Franco diz que não houve culpa do governo federal no atraso da vacinação
Redação DM
Publicado em 10 de junho de 2021 às 12:55 | Atualizado há 5 anos
O ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco afirmou que a vacinação contra a covid-19 não começou mais cedo no País por atrasos do Instituto Butantan no pedido para uso à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Para o ex-secretário, o atraso no desenvolvimento da Coronavac impediu que a vacinação contra a covid-19 fosse antecipada no País.
À época, o presidente Jair Bolsonaro criticou diversas vezes o imunizante e reforçou que “a vacina chinesa de João Doria” não seria comprada pelo governo federal. “Nós não tínhamos interesse na vacina chinesa. Tínhamos interesse na vacina a ser produzida pelo Instituto Butantan”, justificou Franco. “Nós não poderíamos apoiar o desenvolvimento da vacina do Butantan porque ela estava sendo desenvolvida pela Sinovac na China. O Butantan não estava desenvolvendo, estava apenas conduzindo os estudos clínicos de fase 3 para depois colocar na linha de produção”, completou.
O ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco disse ainda que a atuação do Ministério da Saúde para implementar medidas de restrição foi limitada por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao contrário do que defendeu Franco, decisão de abril do último ano da Suprema Corte reconheceu por unanimidade a competência concorrente da União, Distrito Federal, Estados e municípios na definição de medidas de combate à covid-19.
O conteúdo da decisão tem sido distorcido também pelo presidente Jair Bolsonaro. Repetidas vezes o presidente afirmou que o entendimento da Corte previne o governo federal de agir para conter a disseminação da doença, o que não encontra respaldo na Corte.
As medidas de restrição, as quais Franco disse que o ministério estaria impedido de aplicar após a decisão do STF, são outro ponto atacado com frequência pelo presidente que critica a “turma do ‘fique em casa e a economia a gente vê depois'”. “Sempre disse que o vírus era uma realidade e tínhamos que enfrentá-lo. Nada de se acovardar perante aquilo que não podemos fugir”, discursou o presidente em Mato Grosso, em setembro do ano passado.