciná-las assim que chegar a vez delas”, conta a cuidadora.
Vacinação das crianças
As vacinas para crianças começaram nesta segunda-feira (17) em todo estado. A maioria dos 46 municípios está seguindo a faixa-etária decrescente: começando por 11 anos, até chegar aos 5 anos. Neste momento, para autoridades de saúde, é crucial, já que as crianças representam o grupo mais vulnerável à doença por não terem se imunizado ainda.
Além disso, por não terem recebido vacina, a carga viral dos pequenos é mais alta do que a de uma pessoa que pegou o vírus, mas conta com alguma imunização. Sendo assim, a criança não vacinada pode transmitir de forma fácil a doença.
Vale lembrar que no começo da semana, as enfermarias infantis destinadas à doença no estado, que ficam no Hugol, estavam com todos os leitos preenchidos e cinco crianças aguardavam regulação. E, para reduzir o número de internações e contaminação entre as famílias, para gerente de imunização da Secretaria de Saúde de Goiás (SES), Clarice Carvalho, diz que a vacinação infantil é o único caminho.
“A situação epidemiológica está preocupante. Por isso alertamos aos pais a importância da vacina. Nestes primeiros dias de vacinação infantil esperávamos um maior número de procura”. A gerente de imunização afirma que a expectativa é que haja mais procura nos próximos dias, pois acredita que muitos pais estão evitando, por segurança, supostas filas.
“Estamos preparados para realizar a vacinação infantil de forma segura, com qualidade e mantendo o distanciamento. Tragam seus filhos para vacinar sem medo e tomando, claro, todas as medidas de segurança”, solicita.
Número de vacinas
Questionada sobre se a quantidade de vacinas será suficiente, Clarice Carvalho garante que sim. Ela explica que, de acordo com o IBGE, a estimativa populacional na faixa etária de 05 a 11 anos em Goiás é de 726.580 e, de acordo com o Ministério da Saúde, esse quantitativo representa 3,55% do total de 20.476.555 doses adquiridas pelo órgão.
“As doses serão enviadas aos Estados assim que disponíveis. Neste momento, Goiás já recebeu 88.600 doses e a população na faixa etária de 11 anos consiste em 100.88 crianças, segundo dados do Instituto Mauro Borges. Conforme o envio das doses, finalizaremos a faixa etária de 11 anos e avançaremos por faixa etária em ordem decrescente de idade”, explica ela, ressaltando que ontem a SES-GO recebeu a segunda remessa das vacinas e que logo pela manhã serão distribuídas para os municípios.
Precisamos vacinar as crianças o quanto antes para evitar a cadeia de contaminação. Vejo muitas vezes as fakenews ganhando espaço. A vacina infantil tem reconhecimento mundial. E esse é um público assíduo nas vacinações e nesse momento precisa desta imunização mais do que nunca”, argumenta a gerente.