Casa das Relíquias (parte 4)
Redação DM
Publicado em 2 de setembro de 2021 às 13:02 | Atualizado há 5 anos
Prossigo admitindo que há o tempo dos privilegiados excepcionais, fazendo uso do princípio da ubiquidade, hábeis em estar ao mesmo tempo, simultaneamente, em todas as partes do Universo, por minúsculas que sejam, ali onde só moram os deuses, demiurgos, talismãs e outros grandes arquitetos do universo, afugentadores das maldades humanas, creio específicas e características desse meio antropológico, incompatíveis, portanto, com os sonhos e objetivos de minha casinha das relíquias na qual imagino contar um pouco de minha história de vida e de minha caipirice sertaneja, me exigindo ser amigo dos livros, começando dos dicionários, por certo mostrando que em tudo o que fazemos na vida deixamos um pouco de nossa biografia, não importa a que nível ou qualidade.
Já se vê que aqui na Casa das Relíquias há uma vasta riqueza de ordem cultural e artística, nas devidas proporções, lembrando a velha sabedoria de William Shakespeare: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia.” Isto impõe afirmar que nesta casa de lembranças não se deve relatar ou noticiar somente os dicionários especializados, em mais de cem volumes de erudição inesgotável, me fazendo recordar outras relíquias, entre as quais merece destaque a da família, constituída de 19 pessoas, descendentes dos amores de Chica e Martin, esculpida pelo artista plástico Diogo Ferreira. Sabem em que lugar? Na parede branca de um dos cômodos de chegada da Casa das Relíquias, bem ali onde o escriba foi desenhado cercado de livros por todos os lados (redundância necessária) autografando Racismo à Brasileira. E o que tentava esconder ou simular dos curiosos? Por certo alegria na cara sisuda de um pensador, arte de Diogo e Katia Reis.
Desses amores vem filhos, Vasco, Rui e Kátia Rezende Silva, casados com Ana Lúcia, Dete e Alexandre, de quem emergem netos, bisnetos et caterva, exibindo 17 consanguíneos e afins dessa raiz ou linhagem da Casa das Relíquias na qual não podem ser esquecidos na Biblioteca homenageando meus pais, os livros sobre negros e sua resistência histórica, preferenciais de minha atividade intelectual, com mais de 300 volumes. Os de Literatura produzida em Goiás, com mais de 1.500 exemplares, de vasta temática. Os de Literatura “Mineirense”, nem sei quantos no seu cantinho de especiais. E os de história, como posso saber?
Certamente há por aqui, no interior da Casa das Relíquias, em lugares esquisitos, me avisando que o jornal tem espaço limitado, as fobias ou medos de não sei quantas coisas, as mais estrambóticas, apelidadas de medos mais comuns: o medo de aranha, aracnofobia, o medo de abelhas e de vespas, apifobia, o medo de pássaros, ornitofobia, o medo de animais, zoofobia, com o dos insetos, endomofobia e o de fenômenos meteorológicos, como tempestades, trovões, raios e outros que nem sei a origem e o significado, anunciando fim do mundo. Sou advogado com escritório sediado nas três fronteiras, com esse nome.