O que Caiado fez para Goiás liderar Ideb
Redação DM
Publicado em 27 de outubro de 2020 às 22:29 | Atualizado há 6 anos
O primeiro lugar de Goiás no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) tem sido objeto de várias interpretações entre educadores. Passado mais de um mês do anúncio da nota, consolidou-se a linha que confere à atual gestão um trabalho concentrado para melhorar os parâmetros de educação. Ou seja, vários elementos se conectaram para o Estado se consagrar como a melhor educação pública do país. Criado a partir de decreto federal em 2007, o índice é divulgado a cada dois anos. Não é tudo, mas uma medida que dá norte.
O que se sabe de fato sobre esta transição de Goiás é que apenas parte do modelo anterior, das gestões passadas, foi aproveitado. A maior parte rejeitado. A partir de 2015, o Estado foi palco de protestos de estudantes secundaristas que não aceitaram a tentativa de terceirização do ensino público para as OS.
Na época, os gestores enfrentaram críticas contundentes de um movimento nacional, que escancarou, dentre outras deficiências, o sucateamento e depredação das escolas históricas do Estado e a falta de compromisso com moradores do Entorno do Distrito Federal, obrigados a estudarem em um bizarro terceiro/quarto turno.
A nota do Ideb impacta o estado como um todo: mais de 82% das matrículas do ensino médio em Goiás são da rede estadual.
Como o modelo proposto anteriormente de entrega total para a iniciativa privada foi rejeitado, surgiram possibilidades de inovações menos impactantes dentro das próprias escolas, mas eficazes.
Uma das novidades foi bem prática: a atual administração aumentou as horas/aulas de matemática e português. Secretária de Educação, Fátima Gavioli acredita que esta medida quantitativa foi uma das mais eficazes. Mas outras ações qualitativas pavimentaram o êxito dos goianos nos gráficos.
Em artigo publicado na “Folha de S. Paulo”, o governador Ronaldo Caiado (DEM) elencou alguns eventos como hipóteses para a guinada na educação, inclusive o aumento das horas/aula: integração da rede pública, acompanhamento pedagógico de cada aluno, fortalecimento das escolas em tempo integral, recursos públicos para que a própria unidade administre, parcerias com a iniciativa privada e reforço nas disciplinas.
No texto, Caiado lembra que o aluno, a partir de 2019, passou a ter duas aulas a mais de português e matemática em cada etapa do aprendizado. Mas sublinha outras ações, como a aproximação com a iniciativa privada sem intuito de terceirizar a educação, como se tentou no passado.
“Além dos esforços redobrados do Governo de Goiás no sentido de melhorar a qualidade do ensino nestes quase dois anos, contamos com a indispensável contribuição de nossos parceiros”, diz Caiado. O governador se refere, por exemplo, a institutos do Unibanco, Natura, Sonho Grande, Corresponsabilidade pela Educação (ICE), Fundação Lemann, dentre outros.
Avanço
Um modelo é o programa Jovem de Futuro e Circuito de Gestão, responsável pelo avanço contínuo da administração escolar. O Instituto do Unibanco (IU) se uniu à Seduc Goiás para criar alternativas.
Os incentivos financeiros também teriam ajudado, como diz o estudante Miguel Andrade, que recorda antes e depois de sua escola na periferia de Goiânia: “Uma pintura já mudou a realidade. Ficamos mais felizes, estudamos mais”.
A Secretaria de Educação (Seduc) informa que desde janeiro de 2019, já foram investidos mais de R$ 114 milhões na infraestrutura, o que humaniza o ambiente escolar.