Cotidiano

Na telinha e telona

Redação DM

Publicado em 6 de outubro de 2021 às 12:12 | Atualizado há 5 anos

Andréia Horta está em cartaz nos cinemas e se prepara para protagonizar a nova novela da faixa das 21 horas na Globo. Além de estar na tela grande e pequena, a atriz também comanda a nova temporada de “O País do Cinema”, programa que vai ao ar às quintas-feiras no Canal Brasil e passeia pela filmografia brasileira, com bate-papo em torno de um filme exibido antes da atração, que começa sempre meia-noite e meia.

Se em “O Jardim Secreto de Mariana” Andréia vive uma bióloga apaixonada pela natureza que deseja ser mãe, no folhetim “Um Lugar Ao Sol” viverá a jovem e determinada Lara, neta de Noca, personagem interpretada por Marieta Severo. São duas personalidades distintas, como se fosse uma completando a outra, num lado B da natureza humana que, entre outros aspectos, serve para mostrar a versatilidade da atriz que impressionou o público ao viver Elis Regina no longa “Elis” (2016).

Lara ficou órfã quando ainda era criança – seus pais morreram em um acidente de carro, uma calamidade. Criada pela avó materna, ela é uma personagem definida pela própria Andréia como “bonita, com uma honra e uma integridade muito grandes”. “Tenho muita alegria de estar com ela neste momento da vida porque a Lara é muito leve, luminosa”, afirma a atriz, que está no horário nobre da Globo na reprise de “Império”, em material de divulgação da emissora disponibilizado à imprensa.

Amando-se e bicando-se, Lara e Noca possuem uma relação amorosa, porém são duas pessoas opostas: a personagem de Marieta, por exemplo, é perdulária. Já a de Andréia é certinha, correta, com valores inegociáveis. E assim como a avó, dona de talento culinário, ela também exibe seus dotes gastronômicos, alguns deles que fizeram ambas se tornarem sócias. “Elas se amam profundamente, se aconselham, seguram a onda uma da outra e brigam também. Brigar faz parte do amor”, adianta a atriz.

Em “O Jardim Secreto de Mariana”, cuja direção é assinada por Sérgio Rezende, autor de “Lamarca” (1994) e “Zuzu Angel” (2006), Andréia sonha com a maternidade, porém o esposo não pode ter filhos. Botânica apaixonada, fala frases de efeito com um quê radical – a natureza conhece limites? Tem restrições morais? A temperatura sexual, óbvio, chega lá nas alturas: são assombrosos, excitantes, apaixonados, como transa bem esse casal! Tudo muda, contudo, quando ele descobre que não pode ser pai.

Esse, disparado, é o melhor filme de Rezende. Forte, sensível e poético, os dois moram numa chácara, na qual Mariana cria plantas e alimentos orgânicos, e dispõem de uma química impressionante um pelo outro. Separados – a bióloga queria engravidar, lembra? –, João sobe na bike e vai atrás dela: passados cinco anos, você precisa acreditar que nossa história ainda não chegou ao fim. E a carta? Leu? Não, não li.

Lara, digo, Mariana brilha cenicamente, brilha esteticamente, brilha porque ela Andréia Horta é uma atriz cuja expressividade vale mais do palavras ao léu: é a mesma fortaleza, talvez semelhante, caso não seja exatamente igual, a encontrada quando encarnou Elis Regina. Foi com essas características que Andréia, melhor dizendo, Lara, Mariana, sei lá, faturou o Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Gramado, em 2016.

“O Jardim Secreto” foi rodado antes da pandemia de covid-19. “Um Lugar Ao Sol” durante. Andréia, ao comparar no material de divulgação da Globo a experiência de trabalhar respeitando as normas de saúde pública, é taxativa: “atuar ganha outra dimensão. Muitas pessoas ainda estão em casa, o medo ainda está aí, e de repente você entende que precisa sair de casa, tem que atuar, contar histórias, falar das relações humanas, das desigualdades sociais num país como o nosso. Sair de casa com uma personagem tão íntegra, tão incorruptível como a Lara, faz tudo valer.”

É, Lara e Mariana podem até terem diferenças, mas ver Andréia em cena é sempre bom, seja comandando “O País do Cinema” ou atuando na tela grande e pequena.

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