Mitos e verdades sobre os alimentos
Redação DM
Publicado em 7 de outubro de 2021 às 20:22 | Atualizado há 5 anos
É comum navegar pela Internet e encontrar propagandas de chás que emagrecem, ofertas de cursos on-line que prometem emagrecimento rápido e fácil. Aliás, muito antes da Internet, isso já acontecia em revistas, com receitas e dicas de alimentos “bons” e “ruins” para a saúde.
Fato é que alguns alimentos que podem ser bons para uma pessoa, são ruins para outra, isso porque cada um possui um organismo diferente e, infelizmente, pouco se conhece sobre o microbioma e como a alimentação influencia no cotidiano.
O nutricionista Rodrigo Lamonier explica que já está bem estabelecido na literatura científica de que não existem fórmulas mágicas para o processo de emagrecimento, que é extremamente complexo e influenciado por fatores genéticos e comportamentais.
“Promessas de perdas de 10kg por mês, que vemos com frequência por aí, normalmente são falsas e podem trazer vários riscos à saúde no médio e longo prazo. E isso também se estende aos chás, que podem até auxiliar na perda de peso por aumentarem a diurese (aumento da eliminação de água), mas eles não queimam a gordura corporal que é o foco no emagrecimento”, afirma.
O nutricionista cita o Guia Alimentar da População Brasileira, elogiado no mundo todo. “Nosso guia valoriza não só os aspectos nutricionais dos alimentos, mas também toda a carga cultural que eles podem carregar consigo. Existe a classificação de alimentos em in natura e/ou minimamente processados, processados e ultraprocessados, em que o guia reforça que o ideal é que esses dois primeiros sejam a base do nosso cardápio, seguido de quantidades reduzidas dos últimos dois grupos”.
Sobre o consumo dos alimentos, Rodrigo faz um alerta para o risco de consumir informações falsas.
“Normalmente as notícias afirmando que determinados alimentos causam câncer são divulgados de forma errada, já que normalmente é o consumo excessivo de alguns grupos alimentares que PODEM aumentar o RISCO de determinadas doenças. Essas duas palavras destacadas fazem toda a diferença na informação”, diz.
E continua: “O consumo MODERADO de carne vermelha não aumenta o risco de câncer. Normalmente, essa associação é vista do consumo EXCESSIVO, principalmente de carnes processadas (linguiça, bacon, presunto, salsicha, salame), em que o consumo maior do que 40g por dia está associado ao maior risco de determinados tipos de câncer, como o de cólon.”
Rodrigo ressalta a importância da nutrição no acompanhamento de qualquer dieta. “Antes de cortar alimentos do seu cardápio ou acreditar que existem os vilões e mocinhos, procure um Nutricionista para receber orientações de qualidade.”
“No meu ponto de vista não existem alimentos vilões e nem mocinhos e essa dicotomização está associada com o surgimento de comportamentos alimentares problemáticos. Na Nutrição é muito importante considerar outros fatores antes de dizer que um alimento é ruim, já que a quantidade e a frequência do consumo são muito mais importantes quando consideramos os desfechos negativos na saúde (doenças)”, completa.