Cotidiano

115 milhões de pessoas em extrema pobreza enquanto fortuna de bilionários cresceu 27%

Redação DM

Publicado em 11 de outubro de 2020 às 13:07 | Atualizado há 6 anos

Só em 2020 estima-se que 115 milhões de pessoas estejam sendo empurradas a essa situação, número que pode crescer a 150 milhões em 2021. Nas últimas duas décadas é a primeira alta da pobreza extrema e pode aumentar a 9,4% o percentual da população global nessas condições.

Esta será a primeira alta desde 1998, quando a crise financeira asiática provocou um choque na economia global.

Pelo critério do Banco Mundial, a extrema pobreza é caracterizada por uma renda diária de até US$ 1,9 (cerca de R$ 10).

Conforme os dados da Pnad Continua, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), em 2019 , 13,88 milhões de brasileiros viviam nessa condição, cerca de 170 mil mais do que no ano anterior. O Brasil já vinha experimentando aumento da pobreza extrema nos últimos cinco anos.

Antes da pandemia, a estimativa era que pobreza cairia para 7,9% em 2020. De acordo com o relatório Poverty and Shared Prosperity Report (Relatório sobre pobreza e prosperidade compartilhada, em tradução livre) publicado a cada dois anos , a pobreza extrema passará a afetar o equivalente a algo entre 9,1% e 9,4% da população do mundo neste ano.

Entretanto, em 2020 a tendência foi interrompida graças ao pagamento do auxílio emergencial, que tem amortecido a crise entre as famílias de baixa renda. Com base nos dados da Pnad Covid-19 a Fundação Getúlio Vargas (FGV), estima que entre Maio e Agosto, a parcela da população abaixo da linha da pobreza recuou de 4,18% para 2,29%.

Desde abril, o governo já desembolsou quase R$ 200 bilhões com o auxílio. Com a diminuição do valor beneficiário, os indicadores de pobreza podem voltar a piorar, alerta o autor das estimativas.

Ricos mais ricos

“Os bilionários se saíram extremamente bem durante a crise da covid-19: não apenas cavalgaram a tempestade na baixa como lucraram na retomada”, afirmou Josef Stadler, do Banco UBS.

O número de bilionários também atingiu um novo recorde: são 2.189, contra 2.158 em 2017.

Só entre abril e julho deste ano, de acordo com um relatório de Outubro do Banco suíço UNS, o aumento foi de 27,5% para US$ 10,2 trilhões, uma cifra recorde.

Executivos das áreas da tecnologia, saúde e da indústria estão entre os que assistiram maior avanço da renda no período. Segundo o estudo, os ultra-ultra-ricos se beneficiaram especialmente ao investir no mercado acionário na baixa, entre Março e Abril, quando o mundo entrou em quarentena e lucraram em seguida com a recuperação dos preços das ações.

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