Política

Ameaça da politização da pandemia prejudica Goiás

Redação DM

Publicado em 28 de março de 2021 às 14:01 | Atualizado há 2 anos


É cada vez mais consenso científico que não existe alternativa ao revezamento 14×14 proposto pelo Governo de Goiás em seu último decreto. Nesta modalidade de restrição, ocorre a intercalação de um tempo suficiente para aquela pessoa que contraiu o vírus cumprir sua quarentena e ao mesmo tempo reduzir contágio, já que por 14 dias ocorre obrigatoriamente a diminuição de contatos sociais. Trata-se de decreto mais seguro e adequado aos princípios sanitários. Tem sido adotado praticamente em todo país.

No outro modelo, o de revezamento, existe uma atenção ao comércio, que não deseja fechar em absoluto suas portas. Eis aqui a polêmica: um decreto mais amargo e outro mais ameno impactam de forma diferente os humores das pessoas.    

Para Marcelo Baiocchi, presidente da Fecomércio, o modelo de 14×14 é menos prejudicial ao comercial do que restrições por zonas, que é apontado por técnicos como paliativo e não ajudaria a reduzir o número de casos de contágio.  

“A ideia de zoneamento é um pouco ingênua, mas atende aos comerciantes. Não leva em consideração que o vírus circula e as pessoas andam, pegam ônibus e visitam outros lugares”, diz o biólogo Matheus Santos, especialista em Genética ela UFG.     

O modelo adotado por Aparecida de Goiânia, com revezamento, por exemplo, é tido como aglomerador, já que o público tem a opção de ir até onde as portas estão abertas – o que ajuda a piorar outro complicador, o transporte público. Não é por acaso que cenas de aglomerações da cidade têm circulado nas redes, atestado visual da gravidade enfrentada pelo município.

Baiocchi afirma que não deseja ver o comércio fechado novamente, por isso apela para que a sociedade e empresários respeitem as regras de distanciamento e uso de máscaras e álcool gel.



Marcelo Baiocchi, presidente da Fecomércio, se mostra mais favorável ao modelo de 14×14 do que o revezamento proposto por Gustavo Mendanha e Marden Júnior: apoio a um modelo que realmente reduza número de casos de covid-19

O decreto de Ronaldo Caiado é o mesmo da Prefeitura de Goiânia e Anápolis, mas diferente de Aparecida de Goiânia. E uma das suspeitas para a diferença que foi denunciada por Ronaldo Caiado e outros prefeitos, como Carlão da Fox, de Goianira, é de que esteja ocorrendo “politização” das políticas sanitárias.

Carlão, por exemplo, segue o decreto estadual ciente de que é mais difícil mantê-lo, por conta das pressões sociais, mas com a consciência de que seja mais efetivo. “Não podemos aproveitar dessa situação para querer ganhar situação política”, disse.

As duas cidades que seguem modelo diferente do governador e de sua equipe são ligadas a políticos oposicionistas ao gestor – Marden Júnior, em Trindade, foi eleito pelo grupo do ex-governador Marconi Perillo, e Gustavo Mendanha, integra o MDB, legenda que disputou as eleições contra Caiado, em 2018.

A suposta politização ocorreria devido aos gestores já estarem de olho na disputa de 2022.  “Não vou trocar vida por voto”, disse Caiado ao anunciar o decreto, há 12 dias.  

A frase marcou o momento mais grave da pandemia. O gestor realmente assumiu a culpa e responsabilidade, demonstrando que não vai fazer política diante situação tão grave.  

Os prefeitos de Trindade e Aparecida negam que exista politização, mas que optaram por modelo diferente, também embasado em conselhos técnicos. “Não estamos aqui como adversários de ninguém”, disse o prefeito de Trindade, numa possível indireta ao governador.  

Toda família

Antes de toda família contrair covid-19, o prefeito de Aparecida, Gustavo Medanha, chegou a gravar vídeos com negacionistas que seguem a cartilha de menosprezar o impacto do vírus na saúde pública.

Nos bastidores, um emedebista de Goiânia diz que se fosse Maguito o prefeito de Aparecida, ainda que na oposição, ele jamais se colocaria contra um decreto de um gestor como Caiado, cujo reconhecimento na medicina é proporcional ao trabalho na política.

Mestre em cirurgia na França,  ex-professor no Rio de Janeiro com produção científica,  a autoridade de Caiado na área é inquestionável.  Não é á toa que ele é protagonista nacional no enfrentamento e líder de governadores nas ásperas discussões com o Governo Federal.  

Ao não andar junto com Caiado, como faz Anápolis e Goiânia, e todo Entorno do Distrito Federal, o prefeito de Aparecida, um homem sem atributos intelectuais na área, assume o risco da população, cerca de 600 mil pessoas.      

Se politizasse a disputa, a animosidade de Caiado serviria, por exemplo, cessar a chegada de recursos sob sua assinatura. O que não ocorre. Na semana passada, por exemplo, o governador Ronaldo Caiado enviou 18 respiradores para Aparecida, ciente da escalada de casos no município, que já figura na mídia nacional com pacientes que mesmo com decisão judicial não conseguiram UTI.  


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