Política

Escândalo de padre Robson envolve políticos do PSDB, segundo “Fantástico”

Redação DM

Publicado em 31 de agosto de 2020 às 01:48 | Atualizado há 6 anos

O escândalo milionário que envolveu o padre Robson e a Associação
Filhos do Pai Eterno (Afipe) atinge agora integrantes do PSDB goiano,
inclusive, um pré-candidato de Trindade à disputa eleitoral deste ano. Chama a atenção
a quantidade de negócios da associação com políticos e pessoas ligadas aos gestores
citados na investigação.

Os nomes de Jânio Darrot, atual prefeito de Trindade e
presidente estadual do PSDB, bem como do seu vice-prefeito, Gleysson Cabriny, e
o pré-candidato Marden Júnior, foram citados em reportagem especial do “Fantástico”,
da TV Globo, veiculada na noite de domingo, 30.

 A reportagem ouviu os
envolvidos bem como integrantes da força tarefa que investigam a prática de
vários crimes, bem como a suspeita de Caixa 2 e repasses de dinheiro doado por
fieis para a realização de campanhas políticas ou enriquecimento de gestores e
legisladores públicos.

A reportagem do “Fantástico” enfocou supostas contradições
no discurso de padre Robson, já que ele foi ouvido em reportagem, veiculada no domingo,
23, sobre “negócios” com políticos. Naquela entrevista ele já afirmava que poderia
ter repassado recursos para políticos, mas “nada errado”.

O padre disse que o fato de “ser político” não interessa,
mas a lisura dos negócios. Mas para os investigadores interessa, segundo os
integrantes do Ministério Público e Polícia Civil. A Afipe teria transferido pelo
menos R$ 40 milhões para empresas próximas aos familiares do vice-prefeito, diz
o MP-GO.

Enquanto o vice teria recebido R$ 287 mil, a sua empresa Mega
Radiodifusão foi beneficiada com R$ 1,649 milhão. Outra que seria dele segundo
o MP, a GC Agropecuária, recebeu R$ 5,750 milhões. O vice e seus familiares,
diz a Polícia Civil, serão investigados, já que fizeram diversos negócios com
as entidades controladas pelo padre.

A quebra de sigilo das “Afipes” também descobriu repasses
para pessoas físicas, caso do irmão do vice-prefeito, Bráulio Cabriny, que
teria recebido R$ 995 mil da associação. Uma cunhada teria recebido R$ 693 mil.
Já o pai, Onivaldo da Costa, teria recebido R$ 5.510 milhões. Outra empresa da
família, a GC Construtora, empresa do irmão Bráulio, teria recebido mais de R$
20,700 milhões. Os promotores afirmam que chama atenção o prejuízo financeiro
causado pelos negócios realizados com as empresas.

O Ministério Público cita o caso de uma fazenda vendida para
o pai do vice-prefeito, que foi repassada por valor quatro vezes abaixo da
revenda. “O pai compra por R$ 600 mil e depois revende por R$ 2,5 milhões. A
suspeita recai no lucro excessivo”. Na defesa da família, os advogados do vice
reconhecem os inúmeros negócios com as Afipes, “todos lícitos, declarados e
registrados”.

A reportagem do Fantástico mostrou ainda que Jânio Darrot, a
principal liderança do PSDB goiano após o ex-governador Marconi Perillo ir
embora de Goiás, seria um dos principais beneficiários dos repasses. Ele recebeu
transferências da entidade liderada por padre Robson, de acordo com as
investigações, de quase R$ 4,5 milhões. E uma empresa dele, a JCF Participações
Limitada, recebeu cerca de R$ 9 milhões.

Defesa

Em sua defesa, Darrot disse que a venda é originária de um
imóvel. Conforme nota divulgada pelo prefeito e liderança tucana, o pagamento foi
registrado de forma transparente, “mediante transferências bancárias entre a conta
da pessoa física e jurídica”.  Darrot diz
que toda documentação está disponível para esclarecimento.

Mas existem outras transações com políticos ou parentes do
mesmo grupo que chamaram a atenção da polícia. É o caso do vereador Marden
Júnior, pré-candidato do PP escolhido por Darrot para sua sucessão e que teria
apoio de padre Robson, segundo a imprensa.

Ele é marido de Rouane Carolina Martins, diretora financeira
da Afipe, considerada “braço-direito” do padre, também investigada. A defesa de
Rouane disse que prefere não se manifestar. Segundo a reportagem investigativa
do “Fantástico”, através da quebra de sigilo, a investigação da polícia mostraria
repasses indiretos para Marden, entre 2015 e 2016. “O Marden, através do pai e
da mãe, tem transferências financeiras que ultrapassam R$ 2 milhões”, diz a
polícia. 

Versão

Em sua versão, Marden diz que o pai vendeu uma propriedade
rural para Afipe. “Transação declarada na Receita Federal com recolhimento de
todos impostos”.

Por sua vez, a assessoria de Padre Robson afirma que ele não
“participa da política partidária” e que “todas transações financeiras da Afipe
são legais, “sempre feitas em favor da evangelização”.  

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