Uma candidatura escolhida pela base
Redação DM
Publicado em 29 de agosto de 2018 às 03:06 | Atualizado há 8 anos
Decididos a ter um representante que conheça profundamente a realidade da segurança pública e das condições em que ela é oferecida aos cidadãos, os policiais civis do Estado de Goiás encontraram uma forma democrática e participativa de escolher um nome da categoria: eles realizaram uma enquete com ampla adesão. Escrivã de Polícia Civil de classe especial, ex-diretora do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol-GO) e com um histórico de luta em defesa da categoria, Keithe Amorim foi escolhida por 95% dos votos dos participantes. Ela estreia na política, disputando uma vaga na Assembleia Legislativa pelo PSL, partido do candidato a presidente Jair Bolsonaro e de um de seus maiores incentivadores, o deputado federal delegado Waldir Soares, candidato à reeleição.
Natural de Jataí, onde fez carreira na Polícia Civil, depois de ser aprovada em concurso público, Keithe abraçou dois temas com os quais está intimamente ligada: a segurança pública – que ela conhece profundamente como escrivã de polícia e operadora de segurança – e a educação, o que não poderia ser diferente, afinal, seus pais, Maria Helena e José Carlos (o Zé da Horta) dedicaram suas vidas à educação de crianças e jovens. Zé da Horta, professor da rede estadual, ocupava o cargo de presidente do Conselho Municipal de Educação de Jataí quando morreu. Foi nesse ambiente, marcado pelo respeito e pela valorização do conhecimento, que Keithe cresceu e formou seu caráter.
Sem recursos e com uma campanha mais curta do que as de eleições anteriores, Keithe está apostando no contato direto com os eleitores para conseguir os votos de que precisa para chegar à Assembleia Legislativa com sua proposta de renovação e de trabalho. Ela explica que sua principal bandeira é a segurança pública por sua atuação profissional. “Percebemos, no dia a dia como agentes da segurança, que essa ausência do poder público afeta também outras áreas, como educação e saúde”, diz a candidata, destacando sua preocupação especial com o atendimento aos jovens, que, sem uma política educacional eficiente, acabam aliciados por criminosos, principalmente por traficantes de drogas.
“Os pais precisam trabalhar o dia todo para manter suas famílias e esses jovens, sem um contraturno escolar ou escola de tempo integral, acabam ficando muito vulneráveis à ação dos aliciadores e à prática de atos infracionais”, afirma, com base em sua experiência como policial civil. Por essa e outras constatações, Keithe relata que aceitou o desafio imposto pelos colegas policiais civis, “considerando que suportamos, há pelo menos duas décadas, uma política que pouco ou nada investiu em segurança pública, apesar de o artigo 5º da Constituição Federal prever esse direito fundamental de todos os cidadãos”.
Um dos indicadores dessa falta de atenção com a segurança pública e que também aflige Keithe é o crescente número de casos de feminicídio. “Precisamos de políticas eficazes de proteção à mulher e ninguém melhor do que uma mulher para lutar por esse direito”, afirma, observando que apesar de as mulheres serem 52% da população do Estado de Goiás, ocupam apenas 3 das 41 cadeiras da Assembleia Legislativa goiana.
RENOVAÇÃO
Keithe também defende a renovação máxima na Assembleia Legislativa. “Embora todos digam que representam o povo na casa legislativa, o que vemos é que não houve projetos acertados voltados para a segurança pública, como também não vemos para a educação de nossos jovens e das crianças”, constata. Uma das formas de investir em educação, pontua Keithe, é valorizar o professor e educador, com o pagamento de salários dignos e proporcionando condições para que os professores voltem a ter poder de autoridade na sala de aula.