Brasil

Portugueses e portuguesitos

Redação DM

Publicado em 18 de novembro de 2021 às 13:23 | Atualizado há 5 anos

Aconteceu-me como acontece a todos. Fiquei parada no início de uma rotunda.  O problema? O pedal da embraiagem estava solto. A primeira coisa a fazer seria vestir o colete e colocar o triângulo. Eu sei. Todos sabemos. Mas o carro estava num sítio que entupia o trânsito e ninguém parava para me ajudar a retirar o carro para outro lugar. Com os quatro piscas ligados, contactei a seguradora para que enviasse o reboque o mais rapidamente possível. Enquanto dava os meus dados e outras informações por telemóvel, muitas dezenas de carros passaram, olharam, apitaram, gritaram que faltava isto e aquilo, o que perturbava a comunicação com a senhora. Alguns pareciam divertir-se com a situação de tal forma que ajudavam a prejudicar ainda mais com tudo o que podiam. Passou uma carrinha da polícia que parou ao lado só para assinalar a falta do triângulo e seguiram. Com toda a atrapalhação gerada pelo desconforto de estar a atrapalhar a vida dos outros e a confusão gerada por alguns desses mesmos outros, não dei pela paragem de um carro e a presença de um senhor. Sem perder tempo, explicou-me que se apercebera da minha situação, pediu que entrasse no carro que ele empurraria até à zebra do lado direito da rotunda. E assim foi. Continuaram a passar carros, mas ninguém parou para perguntar se o senhor precisava de ajuda para empurrar a minha carrinha. E o esforço dispendido foi considerável! O senhor admirou-se quando contei que, da carrinha da polícia, ninguém saíra para ajudar. Nenhum polícia saiu para a ajudar? perguntou incrédulo, olhe eu sou colega deles e vou, neste momento, a caminho de Lisboa para um julgamento. Agradeci profundamente. É por ele, e pessoas como ele que escrevo estas linhas. Uma forma de enaltecer o seu gesto generoso e também, mais uma vez, de agradecer a sua ajuda. Ajudou-me e ajudou, simultaneamente, os restantes condutores, pois o trânsito ficou desimpedido. É isso. É assim. Há duas classes de portugueses — os portugueses e os portuguesitos. Cada um, segundo a sua consciência, que perceba qual é a sua. 

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